Mercado

País deixará de importar ovos em dois anos

25/09/2015 - 18:00, Business, Consumo

Hoje a necessidade de consumo é estimada em 60 milhões de ovos por mês. A maior associação de produtores nacionais cobre pouco mais de 50% da procura.

Por Agostinho Rodrigues | Fotografia DR

Dentro de dois anos, o País deixará de importar ovos, desde que o sector avícola disponha de mais equipamentos e matérias-primas que estão em falta, diz em exclusivo o presidente da Associação Angolana de Avicultores, Rui Santos.

Esta meta será atingida, segundo Rui Santos, se houver maior disponibilidade de milho, soja e outros insumos, que aumentariam a produção de rações. Hoje, não há dados exactos sobre a produção diária real de ovos no País, refere a fonte, só a associação produz 32 milhões de ovos por mês, contra 1 milhão de há meia dúzia de anos.

A necessidade actual de consumo, no entanto, é estimada em 60 milhões de ovos por mês. “Há ração suficiente para o tipo de efectivos que temos hoje, mas o importante é que haja matérias-primas, porque temos capacidade de fabrico, precisamos que se produza mais milho, devido à dinâmica do sector aví- cola”, revelou.

De acordo com Rui Santos, a associação representará talvez 50% da produção nacional de ovos, e 75% da ração produzida é consumida pelos membros. O restante é absorvido por produtores não filiados. Estima-se ainda que o consumo diário de ração esteja entre 600 e 1000 toneladas.

A referida associação, segundo o seu presidente, controla perto de 100 produtores, entre pequenos e grandes avicultores, dos quais 50 exercem actividades na capital do País. “Em 1993, eram 50 a 60 produtores, deste número, resistiram seis. Hoje, a realidade é diferente, e os produtores aumentam”, diz.

A escassez de divisas é apontada pela fonte como um entrave à aquisição de equipamentos e matérias-primas, como imperativo que “atrapalha” a produção nacional de ovos. Por isso, apela ao bom senso do Executivo sob pena de retroceder a actividade.

“O actual estado da economia nacional tem vindo a atrapalhar a nossa actividade, e aproxima-se a quadra festiva, uma fase de grande procura de ovos”, salientou, acrescentando que estão a pedir ao Executivo para que ajude os produtores nacionais a não quebrar os actuais níveis de produção.

O dilema da importação

A quota de importação de ovos no País não é fixa, no entanto, o Ministério da Agricultura impõe limitações e requer autorização prévia a quem quer importar. Por outro lado, afirma Rui Santos, à medida que a produção nacional aumenta, o Ministério reduz igualmente a quota.

A quota de importação é expectável que seja 30%, face a 70% da produção nacional. O desa- fio dos produtores é reduzir à nulidade esta diferença e acabar com a importação nos próximos 24 meses. “Na importação, há que ter em conta o que está previsto por lei, que são 28 dias de validade, para o consumo do ovo”, recordou.

Hoje os produtores nacionais sentem uma maior procura pelos ovos nacionais. “Isto é salutar por um lado, por outro, sabemos também que a produção local ainda não responde à procura na sua totalidade, por isso, temos mantido contactos com o Ministério da Agricultura ao nível da associação e aconselhamos a importação de uma determinada quantidade de ovos que não bloqueie a produção nacional”, assegurou.

Produtores aumentam investimentos

O também sócio-gerente da Sociedade Agro-pecuária do Cacuaco (PCAC), Rui Santos, anunciou um novo investimento na ordem dos 65 milhões Kz (500 mil USD). O projecto está a ser implementado em Luanda, numa área de 4 hectares.

A empresa, que produz perto de 30 mil ovos por dia, tenciona aumentar a produção diária para 40 mil ovos, com a conclusão do referido projecto. “Actualmente, temos 50 mil aves, com o novo projecto atingiremos as 10 mil”, garantiu. A empresa, que dispõe de fábrica pró- pria para rações, com capacidade de 30 toneladas por dia, está a transferir a PECAC para o novo aviário, pois o actual transformou-se em zona habitacional.

A transferência poderá ocorrer num período de um ano. A empresa tem três segmentos de clientes, comerciais, retalhistas e restaurantes. O cartão com 30 ovos é comercializado ao preço de 1000 Kz. A Granja Avícola da Funda, de acordo com a gestora Elisa Manuel, tem 10 900, com uma produção de 6 mil ovos por dia.

Terá realizado um investimento total de cerca de 2 milhões USD, até ao próximo ano. A Granja está a desenvolver um novo projecto na província do Bengo, orçado em 800 mil USD. Num espaço de 5 hectares, o novo projecto iniciará actividades em Maio de 2016, com a produção de 30 mil ovos e 36 aves.

Os insumos e aves são importados de países europeus como Portugal e Holanda. No Bengo, segundo Elisa Manuel, a Granja Avícola tem em agenda a criação de uma cooperativa de avicultores, com cerca de 33 membros. Com a cooperativa, aponta-se para a meta de um milhão de aves e produção na ordem dos 900 mil ovos por dia.

Esta perspectiva de aumento da produção nacional, segundo Elisa Manuel, corrobora com o objectivo de se acabar com a importação. “Há dois meses que não entram no País grandes quantidades de ovos, isso é bom para a produção nacional”, disse.

A ESAAP, empresa instalada no Panguila, província do Bengo, está, segundo o seu proprietário, Mitó da Silva, a desenvolver a actividade avícola em 25 hectares, quatro dos quais em explora- ção efectiva. Dispõe de 40 mil aves para uma produção acima de 39 mil ovos por dia.

De acordo com o gestor, poderá aumentar a produção até 58 mil ovos por dia, a partir de Novembro de 2015, com a entrada em cena de mais 12 mil aves “pré-criadas”. “São aves que entram agora no processo de produção”, esclareceu.

Para aumentar os níveis de produção, a empresa conta com fábrica própria de produção de rações, oito toneladas por dia para igual período de laboração. Mitó da Silva não tem dúvidas de que o País necessita de dois anos para deixar de importar e começar a exportar para outros país.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.