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BAI é o único banco que dá lucros à Sonangol

09/03/2018 - 09:35, Business, featured

A Sonangol está a avaliar a sua estratégia para a banca comercial em Angola, uma vez que muitos dos investimentos são desnecessários no quadro actual.

Por Edjaíl dos Santos

edjail.santos@mediarumo.co.ao

Accionista de quatro bancos em Angola e um em Portugal, a petrolífera nacional revela que entre as participações na banca apenas o Banco Angolano de Investimentos (BAI) dá dividendos. “Há alguns investimentos na banca que nunca nos deram lucro, mas também foram feitos num momento diferente do ponto de vista político, empresarial e económico.
O único banco que nos dá dividendos regularmente é o BAI, onde temos uma percentagem não muito grande de 8,5%”, admitiu o presidente do conselho de administração da Sonangol, Carlos Saturnino. Em relação aos bancos que não dão lucros, Carlos Saturnino adiantou que “a Sonangol é do Estado e, como tal, o accionista toma decisões e recomenda à empresa para perseguir determinados objectivos”, esclarecendo também que “há investimentos na banca comercial que foram feitos com a intenção de fortalecer algumas instituições”. “Um desses exemplos é o Banco Económico, no qual a Sonangol não possuía participação. Mas por decisão do accionista investiu 170 milhões USD na instituição, depois da situação de crise que viveu o Banco Espírito Santo Angola.

Numa situação normal não se teria feito esse investimento, não seria necessário”, adiantou o PCA da mais importante empresa nacional. Carlos Saturnino frisou que os investimentos, apesar de não terem sido feitos na devida altura, comportam menos prejuízos nos bancos onde a Sonangol detém uma participação mais pequena. “Por exemplo, temos uma percentagem de 1,1 % no Banco de Comércio e Indústria, de 8,5% no Banco Angolano de Investimentos, de 25% no Totta Angola e de 39,4 % no Banco Económico”, detalhou o sucessor de Isabel dos Santos.

O líder da Sonangol admitiu que não está satisfeito com todos os investimentos feitos no sector bancário. Por isso, pensa em dispensar alguns deles. “Há investimentos que temos de deixar, porque acreditamos que há privados e individuais que podem contribuir para a nossa economia, não há necessidade de estarmos em cinco bancos ao mesmo tempo”, referiu. A mudança de estratégia para a banca, segundo Carlos Saturnino, obedecerá a vários factores e a um conjunto de variáveis, nomeadamente em relação ao dinheiro transaccionado em cada um deles, e aos benefícios que darão, o que pode ser favorável aos trabalhadores através de taxas de juros mais baixas. “Por exemplo, o fundo de pensões da Sonangol tem mais ou menos 600 milhões  USD  dos  trabalhadores.  O que temos a ganhar se depositarmos esse montante num dos bancos? Que benefícios teriam os colaboradores que são os donos do dinheiro? Numa ou várias instituições?”, questiona Carlos Saturnino.

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