Mercado

Projectos que fazem mais falta são os mais financiáveis

06/11/2017 - 11:06, Business

Mercado privilegia projectos realmente necessários. Sector deve procurar alternativas de financiamento, conclui painel que debateu Modelos de Atracção de Investimento no Sector da Construção, na 14.ª edição Projekta.

Por Líria Jerusa 
l i r i a . l o u r e n c o l @ m e d i a r u m o . c o . a o

Em tempo de crise, todos os recursos são escassos. E, quando chega a hora de fazer escolhas de financiamento, os bancos estão cada vez mais exigentes, nomeadamente em relação às garantias e à qualidade dos projectos de construção que lhes são apresentados, alertaram os participantes do painel sobre ‘Modelos de Atracção de Investimento no Sector da Construção’, organizado pela Media Rumo, à margem da 14.ª edição da Projekta, que terminou domingo passado, em Luanda.

Para Vladimir Gonçalves Ferraz, administrador da Odell Global Investors, o modo mais viável de atrair financiamento para o sector da construção é focar a atenção em projectos que façam mais falta ao País e que tragam ao investidor melhores retornos.

A alienação de imóveis, via fundos, para obter recursos para a actividade corre uma forma de captar financia mento, disse. “Esta é uma das formas mais baratas de se ter um financiamento, sem recorrer à banca”, explicou, adiantando que os fundos de investimento têm um papel a desempenhar neste capítulo.

Os imóveis a alienar podem ser colocados em fundos de investimento, servindo como garantia real, e quem vende recebe uma “renda” nos termos que forem determinados, diz.

No financiamento tradicional, pela banca, “as garantias têm de ser de qualidade adequada e superar o valor do financiamento”, e esta é, muitas  vezes, uma  dificuldade, adiantou.

O responsável lembra que, tendo em conta a escassez de recursos actual, as entidades financeiras optam pelos melhores projectos, ou seja, aqueles que conferem maior confiança, tendo em conta as exigências de cada instituição.

Para além da qualidade dos projectos, o valor das garantias dadas pelos promotores, as perspectivas de recuperação do capital e a percentagem de fundos próprios no total do investimento que os empresários colocam são também factores que pesam na decisão dos financiadores externos, acrescenta.

A Odell Global Investors, uma sociedade de gestores de organismos de investimento colectivo, lembrou Vladimir Gonçalves Ferraz, não concede crédito, mas a sua actividade acaba por ser uma alternativa à banca no que diz respeito a financiamento.

Competir com os mais fortes

Por seu turno, o administrador da Griner, Francisco Pinto, defendeu que o Estado deve rever o actual modelo de acessos às divisas e os acordos para o cumprimento local de execução de projectos, assim como as condições de acesso das construtoras angolanas a concursos públicos, em condições equiparadas às restantes.

A formação de consórcios que dão mais ‘força’ em concursos pode ajudar  o  sector  nacional  a  desenvolver-se,  afirmou  ainda Francisco Pinto, reiterando a necessidade de serem criados estímulos para as empresas nacionais de construção. Realçou também a importância dos departamentos de project financenas empresas. “Temos de obedecer ao que existe no mercado para podermos dialogar com os nossos clientes, para que exista igualdade de circunstâncias”, afirmou o gestor da construtora do Grupo BAI.

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