Mercado

Oferta de crude fora da OPEP terá maior queda desde 1992

24/09/2015 - 15:15, Business, Energia

A redução da oferta mostra que a estratégia da Arábia Saudita de defesa da quota de mercado está a resultar.

A oferta de petróleo de fora da OPEP terá a maior queda em mais de duas décadas no próximo ano, porque o colapso do preço limita a produção de xisto nos Estados Unidos, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE). A produção de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo cairá cerca de 500 mil barris por dia, para 57,7 milhões em 2016, informou a agência com sede em Paris no seu relatório mensal.
A procura por combustível este ano será a mais forte desde 2010, mas a alta recorde nos stocks de petróleo dos países desenvolvidos não começará a diminuir antes do segundo semestre do ano que vem. Segundo a AIE, e o ressurgimento das exportações iranianas após a remoção das sanções poderá inflacionar a oferta ainda mais.
A redução da oferta fora da OPEP mostra que a estratégia da Arábia Saudita para defender a quota de mercado do cartel, pressionando os rivais com preços mais baixos, “parece estar a ter o efeito pretendido”, considera a AIE. Os contratos futuros de petróleo Brent, uma referência usada em todo o mundo, caíram para o nível mais baixo em seis anos, aproximando-se dos 42 USD por barril no dia 24 de Agosto. A produção pode não estar a cair com velocidade suficiente para colocar a zero a oferta excedente global, e os preços poderão mesmo cair para apenas 20 USD, segundo o Goldman Sachs.
“O tópico principal deste mês é o aperto na oferta”, escreveu a agência, que faz assessoria a 29 países sobre política energética. “O ambiente de preço mais baixo está a forçar o mercado a comportar-se como deveria, confinando a produção e reavivando a procura.
A produção de xisto dos EUA encolherá quase 400 mil barris /dia em 2016, numa altura em que os contratos futuros para 2016 estão a ser negociados abaixo do preço necessário para que a maioria dos projectos se equilibre, considera a agência. Recentemente, em Julho, a AIE projectara que a oferta de xisto dos EUA se expandiria em 60 mil barris/dia em 2016.
A queda na oferta total de fora da OPEP no próximo ano será a maior desde que houve um declínio de 1 milhão de barris por dia em 1992, após o colapso da União Soviética, diz a AIE.

Retracção do xisto
Como resultado da queda projectada na produção de fora da OPEP, a quantidade de petróleo necessária do cartel no ano que vem aumentará em 1,6 milhões de barris por dia, para 31,3 milhões. Este montante é ainda menor que os 31,57 milhões de barris diários que os 12 membros da organização bombearam em Agosto. A produção caiu 220 mil barris por dia no mês passado por causa da produção mais baixa na Arábia Saudita, no Iraque e em Angola, segundo o relatório. Os projectos de alto custo do cartel estão “em risco” por causa da queda no preço, estima a agência.
A produção dos EUA precisará de cair 585 mil barris por dia em 2016, ea produção de outros países de fora da OPEP precisará de cair 220 mil barris por dia para que a oferta excedente global termine no quarto trimestre de 2016, considera o Goldman Sachs.
A procura global por petróleo subirá 1,7 milhões de barris por dia este ano, para 94,4 milhões. Os baixos preços estão a impulsionar o consumo, antes de o crescimento cair em 2016 para 1,4 milhões de barris por dia. A China, que é a segunda maior consumidora de petróleo do mundo, irá “manter as suas aquisições”, mesmo que os sinais de desaceleração do crescimento e a desvalorização surpresa da moeda do país aumentem os receios acercada sua estabilidade económica, escreveu ainda a AIE.

Bloomberg/Mercado

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