Mercado

Sector imobiliário atrelado a economia

30/12/2015 - 11:49, Business

A falta de liquidez no mercado nacional enfraqueceu a procura, e isto fez baixar os preços das vendas e arrendamentos dos imóveis, por parte dos promotores privados. O sector imobiliário acompanhou a queda do ritmo de crescimento da economia do País, durante o ano que agora termina. Dizem os consultores e promotores imobiliários, em exclusivo […]

A falta de liquidez no mercado nacional enfraqueceu a procura, e isto fez baixar os preços das vendas e arrendamentos dos imóveis, por parte dos promotores privados.

O sector imobiliário acompanhou a queda do ritmo de crescimento da economia do País, durante o ano que agora termina. Dizem os consultores e promotores imobiliários, em exclusivo ao jornal Mercado.

O managing director da Abacus Angola, empresa de mediação e consultoria imobiliária, Paulo Trindade, diz que a venda e arrendamento de imóveis (residências, escritórios e espaços comerciais), nesse período, em termos de oferta, mantém-se, se comparado aos últimos três anos, mas teve um recuo na procura.

“O que acontece é que o mercado está a adaptar-se à economia real e a viver com ela, o que se traduz numa fase de menos procura”, disse. Para o CEO da Proimóveis, empresa de promoção e gestão de imóveis, Cleber Corrêa, algumas das causas têm que ver com o facto de nos anos anteriores muito mais empresas chegarem ao País do que agora.

“As dificuldades cambiais estão a fazer as empresas diminuírem o ritmo da sua actividade em Angola e outras a adiarem a vinda”, esclareceu. Em relação aos índices de vendas e arrendamentos, só em 2016 será possível saber os números de 2015. Para já, promotoras e consultoras concordam que o mercado está a adequar-se à nova realidade financeira para se estabilizar, mas objectivamente há um ajuste nos preços, especialmente nos “edifícios antigos”.

Cleber Corrêa afirma que os clientes estão a virar-se para imóveis mais baratos, e os que tinham Kz optaram por comprar estes imóveis para se protegerem da moeda nacional, em desvalorização. Embora existam empresas a aplicar as poupanças de moeda nacional para se protegerem da desvalorização, os dados indicam, entretanto, que, no universo de compradores, os particulares superaram as empresas.

A construção de edifícios residenciais está, por outro lado, a corresponder à procura que ainda existe, face aos escritórios, devido ao período de adaptação, com menos actividade empresarial. O CEO da Proimóveis concorda, mas admite que muitos promotores, inclusive no centro da cidade, apostaram também em espaços comerciais em 2015, com a construção dos edifícios na Baía de Luanda, por exemplo.

“A concorrência ficou mais acirrada, pois aquela zona será muito procurada, por conta da localização”, argumentou. Paulo Trindade, no entanto, afirma que os espaços comerciais também ficaram afectados apesar do boom decorrido da escassez resultante dos anos anteriores. “O que sucedia era que não existiam espaços comerciais e surgiram todos de uma vez, o segmento está quase esgotado”, argumentou.

Principais constrangimentos

O estado da economia é apontado pelos consultores e promotores imobiliários como o principal constrangimento para o sector. Pois estava a crescer de uma forma sustentada, nos últimos três anos, alinhando com a procura que existia.

“Estava perto da perfeição, procura e oferta a crescer sustentadamente”, disse Paulo Trindade. Por outro lado, Cleber Corrêa aponta para a burocracia e o custo do crédito como entraves para o desenvolvimento do sector. “Temos escrituras no GPL há 60 dias para o governador assinar e não saem, e o custo do crédito, muito alto, desestimula o investimento privado”, reclama.

Nova Lei do Arrendamento Urbano

O ano de 2015 fica igualmente marcado pela aprovação do novo regime do arrendamento urbano, no âmbito da reforma iniciada em 2012, o DecretoLei n.º 156/2015, de 10 de Agosto.

A lei entra em vigor a partir de 21 de Janeiro de 2016. Entretanto, especialistas defendem que o novo regime deveria ser mais “ousado”, poderia fomentar a construção de mais casas para arrendamento aos jovens, por parte da iniciativa privada, um dispositivo que existe em alguns países e fomenta o surgimento de moradias de renda baixa.

“Por exemplo, se o Estado aprovasse uma lei que garantisse ao senhorio 60% a 80% da renda de quem viesse a não pagar imóveis de renda baixa, conjuntamente com uma lei que propiciasse o despejo em pouco tempo, isso criaria atractivo a muitos privados de construírem para arrendar, pois o ganho era certo”, garante. Defende ainda outro dispositivo, que é o despejo de maneira célere. Assim daria mais garantias aos senhorios, e maiores investimentos nessa área aconteceriam.

POR ROBERTO ALVES

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