Mercado

Grandes títulos mudam de mãos e procuram novas fontes de receita

10/09/2015 - 15:30, Business, Tecnologia

Nos últimos anos, The Washington Post, The Financial Times e The Economist mudaram de mãos. Resiste o The New York Times, cobiçado por Michael Bloomberg.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

Sam Dolnick, Arthur Gregg Sulzberger e David Perpich são os herdeiros de Adolph Simon Ochs, o fundador do New York Times. Um entre eles ou os três têm a responsabilidade de manter o título nas mãos da família, o que acontece há mais de um século. Ou então podem ceder e permitir que o título mude de mãos. Interessados não faltam, e Michael Bloomberg é o mais interessado entre todos, ainda mais agora que perdeu o Financial Times para os japoneses da Nikkei.
Antes disso, há ainda uma outra questão: como mudar o negócio para alavancar novas fontes de receita?
Aumentar as audiências nas plataformas digitais continua a ser um dos maiores desafios dos jornais. Em 2014, os principais beneficiados pelo investimento publicitário digital foram as empresas de tecnologia que detêm redes sociais – a Google fica com a maior parte, 38%, o que equivale a 19,3 mil milhões USD, e o Facebook fica com quase 10%.
Em 2014, os jornais tiveram cerca de 179 mil milhões USD em receitas de circulação e publicidade – 92 mil milhões corresponderam à circulação impressa e digital, e 87 mil milhões às receitas em publicidade, isto segundo dados da Associação Mundial de Jornais e Proprietários (WAN-IFRA, no acrónimo inglês). Uma mudança que, dizem os especialistas, alterou o paradigma de modelo business to business (empresas/anunciantes) para um modelo business to consumer (empresas/público). Não é uma mudança irrelevante, e os jornais apostam nas subscrições, quer no papel quer no digital.
Larry Kilman, o secretário-geral da WAN-IFRA, afirmou recentemente que “os jornais estão a descobrir novos mercados e novos modelos de negócio que são tão relevantes para a produção de notícias como as receitas provenientes da publicidade e da circulação”. E prossegue: “O desafio para a indústria é medir o alcance dos conteúdos em todas as plataformas e de uma forma completamente nova.”
Seguem-se os factos ou os números: cerca de 2,7 mil milhões de pessoas em todo o mundo lêem jornais impressos, e mais de 770 milhões já o fazem em plataformas digitais. Há países em que o número de adultos que lêem jornais, quer impressos quer em formatos digitais, não pára de crescer. Dois exemplos: Reino Unido, 83%, no Chile, 82%. A circulação impressa, em termos globais, aumentou cerca de 6,4%, com forte incidência na Índia.
Na Ásia aumentou 9,8%, no Médio Oriente e em África, 1,2%, e na América Latina, 0,6%. Diminuiu 1,3% na América do Norte, 4,5% na Europa e 5,3% na Austrália.
A circulação digital paga aumentou 56% no decorrer do ano de 2014 e subiu mais de 1420% nos últimos cinco anos. Numa pesquisa realizada pela Reuters em dez países, chegou-se à conclusão de que uma em cada dez pessoas paga para ter jornais online.
Geralmente, os consumidores passam uma média de quase 2,2 horas por dia com o telemóvel, o que perfaz 97 minutos por dia, e mais uns 37 minutos nos tablets, o que dá cerca de 37% do tempo utilizado em meios de comunicação. Daí a definição de “um alvo móvel” que deve ser atingido pelas redacções. No Financial Times, mais de 60% da circulação já passa pelo uso de smartphones e tablets.
No entanto, 93% das receitas dos jornais ainda se concentram nas edições em papel. E é no papel que nos vamos concentrar a partir daqui, especialmente nos grandes títulos que se têm tornado bons negócios… ou não.
Em 1981, o australiano entretanto naturalizado norte-americano Rupert Murdoch comprou a Lord Thomson of Fleet o The Times e o Sunday Times (a edição de fim-de-semana para os muitos ricos), depois de um encontro secreto com Margaret Thatcher, então primeira-ministra britânica – o encontro foi revelado mas o valor do negócio ficou em segredo. Também o histórico Washington Post, da não menos histórica família Grahman, íntimos dos Kennedys, é comprado, em Agosto de 2013, pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, por 250 milhões USD. Já este ano, em 23 de Julho, os japoneses da Nikkei ultrapassam na linha de chegada os alemães da Axel Springel e compram à Pearson, por 1,3 mil milhões USD, o jornal salmão fundado em 1888, o Financial Times. De fora ficaram os 50% da revista The Economist, que a família Agnelli adquiriu, pouco tempo depois, por cerca de 750 milhões USD. A mesma Pearson que, em 2007, vendeu a Bernard Arnault, magnata da LVHM, Les Echos, o jornal fundado por Robert e Émile Servan-Schreiber, no início do século passado. Entretanto, a lendária Life deixou de ser publicada em 2000. A Newsweek, que em 1961 passa para a família Grahman, tendo feito, em 1963, a primeira capa com um negro desconhecido, em 2013 anunciou uma vida só digital, mas em 2014 voltou ao papel. Mantém-se com alguma dinâmica a Time, semanalmente nas bancas desde 1923, gerida pela Time Inc. Outros exemplos de títulos que mudaram de mãos, no caso para os trabalhadores, são os casos do Le Monde, (40% estão nas mãos dos jornalistas), e o Der Spiegel (onde os funcionários detêm 50,5% da publicação semanal). Temos ainda o The Guardian, considerado por muitos o melhor jornal do mundo, gerido pela Scott Trust Foundation.

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1 Comentário

  1. Misty 25/04/2016 - 16:44

    This weistbe makes things hella easy.

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