Mercado

Mercado congolês conquista interesse de empresários angolanos

03/11/2017 - 12:37, Business

Apesar de a moeda oficial ser o franco congolês, a actividade comercial é altamente ‘dolarizada’, atraindo empresas angolanas, por via do comércio informal.

A República Democrática do Congo (RDC) é o terceiro destino das exportações angolanas a nível do continente. Segundo o Relatório do Comércio Externo referente ao segundo trimestre, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o País arrecadou deste mercado, nesse período, cerca de 4,4 mil milhões Kz. Angola tem forte interesse em aumentar a relação comercial “formal” com a RDC, pelo que o Ministério do Comércio encomendou um estudo sobre as oportunidades para empresas nacionais naquele mercado.

No documento, realizado pela Mercedes Blázquez para a Assistência Técnica de Apoio Institucional ao Ministério de Comércio (ACOM), as oportunidades para as empresas nacionais revelam-se na dimensão que o mercado congolês representa, com os seus 87 milhões de habitantes/ /consumidores, uma economia excessivamente dependente de importações e a dar passos tímidos para relançar a produção própria.

Segundo o documento, a RDC é a 87.ª economia do mundo e, apesar de a sua moeda oficial ser o franco congolês, a actividade comercial ainda é altamente ‘dolarizada’, facto que atrai inúmeros agentes económicos, principalmente angolanos, atraídos pelo comércio informal com o país.

Em 2015, a RDC foi o 122.º maior importador a nível mundial, com gastos na ordem dos 5,6 mil milhões USD. As importações são lideradas por medicamentos (4,03% do total) e petróleo refinado (3,68%). Angola não consta, ainda, da lista dos principais fornecedores do país.

De acordo com o estudo, a que o Mercado teve acesso, os dois países mantêm barreiras tarifárias significativas. No entanto, o comércio transfronteiriço esta a crescer fortemente. Entre os riscos estão a falta e acesso a informação estatística fiável, a dificuldade na cooperação com o sector público através das instituições locais e a falta importadores terrestres no sector privado.

Angola e RDC fazem ambos parte da SADC, mas não integram a união aduaneira. Partilham uma fronteira total (terra e mar) de mais de 2500 quilómetros de extensão, do oceano Atlântico, na antiga província do Baixo Congo, até Katanga, passando pelas províncias de Bandundu e Kasai Ocidental.

Principais mercados de fronteira

Com aproximadamente 245 pontos transfronteiriços, a RDC tem dificuldades na sua fiscalização. Os mais relevantes com Angola são Lufu e Ango. Informal no seu arranque, o mercado de Lufu foi formalizado em 2003, através de um protocolo. Entretanto, atingiu tal dimensão, que, hoje, os produtos angolanos abastecem o corredor da estrada Matadi-Kinsasha até chegar à capital de 12 milhões de pessoas. Elas consomem os mais diversos produtos nacionais, como alimentos básicos naturais (peixe, carne, arroz, farinha, óleo de palma), alimentos processados (leite, bolachas, massa, conservas de carne e peixe), bebidas, materiais de construção (cimento, barras de ferro), materiais de limpeza (detergente, sabão em pó, papel higiénico, fraldas de bebé), utilidades domésticas em plástico (baldes, cadeiras), pequenos electrodomésticos.

Mas “a origem destes produtos nem sempre é angolana: arroz da Tailândia, óleo de palma da Malásia, fraldas da China, açúcar refinado do Brasil, Malásia”, refere o documento.

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