Mercado

Companhias de petróleo procuram formas criativas de financiamento

15/10/2015 - 11:22, Business, Energia

A queda dos preços do crude tem dificultado a obtenção de financiamento pelas vias tradicionais. Empresas do sector já vão atrás de hedge funds e de private equities.

Fotografia Bloomberg

A Dolphin Group tentou convencer hedge funds e fundos de private equity a financiarem projectos de exploração e mapeamento de leitos marinhos em troca de juros vinculados às vendas, segundo fontes do sector. Pelo menos dois perfuradores noruegueses estão a planear a venda e subsequente locação de navios para levantar fundos e financiar operações enquanto lutam com dificuldade para ter acesso aos mercados de empréstimos e bonds, revelam as mesmas fontes.
As empresas de energia estão a ser barradas nos mercados de bonds, e os credores estão a reduzir as linhas de crédito, assim que os preços caíram cerca de 60% em relação ao pico do ano passado. As empresas de serviços na Europa estão a começar a ficar sem dinheiro, pois várias produtoras, da Royal Dutch Shell à Petróleo Brasileiro, estão a diminuir os seus próprios investimentos e adiando projectos.
“Os mercados de bonds estão fechados para essas empresas, especialmente para as pequenas, e talvez os bancos não lhes emprestem dinheiro nesta etapa”, refere Nigel Thomas, sócio do escritório de advocacia Watson Farley Williams, em Londres. “As companhias de serviços precisam de ganhar tempo para sobreviver durante a depressão, e os investidores alternativos podem-lhes dar esse tempo, mas a um custo muito caro.”
Os bonds emitidos pelas empresas de serviços petrolíferos no mundo inteiro caíram para 6,7 mil milhões neste ano, a caminho de registar o menor valor em uma década, segundo dados compilados pela Bloomberg. Aempresa francesa de topografia de campos de petróleo CGG afirma ter cancelado um empréstimo em julho porque os bancos ofereceram termos desfavoráveis.

Tácticas
Os bonds de empresas de energia com grau especulativo perderam 9% neste ano, e a dívida com yields altos no mundo ganhou 0,3%, segundo dados do Bank of America Merrill Lynch Index.
A Dolphin contactou hedge funds e investidores de private equity no mês passado para pedir um empréstimo de 50 milhões USD que daria um retorno de cerca de 15% por ano, revelam fontes do sector. A empresa com sede em Bergen está a trabalhar com um possível credor numa transacção que pagará juros ligados à venda de dados, afirma o CEO, Atle Jacobsen.
A Dolphin, que tinha cerca de 264 milhões USD em dívidas em 30 de Junho, também prolongou os vencimentos dos bonds e está a considerar formas de cortar custos e aumentar a liquidez enquanto espera uma recuperação na procura, segundo um relatório publicado em Agosto.
Os bonds da empresa despencaram, segundo dados compilados pela Bloomberg. Cerca de 500 milhões de coroas norueguesas (60,4 milhões USD) em notas com vencimento em Março de 2019 estão avaliados em cerca de 25% do valor nominal.

Subsequente locação
A Norshore Holding, com sede em Bergen, diz que transferiu o controlo do seu navio para os credores como parte da reestruturação de uma dívida de 150 milhões USD no mês passado e alugou-o para continuar a funcionar.
“O sector de serviços está sob uma pressão enorme porque as companhias de petróleo continuam à procura de fazer cortes significativos”, refere Terje Fatnes, analista do SEB Enskilda, em Oslo. “Conseguir liquidez neste mercado poderia ser um exercício doloroso. Para muitas empresas, a reestruturação financeira parece inevitável.”

NR/Bloomberg

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