Mercado

Maior supermercado online do mundo põe à venda a sua tecnologia

01/10/2015 - 11:25, Business, Consumo

A Ocado é um caso de sucesso no Reino Unido. Mas a concorrência impera. Nos dias que correm, todos os supermercados fazem entrega ao domicílio. O CEO quer/tem de agir.

Por Nilza Rodrigues | Fotografia Bloomberg

A Ocado fez história quando abriu. Há 15 anos. O primeiro supermercado a vender só via Internet, sem custos inerentes a uma estrutura aberta ao grande público, foi inovador e permitiu ao consumidor uma dupla vantagem: evitar as filas de trânsito e o stress dos corredores das grandes superfícies. Uma tecnologia de ponta, um savoir-faire de excelência e pessoal especializado no atendimento ao telefone e nas respostas via e-mail foram os ingredientes base para que a Ocado se expandisse pelas ruas do Reino Unido. Hoje, a empresa sente o peso da concorrência. As grandes superfícies apostaram no serviço de entrega ao domicílio, dando inclusive a possibilidade de o consumidor seleccionar entre uma gama variada de produtos.
Charles Allen, analista da Bloomberg Intelligence, é peremptório. “Seacha que a Ocado é simplesmente uma mercearia do Reino Unido, essa avaliação é absurda. Mas se, por outro lado, acha que ela tem uma certa tecnologia para vender, então o panorama é muito mais promissor.”
A sofisticação da operação tem levando muitos investidores a apostarem que o produto mais importante para a Ocado – o maior supermercado online do mundo – talvez não sejam os alimentos, mas a tecnologia. Com acções a operar a cerca de 140 vezes os lucros estimados, há muito em jogo.

A pressão da concorrência
O CEO da empresa, Tim Steiner, apresenta como solução a venda da sua tecnologia, tirando partido do facto de serem a instituição com mais experiência na venda ao domicílio. Segundo o próprio, a única forma de o fazer é incrementar os retornos licenciando a tecnologia da Ocado a uma grande superfície internacional. Diante da especulação de que a Amazon.com está a preparar uma estação de entregas perto de Londres, a pressão tem vindo a aumentar.
Assim, Steiner, ex-banqueiro do Goldman Sachs, diz que quer fornecer aos supermercados a tecnologia informática e o equipamento de depósito de que elas precisam para administrar um serviço online de qualquer porte. O sistema da Ocado oferece “mais eficiência operacional do que qualquer outro lançado internacionalmente”, refere e acrescenta que a empresa está em estágios avançados de negociação com diversos parceiros potenciais e visa assinar um contrato internacional até Dezembro.
Muitos dos maiores parceiros potenciais já têm serviços online, frequentemente supridos com itens directamente das suas próprias lojas. Dos 24 supermercados internacionais que geraram pelo menos 31,6 mil milhões USD em vendas no ano passado, todos menos um vendem alimentos pela Internet. De acordo com dados da Markit, os traders pediram emprestado e venderam 9 % das acções da companhia nas chamadas vendas a descoberto (short sales), uma aposta em que eles poderão comprar a acção de volta a um preço mais baixo.  Richard Hyman, especialista no sector, remata:  “É urgente para o futuro da Ocado gerar receitas”.

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