Mercado

As ideias fora da caixa das startups angolanas

20/11/2017 - 14:04, Business

O País marcou presença com quatro expositores, mas voaram muitos mais investidores, curiosos e ‘nerds’ directamente de Luanda para Lisboa.

Por Nilza Rodrigues
n i l z a . r o d r i g u e s @ m e d i a r u m o . c o . a o

Houve um momento particular durante os quatro azafamados dias da Web Summit em que se sentiu que o continente africano não era, de facto, um outsider. E foi Paddy Cosgrave que o destacou, no seu discurso final de balanço da cimeira. “A África de Sul foi a presença africana mais marcante no evento, mas houve delegações interessantes de Angola e Moçambique.”

E houve mesmo. Junto dos ‘gigantes’ da tecnologia e de congéneres em início de actividade, Angola posicionou-se, uma vez mais, pela sua criatividade, pela sua perseverança e open mind. Ao todo, foram quatro as participações com expositores, muito embora a lista de investidores e curiosos nacionais tenha elevado o número para muitos mais – não há número certo – que ali fizeram o seu networking enquanto observadores na área da tecnologia.

APPY Saúde, Welcome to Angola, E Caderneta e Tupuca mostraram as suas aplicações (ver caixas ao lado) e interagiram com os 81 mil visitantes que por ali passaram. “A Web Summit é, sem dúvida, um evento bastante interessante, importante, e no qual a Appy Saúde tem todo o interesse em continuar a participar.

É o melhor local para experienciar a evolução da tecnologia em geral e da tecnologia na área da saúde em especifico para nós. É uma plataforma que serve também para potenciar negócio, com parcerias e investimento. Foi, sem dúvida, uma participação proveitosa.” Clara Vieira, marketeer da APPY Saúde, partilha a sua visão, entre uma e outra reunião dentro do recinto da FIL, palco de mais uma edição da Web Summit.
Para Erikson e Wilson, da Tupuca, o facto de estarem presentes em eventos desta natureza permite-lhes ganhar know-howe sair do registo de ‘pensar pequeno’. Não sendo a primeira vez que marcam presença na Web Summit, crêem que “neste tipo de eventos se faz muitos contactos e se pode trocar experiências com outras realidades. E levar para Angola o melhor dos mundos”. Paulo Costa, da Welcome to Angola assegura que o investimento vale a pena pela visibilidade, pela abertura a outros  mundos,  pelos  contactos. “Acompanhar ao vivo a organização de um evento como a Web Summit que envolve 80.000 pessoas só por si já é uma experiência de aprendizagem.

Vamos tentar tirar daqui ensinamentos para que em Angola possamos fazer algo inspirado neste modelo, uma vez que pretendemos voltar à edição em 2018 do “Angola Business Week” que fizemos em 2015.

Paulo acrescenta que “para além disso permitiu um ‘networking’ junto dos empreendedores, que mostra para onde o mundo vai caminhar muito rápidamente e quem não estiver atento a estes fenómenos de evolução do digital vai estar “out”. Este evento vem provar que em 2012 quando lançámos o www.

Welcometoangola.co.ao e pouco ou nada havia de informação sobre o país, estávamos no caminho certo da globalização e do digital.Aproveitámos este evento para lançar testar a nova versão (Beta) do Welcome to que em 2018 irá para o “ar”, remata.

Já Nilton Viana, o precursor do primeiro telemóvel made in Angola, adverte que “ainda não se pensa em tecnologia para África. Só se pensa em termos de tecnologias para mercados muito maduros. Talvez daqui a 20 anos o foco seja África, o continente do futuro”.

No final, e de regresso a Angola, a certeza de que as palavras de Paddy acertaram em cheio: “Vão todos conhecer pessoas incríveis. Sentados à vossa volta estão brilhantes empreendedores de todo o mundo.”

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