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Fazendas interiores podem custar 30 milhões USD

27/12/2016 - 12:12, Business

“Indoor farming’’, a nova aposta, permitirá alavancar o crescimento do cultivo de hortícolas no País a curto prazo.

Por Líria Jerusa

liria.jerusa@mediarumo.co.ao 

A empresa holandesa Here, There & Everywhere pretende desenvolver no País um novo conceito para agricultura denominado “Indoor Vertical Farming” ou fazendas interiores.

Para a consolidação do projecto no País serão necessários pelo menos 30 milhões USD, que permitirão a cada pessoa beneficiar de até 200 g de hortícolas por semana, nas 18 províncias do País.

A informação foi prestada ao Mercado,durante um evento realizado pela embaixada dos Países Baixos em Angola, pelo director da empresa que fez a apresentação pública do projecto. Gertjan Meeuws, seu mentor, precisou que o projecto, que engloba tecnólogia de ponta, tem como objectivo apoiar o desenvolvimento da plantação de vegetais e hortícolas no País a curto prazo, permitindo às populações alimentar-se de forma mais nutritiva e saudável.

“Essa nova forma de cultivo é baseada não só no crescimento da produção, mas também na nutrição. Ou seja, na qualidade do produto”, refere.

Adianta que o novo conceito de agricultura está igualmente assente na necessidade do desenvolvimento das hortícolas em ambientes fechados e favoráveis para os vegetais.

Assim sendo, explica que as plantas se desenvolverão dentro das fazendas interiores à base da iluminação LED, com o fornecimento apenas de comprimentos de onda, que são úteis para o crescimento das plantas, garantindo a redução do desperdício de água, terra e pesticidas”, esclarece.

“Queremos reduzir todo o custo desnecessário, com o desenvolvimento do clima e as condições para a produção agrícola. Com isto será possível focarmo-nos na qualidade, na nutrição e também no sabor”, garante a fonte.

Conceito completo e inovador

Gertjan Meeuws garante, por outro lado, que o conceito apresentado no País é completo e engloba o controlo da temperatura e humidade, à medida que a planta ou a semente vai crescendo e se vai ajustando à temperatura da luz corrente.

O valor permitirá também que a empresa disponibilize toda a tecnologia necessária para abastecer o mercado, segundo Gertjan Meuuws, que explica ainda que a aposta no projecto tende a contribuir para o crescimento económico do País.

“A tecnologia é cara, mas tem um retorno de investimento muito rápido e seguro. Temos interesse em fornecer a Angola todo o material necessário para melhorar o crescimento da agricultura e o desenvolvimento económico do País”, disse.

Gertjan Meeuws acredita também que, diferente dos outros países, Angola tem mais facilidade para aplicação deste tipo de fazendas devido à proximidade habitacional que existem nas localidades.

“A forma como os angolanos vivem facilita o processo, visto que o País tem 24 milhões de habitantes e um terço da população (cerca de 7 milhões) está concentrado em Luanda e as pessoas vivem muito próximas umas das outras. Este tipo de vivência é que faz com que seja fácil aplicar a tecnologia na capital do País”, sublinhou.

Esclareceu ainda que este tipo de fazendas já existe nos EUA e na Europa, mas que só agora será implementado em mercados africanos, nomeadamente África do Sul e Nigéria.

Apesar da aposta nas fazendas interiores (Indoor), que acredita ser o futuro da agricultura, Gertjan Meeuws releva a importância de se prestar a atenção na agricultura tradicional, como meio de subsistência e também de desenvolvimento das sociedades.

“Não digo que se deve parar de fazer a agricultura tradicional, mas aconselho a fazermos fortes investimentos em novas tecnologias para melhorar o desempenho das fazendas”, salienta.

O director acredita que este tipo de investimento é muito positivo e produtivo para o País e que a aposta pode providenciar desenvolvimento para agricultura, tendo em conta a situação actual e conjuntural que o mesmo se encontra.

Em relação a prováveis parceiros, Gertjan Meeuws frisa que existem fazendeiros interessados em trabalhar no projecto a fim de melhorar o seu negócio, sendo que a empresa disponibiliza toda a tecnologia necessária.

Esclarece igualmente que numa primeira fase a empresa não prevê apoiar os agricultores que se encontrem na fase inicial, ou que estejam a começar.
“Queremos melhorar os negócios de quem já de facto trabalha e para queles que estejam a começar do zero”, remata o responsável da empresa.

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