Mercado

Conectar Angola por banda larga

07/08/2017 - 08:48, Business

No sentido de “estar lá quando é preciso”, a empresa Multitel afirma-se no mercado nacional com aposta contínua de tecnologias para unir o País de ponta a ponta.

Por Cláudia Simões

claudia.simoes@mediarumo.co.ao 

Para este ano, a empresa de prestação de serviços de telecomunicações Multitel passou pela mesma vicissitude que se tornou o status quo da crise financeira no País, a obtenção de divisas. O director-geral da instituição, António Geirinhas, explica que, uma vez que a oferta nacional é muito reduzida, as empresas do ramo necessitam de importar parte significativa dos seus equipamentos de rede e para o cliente final.

“Este facto, conjugado com a dificuldade de obter divisas, atrasou alguns dos nossos projectos, associados à implementação de Internet de banda larga em algumas províncias”, relata o gestor à Rumo.

Por conseguinte, a dificuldade na obtenção de divisas manifestou-se para a remuneração dos investimentos necessários à manutenção dos níveis de qualidade e sobretudo para o desenvolvimento de novos projectos.

Os percalços não demoveram a empresa de investir 220 milhões Kz na melhoria dos seus serviços, que englobam a oferta de soluções de rede privativa (VPN) para clientes empresariais, serviços complementares às ofertas dos serviços VPN FR e VPN.IP à rede de fibra óptica, para citar alguns.
E não só, a adesão às tecnologias LTE e WIMAX provou-se satisfatória, pois estas redes e plataformas de serviço permitiram que a Internet de banda larga e os serviços de dados chegassem mais rapidamente a outras províncias. Em específico, as tecnologias com serviços de banda larga, no caso da Multitel, chegaram até Malanje, Huambo, Benguela e Lobito, para além de uma maior cobertura em Luanda.

Contudo, o maior problema a resolver é o transporte do tráfego de Luanda para as outras regiões do País. “A rede de fibra óptica ainda sofre cortes frequentes que reduzem o nível de qualidade dos serviços distribuídos”, realça António Geirinhas.

Entretanto, a presença em partes do País resulta do conceito da empresa “em estarmos lá quando é preciso”, catapultado com a abertura da primeira filial fora da capital em 2012. A escolhida foi Benguela. A província foi o ponto de partida para expansão da marca Multitel, no sentido de terminar a carência de telecomunicações com qualidade que ainda é uma realidade em algumas das províncias.

“A nossa ida para Benguela permitiu termos uma maior presença e proximidade sobretudo com os mercados de Huambo, Huíla e Namibe.”

De acordo com o gestor, o sector de telecomunicações no País apresentou uma evolução desde 2010. O aumento da concorrência na área pressionou para que a qualidade e a eficiência nos produtos fosse mais acirrada, o que influenciou no seu preço, consequentemente.

Esse upgrade reflecte-se também no consumidor angolano, “é muitomais exigente e conhecedor dos produtos e serviços que compra”.
E para um consumidor que sabe o quer, considera António Geirinhas, a qualidade reconhecida para um determinado operador é ainda hoje uma chave grande de diferenciação. Num mercado em que os níveis de qualidade não são equivalentes em todos os operadores, o gestor afirma que “o cliente passou a premiar aqueles que os cumprem”.

Tecnologia para diversidade económica

Para responder à desvalorização do petróleo, o País tem-se direccionado a um novo ciclo económico focando-se em outros sectores, como resposta. E a tecnologia é uma hipótese a ser considerada.

“Tecnologia e inovação serão sem dúvida um cluster de desenvolvimento muito interessante para o País”, afirma o gestor, sublinhando que ainda se está no início de percurso, que se pode consolidar com apoio consistente e sinergia entre escolas e empresas.

Se Angola pode chegar a ser referência em telecomunicações no continente africano, acredita que o País detém condições para alcançar reconhecimento continental. E, a título de exemplo, os novos licenciamentos para os operadores globais, o surgimento do Angosat (satélite angolano) e as ligações por cabo submarino ao Brasil e posteriormente aos EUA, para o gestor, já se podem considerar sinais de referência para o continente.

Responsabilidade social

Nos últimos anos, a Multitel tem vindo a colaborar de forma recorrente com a Associação dos Meninos Pintores e a Associação Dom Bosco.
No primeiro caso, ajudando os meninos protegidos através da aquisição de obras de arte (por eles produzidas), organizando nos seus eventos exposições conjuntas para que o trabalho dos Meninos Pintores seja divulgado e comprado. No segundo caso, com apoio directo à aquisição de livros de ensino.

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