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Madeira do Norte quer reforçar em produtos para sector imobiliário

30/10/2017 - 10:22, Business

Empresa do Uíge avalia investimentos para alargar oferta. Burocracia continua a afectar exportações de produtos de madeira.

Por Estêvão Martins

A Madeira do Norte, empresa que se dedica à exploração florestal e transformação primária de madeira, pretende, a partir do próximo ano, investir em actividades ligadas às segunda e terceira “transformações” do produto para o sector da construção imobiliária, avança o director -geral, Mário Sá.

Em exclusivo ao Mercado, o responsável adianta que a fábrica, com capacidade para exploração de 80 metros cúbicos de madeira em toro, por turno de oito horas, já colocou em marcha o projecto, faltando agora priorizar investimentos.

Para além de produzir tábuas, pranchas, vigas e barrotes, a empresa pretende fabricar painéis de MDF e OSB, painéis sandwich, folhas de madeira, mobiliário maciço e chão flutuante, entre outros produtos usados na construção imobiliária.

Mário Sá nota que, na indústria da madeira, os valores dos investimentos são “bastante variáveis”, dependendo do ramo de actividade. Por exemplo, para montar uma fábrica que tenha uma “produção razoável de diferentes tipos de painéis” para uma indústria, o investimento mínimo seria de 12 milhões EUR.

De acordo com o gestor da empresa, cuja unidade fabril se localiza na Aldeia Viçosa, no município do Quitexe, província do Uíge, o sector engloba ainda “outras pequenas indústrias”, como aquelas que se dedicam à produção de laminados de madeira, usados para acabamentos em portas de cozinha, cuja construção ronda 1 milhão EUR.

A Madeira do Norte, afirma, tem actualmente projectos para estes sectores, mas, antes de avançar, será “necessário, internamente, realizar uma avaliação minuciosa para se saber qual deles é o mais viável para a empresa, em função também da situação económica do País Entretanto, adianta Mário Sá, a empresa pretende igualmente ser uma fonte de matéria-prima para outras indústrias transformadoras que não detenham licença de exploração, por exemplo.

Por isso, revela, a companhia tenciona “apostar cada vez mais no aumento da exploração florestal, designadamente na busca de novas concessões e zonas de abate”, não apenas no Uíge, mas também no Cuanza Norte.

 Exportação e burocracia Constituída

Em 2006, a empresa deu, em 2014, início ao processo de exportação de madeira. Na altura, enviou apenas cinco contentores para Beirute (Líbano), para testar a aceitação à qualidade do produto e também para averiguar como funcionava o processo de exportação no País.
Hoje, o produto é comprado, segundo o director-geral, por um leque alargado de países, nomeadamente a Síria, Dinamarca, Portugal, Espanha, Bélgica, Grécia, África do Sul, Quénia, Marrocos e China.
Mas o aumento da produção para fazer face à crescente procura do produto no estrangeiro foi “travado” pelo “excesso de burocracia no processo de exportação”. Os documentos, afirma, “tinham de passar por muitos ministérios e instituições públicas”.

“Quando houve a necessidade de exportação de madeira, ninguém sabia os trâmites. Nem os empresários, nem os despachantes e muito menos a polícia fiscal. Inclusive, o Ministério do Comércio não tinha uma visão ampla do processo”, recorda o gestor.

Mário Sá lembra que foi necessário “rever todas as leis publicadas nos anos 70 e 80, para perceber os caminhos necessários para o processo de exportação”.
A título de exemplo, afirma que a autorização de exportação para o Líbano levou cinco meses. Hoje, o processo “já se faz em menos tempo, mas ainda assim uma aberração, comparando com outros países africanos”.
Temos uma boa capacidade de produção, mas não estamos optimizados no processo de exportação, o que tem reduzido a quantidade mensal de contentores para envio. Podemos ‘aprontar’ 20 para diferentes destinos e enviar apenas três”, lamenta. O responsável apela a que se torne o processo mais simples e célere. Da mesma forma que há o Guiché Único de Empresa, que permite criar uma empresa num mesmo dia, deve ser retomada a hipótese da instituição do Guiché Único de Exportação, diz.

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