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Guiana multiplica por 12 a sua produção económica

31/07/2015 - 10:36, Business, Energia

A Exxon Mobil descobriu petróleo no oceano Atlântico, ao largo da Guiana, o que pode tirar o país da lista dos mais pobres do hemisfério norte.

Um dos países mais pobres do hemisfério norte está em vias de sofrer uma transformação substantiva em termos económicos. O poço Liza-1, que provavelmente guarda o equivalente a 700 milhões de barris, pode começar a produzir petróleo até ao final da década, anunciou Raphael Trotman, ministro do Governo do país sul-americano. Esta descoberta de petróleo e gás natural, em termos práticos, traduz-se num crescimento exponencial da economia do país em 12 vezes mais, face aos valores actuais de produção.
A confirmarem-se estas perspectivas – elas equivalem a outra descoberta, também muito recente da Exxon Mobil na formação de Hadrian, no golfo do México –, o valor em causa é em cerca de 40 mil milhões USD aos preços actuais do petróleo.
A Guiana não produz petróleo, e o seu produto interno bruto de 3,23 mil milhões USD em 2014, segundo dados do Banco Mundial, ficou classificado entre o do Burundi e o da Suazilândia.
A Exxon Mobil, que tem um valor de mercado de 341 mil milhões USD – superior ao PIB da Guiana –, ao contrário do ministro guianense, preferiu não fornecer uma estimativa para o Liza-1, ainda que em comunicado se tenha referido a esta descoberta como “significativa”.
“Uma descoberta dessa magnitude para um país como o nosso, que se encontra na camada mais baixa da escala de países deste hemisfério, pode ser transformadora”, reconheceu Trotman. “Pelo que eu sei, de conversas com especialistas de fora da Exxon, esse campo deve ultrapassar os 700 milhões de barris”, reforçou o membro do Governo da Guiana.
A Exxon, que começou a perfurar o poço em Março, disse que descobriu uma coluna de rocha de 90 metros cheia de petróleo e gás numa região submarina conhecida como bloco Stabroek. O poço está a 193 quilómetros da costa e cerca de 1740 metros sob a superfície do mar.

Renascimento da Exxon
A descoberta é “transformadora” para o país e absolutamente crucial para a Exxon Mobil, porque pode ser o prenúncio do renascimento da empresa com sede em Irving, Texas, EUA, atormentada por três anos consecutivos de queda na produção e pela desaceleração do crescimento das suas reservas. A taxa de fracasso na exploração da Exxon situou-se nos 39% no ano passado, contra 33% em 2013, segundo um documento de Fevereiro da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
“Estamos encorajados pelos resultados desse primeiro exercício de perfuração”, disse a porta-voz da Exxon, Lauren Kerr, numa entrevista em que acrescentou: “Continuamos a avaliar o potencial adicional do bloco.” Kerr preferiu não comentar a estimativa de 700 milhões de barris de Trotman.
Quando anunciar os resultados financeiros do segundo trimestre, o que deve acontecer por estes dias, a Exxon confirmará os seus lucros mais baixos desde 2009, segundo uma média de onze especialistas consultados pela Bloomberg.
A descoberta da Guiana será equivalente ao tamanho somado de um conjunto de três reservatórios que a Exxon descobriu no golfo do México entre 2009 e 2011.

AMS/Bloomberg

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