Mercado

Sagres quer comercializar 3,5 milhões de hectolitros ao ano

20/02/2017 - 12:35, Business

Até 2014, o mercado angolano era responsável por 20% das exportações globais da marca Sagres, tendo a percentagem caído para 13% na sequência da crise económica.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Após enfrentar maré baixa em Angola, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, detentora da marca de cerveja Sagres, montou um plano para devolver a bebida os anos de glória e, com isso, conquistar 5% da quota do mercado cervejeiro angolano e comercializar 3,5 milhões de hectolitros já a partir deste ano.

A intenção faz parte de um conjunto de estratégias que a marca vem desenvolvendo, onde inclui a produção ( já em curso) da bebida em Angola por via de um acordo assinado há meses entre a Sociedade Central de Cervejas e a Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola (Sodiba).

A Cerveja Sagres tem providenciado suporte técnico para garantir a execução da sua receita e do seu engarrafamento, segundo os padrões da marca. O lançamento está a ser efectuado em garrafas 25 cl ow “Saca Fácil” e 33 cl ow e retornável.

Em conferência de imprensa, realizada pela marca no último fim-de- -semana, em Luanda, para apresentação da sua estratégia de marketing, o director de operações da bebida, José Luís Mata Torres, disse que o acesso à matéria-prima continua a ser a principal preocupação dos produtores, mas que é seu desejo ver ultrapassado este empecilho.

“É um facto, a indisponibilidade de matérias-primas, mas é claramente um desejo da nossa parte vê-las integradas na nossa produção. Temos em
Angola a melhor água, mas muito da matéria-prima é ainda importado.

Temos plena convicção de que num futuro próximo seremos capazes de incorporar mais”, disse o responsável, que não adiantou a estratégia a usar para colocar a Sagres no conjunto de cervejas mais consumidas em Angola.

Quanto ao acordo com a Sodiba, José Luís Mata Torres clarificou que a Sagres não é accionista da empresa.

“A nossa participação neste negócio é de marca, das condições técnicas e tecnológicas. Não fizemos investimento directo.”
No passado fim-de-semana, a marca lançou a campanha de marketing“Sagres, o Mundo é Teu”, que inclui spot radiofónico e televisivo com figuras da música, C4 Pedro, da moda, Sharam Diniz, e do desporto, Morais.

Para Filipe Bonina, administrador de marketing da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, “esta nova etapa da cerveja em Angola, com produção local da mesma receita, é um marco estrutural para a marca, garantindo a sua acessibilidade permanente aos consumidores angolanos, com os habituais elevados padrões de qualidade”.

Segundo o Ministério da Indústria, o parque cervejeiro do País movimentou (anualmente) nos últimos cinco anos um volume de investimento de 773.971.906 USD, com uma mão-de-obra composta por mais de cinco mil trabalhadores.

Cervejas produzidas em Angola

A Cuca BGI (em lata e garrafa) é a cerveja que lidera o mercado nacional.

Produz anualmente 9 milhões de hectolitros de cerveja, estando pronta para aumentar essa produção em mais de 1,5 milhões de hectolitros. Embora recente no mercado, a marca Tigra também tem dado cartas, com uma produção anual de 50 milhões de litros. Possui perto de 500 funcionários.

A Cobeje surgiu em 2009 no mercado, com um investimento de 170 milhões USD. Tem uma produção anual que ronda os 2 milhões de hectolitros.

A EKA, cuja fábrica se situa no município de Cambambe, província do Cuanza Norte, produz perto de 18 mil hectolitros por mês.

Bela é outra marca angolana, cuja capacidade de produção supera 1 milhão de hectolitros por ano. A empresa garante emprego a 250 angolanos e 170 estrangeiros. Começou a ser construída em 2011, na Zona Económica Especial, município de Viana.

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