Mercado

Carros de luxo apresentam quedas nas vendas no País

24/09/2015 - 17:11, Business, Consumo

A Porsche Angola vendeu apenas 20 viaturas no primeiro semestre de 2014, cifra que baixou para sete no mesmo período de 2015.

Por  Agostinho Rodrigues | Fotografia Walter Fernandes

O mercado automóvel nacional, de gama média e gama alta, ressente-se da actual conjuntura financeira do País, motivada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, segundo dados da Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transportes Rodoviários (ACETRO).
Dados de Janeiro a Junho de 2014 divulgados pela ACETRO apontam para a venda 223 viaturas ligeiras de gama média-alta. Esta cifra comparativamente ao mesmo período de 2015 teve um decréscimo de 95 viaturas.
Em relação às viaturas de gama alta, consta que em 2014 foram vendidas apenas 89 viaturas no primeiro semestre do ano, cujo número reduziu para 28 viaturas no mesmo período de 2015.
A Porsche Angola, por exemplo, uma das concessionárias de viaturas de gama alta, vendeu apenas 20 carros no primeiro semestre de 2014, cifra que baixou para sete dos nove veículos premium importados no mesmo período de 2015.
Segundo o director-geral da Porsche Angola, Esmeraldo Chinguto, nesta altura a concessionária está resumida a apenas duas viaturas, que podem não ser vendidas nos próximos dias.
A empresa, avançou o responsável, teve uma queda acentuada no volume de vendas na ordem dos 65% até ao 1.º semestre do ano, sendo que a média anual era de 40 viaturas.
“A baixa acentuada nas vendas deve-se, por um lado, à falta de liquidez dos clientes”, disse, frisando que outra das dificuldades da empresa prende-se com transferência de divisas para o exterior do País para a compra de novas viaturas.
Salientou que a percentagem de vendas registada no ano passado se situou em 87%, sendo o Macan o modelo comercializado pela concessionária.
A Porsche Angola, que facturava 120 milhões Kz/ano (945 milhões USD), estimava vender 56 viaturas em 2015, devido à agressiva campanha de marketing e publicidade que desencadeou no ano passado. “Esta situação vem de alguma forma frustrar alguns dos nossos objectivos”, lamentou.

Baixa facturação
Para este ano, a Porsche Angola, de acordo com Esmeraldo Chinguto, prevê facturar apenas 50 milhões Kz (394 mil USD), menos 70 milhões Kz contra os 120 milhões Kz (551 mil USD) que no anterior.
O negócio de viaturas premium, referiu, apesar da retracção financeira, que considerou transitória, tem futuro no mercado nacional, pois, avança, “o consumidor angolano é vaidoso, e as viaturas premium são um investimento para a vida inteira”.
No início da actividade, em 2010, assegurou que foi difícil conquistar o mercado, pois o consumidor recorria ao exterior do País para adquirir viaturas Porsche por alegados preços inflacionados no mercado nacional.
“Hoje está dissipada a dúvida. Os carros que importamos são fabricados de acordo com as especificações climáticas do nosso País, e os preços são competitivos”, recordou, tendo afirmado que os Porsches adquiridos no mercado externo são os que mais acorrem às suas oficinas.
Para Esmeraldo Chinguto, o défice de vendas de viaturas afecta não só o mercado angolano, mas o mundo automóvel de forma global. Refira–se que a Porsche Angola tem o controlo, na sua base de dados, de um parque automóvel de cerca de 500 viaturas.

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