Mercado

iPhone 8 não vende. O que é que a Apple vai fazer?

23/10/2017 - 13:29, Tecnologia

Procura pelo novo smartphone é “anémica” e já deitou abaixo as ações da empresa

O primeiro fim de semana de vendas do iPhone 8 foi mau e as semanas que se seguiram não mostraram quaisquer melhorias. Segundo revela ao Dinheiro Vivo o director europeu de pesquisa de dispositivos móveis da IDC, Francisco Jerónimo, o novo smartphone da Apple está a ter uma receção fria no mercado. “O iPhone 8 está a vender a mesma média que estava a vender o iPhone 7 até ao lançamento, e o normal na Apple é que quando um telefone é lançado as vendas disparam, literalmente. Isso não aconteceu”, indica o analista. “A média de unidades vendidas por semana está a ser idêntica ao iPhone 7, que continua no mercado.”

A procura do Smarthphone quer na versão 8 quer 8 Plus – é tão baixa que as acções da Apple derraparam 3% na sessão de quinta-feira por receios dos investidores de que a estratégia da empresa foi mal pensada. O CEO da operadora canadiana Rogers, Joe Natale, disse que as vendas dos dois modelos estão “anémicas.”

Uma fonte de um fornecedor de Taiwan revelou que a Apple cortou as encomendas dos telefones para metade, dada a escassez da procura – algo que nunca tinha acontecido na história do iPhone durante o primeiro mês de vendas. Os investidores questionam se a Apple terá tomado a decisão certa ao apresentar o iPhone 8 e iPhone 8 Plus juntamente com o iPhone X, diferenciando a chegada ao mercado.

É que este flop de vendas está inteiramente relacionado com o lançamento do iPhone X, marcado para 3 de Novembro. Apesar do preço muito mais elevado (em Portugal custará 1179 euros), a curiosidade que o topo de gama despertou nos consumidores levou-os a não tomarem ainda a decisão de substituir os seus smartphones por um dos novos modelos Apple. “É claramente por causa do iPhone X”, confirma Francisco Jerónimo. “A grande questão aqui é o que é que vai acontecer a partir de 3 de Novembro quando o iPhone X estiver disponível, porque as pessoas vão à loja, vão comparar e vão querer comprar e a loja vai dizer que não tem disponível”, avisa o analista. “Na maioria dos mercados eles não vão conseguir entregar unidades.”

Este problema de stock, que não é novo quando a Apple lança um produto muito diferente, poderá então ter dois efeitos: será que as pessoas vão conformar-se e comprar o iPhone 8, porque acabam por não justificar a espera e a diferença de preço? Ou vão esperar dois meses para porem as mãos num iPhone X? Se acontecer o primeiro caso, então as vendas natalícias do iPhone 8 podem recuperar.

Mas se for o segundo, é possível que a estratégia venha a beneficiar a fabricante de uma forma inesperada. Francisco Jerónimo explica: “Isto poderá ser interessante para a Apple, porque quando o iPhone X começar a ser fornecido em quantidades para ir ao encontro da procura, provavelmente vai ser quando a Samsung está a lançar o próximo smartphone de topo.” Este ano, a rival sul-coreana apresentou o Galaxy S8 e S8+ no final de Março e lançou-os em Abril.

Ou seja, aqueles trimestres em que as vendas da Apple são tradicionalmente mais fracas, porque já passou a loucura do lançamento no final do verão, poderão ter um impulso de vendas anormal. “Não sei se foi estratégico e intencional ou não, mas poderá ter sido um tiro no pé que até lhes vai correr bem”, diz Francisco Jerónimo. “O primeiro e segundo trimestres do próximo ano podem correr muito melhor do que é normal porque as pessoas esperaram e quando a Samsung começa a atacar com o novo telefone é quando a Apple está a entregar em quantidade.” As pré-reservas para o iPhone começam a 27 de Outubro e nessa altura haverá indicações mais sólidas da procura. O smartphone fica disponível a 3 de novembro por 1179 euros para a versão de 64GB e 1359 euros pelo modelo de 256GB. O iPhone 8 começa nos 829 euros e o 8 Plus custa a partir de 939 euros.

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