Mercado

O agro-negócio deve ter como base a ciência e a indústria

26/05/2017 - 09:10, Business

Defendido o aumento do peso da agricultura no OGE, a aposta na investigação científica e a realização do Censo Agrícola.

Por André Samuel

andre.samuel@mediarumo.co.ao

O desenvolvimento da agricultura no País deve ter como suporte a componente industrial, a formação de quadros e a partilha de experiências por parte de quem hoje desenvolve a actividade de forma adequada, defendeu o empresário agrícola e banqueiro Fernando Teles.

Segundo o responsável, que falava numa conferência sobre agro-indústria, à margem da 7.ª edição da FIB, nos últimos dois anos, muito foi feito em termos de agricultura em Angola.

Existem já fazendas de referência que servem de experiência para as outras, e estas devem copiar o que se faz de melhor, defendeu.

“Angola tem condições excepcionais para, em cinco ou sete anos, ser auto-suficiente. Mas, para tal, tem de haver políticas governamentais que apontem nesse sentido”, lembrou.

O banqueiro apontou que grande parte da importação é para alimentos que Angola pode produzir em oito anos. “O grande escoamento de divisas tem sido importar alimentos”, afirmou.

Por sua vez, o engenheiro agrónomo e consultor Fernando Pacheco sublinhou que o País precisa de aumentar o peso do sector agrícola no Orçamento Geral do Estado (OGE) em pelo menos 10 vezes, para que Angola esteja a um nível semelhante ao de outros países africanos.

O responsável lamentou que o nível de conhecimento sobre o sector seja ainda baixo, dado que “não se investe na investigação científica”. Entre 2018 e 2015, “o montante que o OGE atribuiu ao sector da agricultura esteve sempre a descer. Há uma ligeira subida em 2016 e em 2017, mas os quantitativos são extremamente baixos”, afirmou.

“Ainda assim, este investimento não é canalizado para a investigação científica e assistência técnica, porque, se assim fosse, os projectos dos grandes agricultores seriam mais rentáveis”, concluiu.

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