Mercado

OPEP anuncia preço do barril a 80 USD. Mas só em 2020

09/10/2015 - 14:15, Business, Energia

Hedge funds reduziram as suas apostas na queda dos preços do petróleo e adoptaram a postura mais altista em dois meses porque a OPEP quer que o petróleo bruto volte a custar 80 USD. Daqui a cinco anos.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo prevê que os preços do petróleo bruto aumentem para 80 USD por volta de 2020, já que a produção está a cair. Segundo as suas previsões, em 2016, a produção dos EUA poderá sofrer a maior contracção em 27 anos, pois a depressão dos preços está a prolongar a queda na perfuração. Note-se que os especuladores fecharam as posições curtas dois dias antes que a Federal Reserve (Fed) decidisse não aumentar as taxas básicas de juros dos EUA.
“O mercado não tem tanto excesso de oferta quanto achamos”, revela David Pursell, director administrativo do banco de investimento Tudor Pickering, em Houston: “A notícia vinda da OPEP é mais altista, a produção dos EUA está a cair, e a procura é óptima neste momento.”

Queda da produção
A OPEP prevê que os futuros do petróleo bruto irão subir cerca de 5 USD por ano, até 2020. A produção vinda dos países de fora do grupo será de 58,2 milhões de barris por dia em 2017, um milhão a menos do que o previsto anteriormente, segundo relatório interno. O impacto dos preços baixos é “mais visível sobre o petróleo de xisto, cujos preços reagem mais do que outras fontes de líquidos”, segundo o paper.
Desta forma, a produção dos EUA poderá reduzir-se em 400 mil barris por dia no ano que vem, após um período prolongado de preços baixos que obrigou os produtores a interromper o funcionamento de mais de metade das torres de perfuração que buscam petróleo, revela a Agência Internacional de Energia no seu relatório mensal. Esse declínio será o maior em um ano desde 1989, segundo dados do governo dos EUA.
“Há uma mudança muito perceptível na confiança, pois os declínios da produção são bastante altos”, diz Amrita Sen, analista-chefe do mercado de petróleo para a Energy Aspects, em Londres: “Existe uma percepção de que a produção dos EUA está a cair.”
A Fed decidiu não aumentar as taxas de juros pela primeira vez em quase uma década, e Janet Yellen não esconde que o crescimento mais lento na China, o segundo maior consumidor de petróleo do mundo depois dos EUA, contribuiu para a volatilidade nos mercados, e que as condições financeiras como um todo se tornaram mais ajustadas.

O histórico
A participação da OPEP no mercado mundial de petróleo desceu para a sua proporção mais baixa em uma década no ano passado, pois a produção em rápido crescimento dos poços de xisto nos EUA eclipsou os ganhos na procura por combustível. Contudo, o declínio acentuado no Brent, que era negociado a cerca de 49 USD (Agosto) depois de se recuperar para mais de 60 USD em Maio, poderia resultar benéfico para o grupo dos doze países-membros, sendo que concorrentes com custos mais altos têm dificuldades. Muitas empresas de xisto dos EUA estão prostradas pelos empréstimos que alimentaram o boom do sector.
Quanto mais tempo o preço do petróleo bruto esfriar, maior será a pressão sobre os produtores para cortar gastos.
Tais ajustes na concorrência poderiam servir pouco de consolo para os países-membros mais vulneráveis da OPEP. Os mais fracos – os “cinco frágeis” – Argélia, Iraque, Líbia, Nigéria e a Venezuela – têm tido de diminuir gastos sociais, depois da queda nos preços, e enfrentam um risco cada vez maior de agitação política. O Equador, o país-membro com as menores reservas de petróleo bruto, está a produzir com um prejuízo de cerca de 9 USD por barril.
Nem sequer o maior país-membro da OPEP é imune ao sofrimento. Ogoverno saudita está a tentar cortar biliões de dólares do orçamento para o ano que vem, depois de incorrer no maior défice desde 1987 neste ano, segundo fontes do sector. Enquanto isso, o Irão, antigamente o segundo maior produtor da OPEP, engrossará ainda mais a oferta mundial de petróleo aumentando a produção quando as sanções contra o país forem revogadas.

NR/Bloomberg

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