Mercado

Fábricas de móveis podem substituir importações

31/07/2015 - 09:58, Business, Consumo

A retracção financeira adia a implementação das unidades fabris de mobiliário nas superfícies comerciais como Laskasas, Multi-Designer e Antarte, tendo afectado também o sector, com baixas nas vendas do primeiro semestre de 2015.

Por Agostinho Rodrigues | Fotografia Carlos Muyenga

A importação lidera o mercado, mas o futuro do mobiliário assenta na instalação de fábricas no País. Este é o entendimento dos principais players do mercado mobiliário, que o jornal Mercado abordou, esta semana, durante uma ronda de reportagens aos principais espaços comerciais de móveis de Luanda.
A retracção derivada do baixo preço do petróleo no mercado internacional é um dos imperativos que forçaram um recuo estratégico no investimento em unidades fabris, revela em exclusivo Virendra Carsandás, CEO do grupo que detém o espaço mobiliário Laskasas.
Para o director financeiro da especializada em home and office Multi-Designer, Celso Andrade, um investimento de pelo menos 6 milhões USD seria suficiente para a criação de fábricas especializadas em móveis de qualidade para o lar ou escritório.
Virendra Carsandás afirma que a Laskasas perspectiva afastar a importação com a instalação de uma fábrica de móveis no País. A execução do projecto estava agendada, mas a retracção da economia forçou o recuo do investimento.
O gestor não tem dúvidas no sucesso do investimento a implementar nos próximos tempos com a retoma da economia, pois, tal como garante, o País reúne condições necessárias para o investimento no sector mobiliário. “Angola é um grande país, tem potencial para instalação de fábricas de móveis, tem muito boa madeira. Quando for instalada, no futuro vamos também exportar. Isso implica um jogo de cintura, o investimento e a formação dos técnicos”, disse.
Embora grande parte dos entrevistados tenha artigos em armazém, a escassez de divisas tem gerado dificuldades, ou seja, as vendas do primeiro semestre de 2015, na sua generalidade, foram afectadas pela limitação de importação, face à gritante falta de dólares no mercado.
Esta situação contribui negativamente nas vendas e, sobretudo, no poder de compra dos clientes. Assim o entendem os responsáveis das quatro lojas, que, no entanto, perspectivam dias melhores com a retoma da economia em 2016.
As quatro casas por onde a ronda do jornal Mercado passou agregam cerca de 300 postos de trabalho directos.

Casacon lidera a oferta de artigos
Uma das pioneiras no mercado, fundada em 2003, a Casacon partilha o mundo mobiliário com um conjunto de três lojas, em Talatona, Viana (Luanda) e Catumbela, província de Benguela, para além de uma loja virtual que faz entregas a todo o território angolano. Detém no conjunto um total de 6500 m² de espaços de venda e mais de nove mil variedades de artigos. De acordo com a direcção comercial, a Casacon terá vendido mais de 20 mil itens nos 12 anos de actividade.
A Casacon actua em três segmentos principais: electrónicos, mobiliários, decoração e material de construção. Tem em Talatona 3500 m²; em Viana, 1500 m², e em Benguela, 2 mil m² de área de vendas. Está a expandir este mês a área de exposição de mobiliário em Talatona, que passará a ter 1000 m². O que a torna líder em oferta e variedade de artigos para o lar.
A Antarte tem como “testa-de-ferro” a empresa Lusear Lda. Ela entrou de forma consistente no mercado angolano em 2012, com investimento próprio, superior a 551 milhões Kz (4 milhões EUR).
Partilha o mercado com quatro lojas especializadas em mobiliário e decoração, com taxa de transporte gratuita para encomendas acima dos 100 mil Kz. “Os outros destinos são devidamente orçamentados, com o prazo de entrega a depender do local de destino”, diz Zita Rocha, responsável comercial e de marketing.
Ela garante também atendimento e aconselhamento personalizado e serviço pós-venda, disponibilizando ainda serviço de decoração de interiores, no sentido de conceber ambientes adequados às preferências e disponibilidades de cada cliente.
Os projectos são posteriormente apresentados em 3D e incluem, para além do mobiliário, a conjugação dos mais variados complementos, como tapetes, cortinados, papel de parede ou iluminação, e sugestão das cores ideais para cada ambiente de casa. “Estamos vocacionados para um tipo de clientela da classe média-alta, que dá importância à qualidade e ao design do mobiliário”, adianta.
A empresa Multi-Designer investiu cerca de 2 milhões USD na abertura de uma loja de mais de 4 mil m² na capital angolana. No universo de clientes, de classe média-alta, a empresa optou por duas modalidades de pagamento, nomeadamente, a consignação e o pronto pagamento. A modalidade visa, entre vários desafios, contemplar os moradores das novas centralidades do País, na sua maioria jovens. Tem também como pontenciais clientes os governos provinciais do Namibe e do Cuando Cubango, de onde apetrechou instituições de ensino com mais de 6 mil carteiras, 4 mil quadros e mais de 150 residências com móveis.

China e Portugal dominam as preferências
O mercado nacional absorve mobílias originárias de China, Portugal, Brasil e Índia. Nesta ordem, espaços como MDC, Antarte e Casacon abastecem com maior visibilidade o mercado no segmento home and office.
A Antarte, por exemplo, trabalha em parceria com mais de 50 fornecedores de mobiliário, desde o Brasil a Portugal, China e Índia. “Apesar da concorrência actual no mercado, ainda assim conseguimos manter a rentabilidade apostando na mão-de-obra nacional, na redução dos custos fixos e na busca cada vez maior por produtos melhores.”
A Antarte dispõe de fábrica própria no Norte de Portugal, onde tem também uma rede de 13 lojas que cobrem todo o território.
Tem equipa de design e pontualmente convida arquitectos a desenhar algumas peças. A Antarte dispõe de um portefólio com mais de 1500 produtos que podem ser personalizados segundo os gostos de cada um. Para além da elegância e do conforto, os produtos são reconhecidos pela qualidade e resistência, resultantes da utilização de nobres matérias-primas. Dispõe também de armazém com uma vasta gama de produtos em stock.
Por outro lado, a Multi-Designer acompanha desde o ano de 2003 a evolução do mercado de móveis no País. Segundo Celso Andrade, a empresa prima pelas melhores peças da China, cuja excelência assenta na exclusividade com fábricas naquele país asiático. “Depois de avaliada a qualidade do produto, o material utilizado, hoje, a aceitação de clientes é nota dez”, afirma Celso Andrade.

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