Mercado

Mota-Engil acredita em “excelente desempenho” em 2017 em Angola

08/05/2017 - 11:30, Business

Negócios em carteira permitem à construtora olhar para o País com optimismo, neste ano. Volume de negócios global recuou, mas venda de activos permitiu aumento do lucro.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao 

A Mota-Engil sofreu uma queda do seu volume de negócios de cerca de 127 milhões EUR, para 708 milhões, em África, sobretudo em Angola e em Moçambique, face à degradação da envolvente macroeconómica nos dois mercados, revela o relatório e contas da construtora relativo a 2016.

A contracção no volume de negócios da empresa em África, nos seus três principais mercados, incluindo o Malawi, varia entre os 17% e os 19%, segundo o documento, que destaca, ainda assim, em relação a Angola, haver “perspectivas animadoras para a manutenção do excelente desempenho verificado em 2016”, devido ao backlog de cerca de 770 milhões EUR.

O relatório da empresa, com 70 anos de actividade em Angola, explica que, nos exercícios findos em 31 de Dezembro de 2016 e 2015, a rubrica ‘Rendimentos de participações de capital – activos financeiros disponíveis para venda’ respeitava, essencialmente, a dividendos recebidos do BAI (756 mil EUR em 2016 e 785 mil EUR em 2015), fruto de uma participação financeira de 3%.

Dívida pública angolana serve de garantia de créditos

O documento refere ainda que, nos exercícios em análise , na sequência de acordos de regularização da dívida, celebrados com o Estado angolano, o grupo recebeu o equivalente a cerca de 57 milhões EUR e 29 milhões EUR, respectivamente, em títulos de dívida pública. Segundo a empresa, estes títulos encontram-se, actualmente, a ser utilizados como garantia de empréstimos bancários obtidos no País.

A quebra dos resultados da empresa nos últimos anos em Angola deve-se à crise económica iniciada em 2014, resultante da queda do preço do barril de petróleo, principal commodityde exportação do País.

De acordo com a companhia, o Programa de Investimentos Públicos (PIP) nacional sofreu forte redução em 2016, ano em que se assistiu a uma contratação crescente de empresas chinesas, uma vez que a China tem sido o grande financiador do investimento em infra–estruturas em Angola.
Por outro lado, acrescenta o documento, a forte inflação e a desvalorização da moeda nacional, no início do ano, criaram instabilidade e risco adicional ao mercado, facto a que as empresas do grupo souberam responder com “medidas de mitigação apropriadas”.

Novas obras em África

Apesar de o contexto macroeconómico referido ter afectado o ritmo normal de execução de algumas obras, “a diversidade dos projectos em curso no País, as medidas de reestruturação implementadas e a dinâmica das diversas empresas do grupo que operam neste mercado permitiram ter mais um ano de excelente desempenho operacional”, diz o relatório.

A Mota-Engil destaca que, apesar da contracção do volume de negócios nos principais mercados africanos, em 2016, o EBITDA subiu para 182 milhões EUR, tendo, consequentemente, a margem de EBITDA melhorado de 21% para 26%, “reflectindo uma rentabilidade resiliente”.

A multinacional destaca, igualmente, a capacidade comercial da equipa regional, que, “alavancando a experiência dos recursos presentes na região e o know-howna cadeia de valor das grandes infra-estruturas, tem vindo a conseguir a adjudicação de novos e grandes projectos”. Tal é, por exemplo, a construção, a operação e a manutenção de um novo aeroporto no Ruanda e de um troço na linha-férrea da Tanzânia.

Volume mantém-se acima dos 2 mil milhões EUR

No global, o volume de negócios da Mota-Engil atingiu 2,2 mil milhões EUR em 2016, uma contracção de cerca de 9%, relativamente a 2015, influenciado negativamente pela área de engenharia e construção na Europa e África e pelo impacto cambial, principalmente na América Latina.

A empresa registou forte aumento dos lucros, de 163,3%, para cerca de 50 milhões EUR, sobretudo devido à venda de activos.

O relatório aponta que o crescimento de cerca de 4% na América Latina e de 60% no negócio Europa – ambiente e serviços, não foi suficiente para anular a redução da actividade verificada em África e na Europa no negócio de engenharia e construção.

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