Mercado

País já produz hortícolas sem solo

27/03/2017 - 10:08, Business

O sistema vai permitir cultivar alimentos mais saudáveis, frescos e com qualidade superior à da agricultura tradicional.

Por Líria Jerusa

liria.jerusa@mediarumo.co.ao 

A empresa angolana Hidrobem estima produzir cerca de uma tonelada de alface e 60 mil molhos de plantas aromáticas ao mês, fazendo recurso ao sistema agrícola hidroponia, que, por esta via, é pela primeira vez utilizado no País.

Denominado Primeiro Pólo de Hidroponia de Angola, o projecto foi inaugurado no dia 22 de Março pelo secretário de Estado para o Sector Empresarial Agrícola, Carlos Alberto Pinto. Destacou o facto de o sistema ser a principal opção em grande parte dos principais produtores de hortícolas do mundo.
O projecto é resultante de uma parceria entre o grupo empresarial Kibabo e o investidor angolano Cremildo Paka.

A aposta no referido projecto, segundo Cremildo Paka, foi estimulada pela actual conjuntura económica do País e pelas vantagens da hidroponia quando comparada com a agricultura tradicional. Entre as vantagens, Cremildo Paka destacou a poupança da água em cerca de 70%.

“Estes projectos são aconselhados para países com carência de água, nas localidades onde não há chuva, porque a natureza varia, às vezes chove em excesso, outras não chove, e na hidroponia basta termos a primeira água, que depois é alimentada com nutrientes, canalizada para os tubos NFT, e por fim faz o ciclo de retroalimentação, portanto não há desperdício de água” afirmou.

Segundo o mentor do projecto, Cremildo Paka, a hidroponia poderá revolucionar a forma de agricultura a nível nacional, devido à sua forma de plantação, pois permite cultivar em menor espaço e tempo, e ainda contra os diferentes ciclos naturais, o que revela ser uma mais-valia para o País, por possuir um clima tropical reflectindo em resultados mais céleres.

De acordo com o responsável, o sistema tem maior rentabilidade porque a produção é permanente, ao contrário da produção tradicional, que está dependente das variações climáticas.

“O ciclo da alface é de seis semanas noutros países. Em função do clima tropical, estamos a reduzir de seis para quatro semanas. Os resultados são altamente promissórios. A produção do tomate terá o mesmo destino.

A Hidrobem conta com a capacidade de produção de pelo menos 24 mil bancadas e 16 500 buracos de berçários, sendo que 2500 serão os buracos de crescimento, isto num sistema de um metro quadrado de estufas.

Numa primeira fase a empresa vai produzir alface, coentros, salsa, manjericão, gorgões, camomila, hortelã num espaço de 8 mil metros quadrados, com a área de expansão de até 6 mil metros quadrados para estufas.

Desta feita, acrescentou, o projecto apresenta-se com capacidade para atender as necessidades das grandes superfícies comerciais com regularidade.
“Estaremos em condições de fornecer com regularidade às cadeias de distribuição aquilo que nos propusermos a produzir. Temos verificado que uma das grandes debilidades do mercado é ter fornecedor que possa atender a demanda das grandes distribuidoras, e este sistema permitenos atender estas grandes superfícies com maior regularidade honrando os contratos de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro”, avançou.

O projecto resultou de um investimento de cerca de 160 milhões Kz na primeira fase, dos quais 60% resultam de financiamento bancário e 40% de fundos próprios.

Está prevista para este ano ainda a implementação da segunda fase do projecto, que permitirá passar de 2 para 8 hectares a área de produção.

O projecto prevê ainda uma terceira fase que será a denominada indústria da quarta gama, estando prevista também a criação de uma escola de formação. Além da produção agrícola, a Hidrobem, segundo o mentor, está também vocacionada para a execução do sistema para terceiros.

“Podemos alargar para outro tipo de culturas. Temos algumas solicitações de investidores angolanos que tencionam implantar estufas de morangos, e já estamos numa fase muito avançada”, disse.

A Hidrobem é uma empresa angolana, pertencente ao grupo Kibabo, voltada para agricultura. Actua no mercado angolano desde Agosto do ano passado, e tem como objectivo apresentar soluções integradas de produção agrícola, desde a tradicional à mais recente.

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