Mercado

No fim do ano haverá 1 milhão de automóveis eléctricos

03/09/2015 - 18:16, Business, Consumo

Vendas globais continuam a crescer, e Morgan Stanley prevê mesmo uma “nova era para o automóvel” num futuro não muito distante.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

O número de automóveis eléctricos nas estradas mundiais deverá ultrapassar este ano a barreira de um milhão de veículos. As vendas globais atingiram as 910 mil unidades em Junho e, a manter-se a média de 40 mil automóveis vendidos por mês, o milhão deverá ser atingido já em Setembro. Apesar de a quota de mercado dos chamados automóveis “plug-in” estar ainda abaixo de 1%, nos próximos anos dever-se-á assistir ao crescimento sustentado do mercado, com os analistas a apontar 2025 como o ano em que as vendas deverão chegar ao milhão de unidades anuais.
Numa análise divulgada na semana passada, o Morgan Stanley considera que a indústria automóvel como a conhecemos nos últimos 100 anos, “de veículos guiados pelo homem, privados e com motor de combustão interno”, está prestes a sofrer uma transformação, no que classifica como “uma nova era para o automóvel”. E, de acordo com Adam Jonas, líder do Global Auto Research Team do Morgan Stanley, a transformação do mercado será ainda mais radical. O analista antevê, num futuro não muito distante, um novo modelo de negócio para a indústria automóvel, baseado na proliferação de automóveis eléctricos sem condutor que serão partilhados por várias pessoas.
Para o especialista do Morgan Stanley, a Tesla assume-se como a mais que provável dominadora do mercado. “Dado o desenvolvimento tecnológico quer da Tesla quer das empresas rivais, não ficaríamos surpreendidos se a Tesla formalizasse um plano de negócios baseado na mobilidade partilhada nos próximos 12 a 18 meses”, escreve o especialista do Morgan Stanley.
Os automóveis sem condutor estão, para já, em fase de investigação e testes. Na linha da frente está a Google, que leva um bom avanço na competição. Em Junho deste ano, a empresa – agora reorganizada como Alphabet – anunciou que os seus veículos sem condutor já percorreram mais de um milhão de milhas (1,6 milhões de quilómetros), o equivalente à distância percorrida por um condutor médio norte-americano no espaço de 75 anos.
Quem, obviamente, não ficará para trás é a Apple. Segundo documentos a que o jornal britânico Guardian teve acesso, a empresa liderada por Tim Cook encontra-se já a desenvolver o que apelidou de Projecto Titan na GoMentum Station, uma antiga base naval situada em São Francisco que outras empresas de Silicon Valley costumam utilizar precisamente para testar automóveis autónomos.

Estradas eléctricas
Outro avanço tecnológico que tem feito notícia é o plano britânico para estradas capazes de carregar as baterias dos automóveis. Nos próximos 18 meses, o governo de David Cameron vai testar a nova tecnologia, que consiste na instalação de cabos sob a estrada que geram campos electromagnéticos que são transformados em energia eléctrica por um receptor colocado nos carros. O objectivo do projecto, segundo um comunicado do governo britânico, é permitir que os condutores de automóveis eléctricos e híbridos evitem as paragens frequentes para recarregarem os veículos e, também, proteger o meio ambiente.
O futuro está aí, e o automóvel eléctrico veio para ficar. Para já, Europa, Estados Unidos, China e Japão são os grandes dominadores nas vendas do segmento, que inclui também os híbridos. De acordo com a Associação Europeia de Fabricantes Automóveis, as vendas na Europa subiram 53% no segundo trimestre de 2105 em relação ao período homólogo do ano passado, sendo que, se tivermos em conta a comparação semestral, o aumento das vendas no Velho Continente atinge os 78%. Já nos Estados Unidos, as vendas abrandaram um pouco, o que se explica com o lançamento, para breve, de novos modelos. Na calha estão o Tesla Model X e os novos Chevrolet Volt e Nissan LEAF.

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