Mercado

Companhias de África precisam de “céu aberto” para crescer

03/11/2017 - 12:34, Business

Número de passageiros deverá mais do que duplicar até 2037, indica associação internacional do sector. Mas é preciso avançar para o mercado único, diz associação das companhias africanas.

O número de pessoas que viajam de avião em África deverá ser mais do dobro do actual até daqui a menos de 20 anos, com taxas anuais de crescimento na ordem dos 5,6%, face a uma média global de 3,6%, revelou a IATA, na semana passada.

A confirmar-se a projecção da associação que representa as companhias aéreas, antes de 2037 haverá cerca de 200 milhões de passageiros por ano no continente – ainda assim, uma ínfima parte do total mundial. Nessa altura, estima a IATA, o tráfego global de passageiros será de cerca de 7,8 mil milhões, face aos 4 mil milhões actuais.

Mas, apesar das previsões, os números devem ter em conta os desafios do sector em África, nomeadamente ao nível da saúde financeira das companhias aéreas, alerta Paul Steele, vice-presidente sénior para as Relações  Externas  da  Associação  das Companhias Aéreas da África Austral (AASA, no acrónimo inglês) – de que a TAAG é membro –, para quem a região arrisca perder uma oportunidade importante. “As companhias africanas não gozam de saúde financeira”, afirma, citado no Business Day. “Neste ano, enquanto o sector, a nível global, deverá atingir lucros de 31,4 mil milhões USD, as companhias aéreas africanas irão ter prejuízos de 1000 milhões”, avança.

Contas feitas, explica, por cada passageiro transportado, as companhias do continente irão perder 1,5 USD, que comparam com mais de 16 USD nos EUA, a indústria que serve de padrão à rentabilidade do sector.

Chris Zweigenthal, director executivo da AASA, exemplificou que a África do Sul é um mercado de grande dimensão em África, mas, com um crescimento do PIB inferior a 1%, a previsão é que o movimento de passageiros cresça entre 3% e 4% nos próximos cinco anos. Com a esperada recuperação económica do país, as taxas de crescimento poderão ascender a 5,7%, afirma.

Yamoussoukro tem de avançar

O responsável da associação acredita, aliás, que a África do Sul seja um reflexo do desempenho do sector em África, apesar de reconhecer que “em muitos países da SADC as taxas de crescimento do PIB são elevadas, por vezes, a rondar os 5% a 7% por ano”.

E considera que um dos constrangimentos no aumento do número de passageiros  no  continente  –  e  na maior economia africana – foi o atraso na implementação da liberalização do espaço aéreo.Desde 1999 que decorrem negociações em torno deste processo, tendo ocorrido no ano seguinte a assinatura da chamada decisão de Yamoussoukro.

Mas não se concluiu a implementação, apesar de em alguns blocos económicos e entre alguns mercados existir uma “liberalização limitada”, afirma.

O acordo de Yamoussoukro, recorde-se, referente à abertura do mercado  de  transporte  aéreo  a  todas  as companhias aéreas africanas, foi adoptado em 2000, na cidade de Yamousoukro (Côte d’Ivoire), ao nível da União Africana, e devia ter entrado  em  vigor  em  pleno  ano  de 2004.

Chris Zweigenthal lembra entretanto que, já em Janeiro de 2015, a África do Sul desencadeou uma nova tentativa de criação de um mercado único da aviação, havendo até agora 22 países que assumiram o compromisso. Este ano foi dado como certo para o  arranque  do  mercado,  tendo  a meta, entretanto, passado para 2018, segundo o responsável.

O projecto de criação do mercado único de aviação africano, afirma, mantém-se sob a égide da União Africana. Steele, por seu turno, reforça que, “para que África atinja o seu potencial, é necessário que a decisão de Yamoussoukro avance rapidamente e em pleno”. “Apesar de ter havido alguns progressos nos últimos dois anos, com 22 Estados comprometidos com a implementação plena da decisão, e com mais de 50 novas rotas intra-africanas lançadas, os políticos e a indústria precisam de agir em cooperação para tornar o processo uma realidade”, afirma ainda o vice-presidente da AASA.

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