Mercado

Wall Street perde a paciência com revolução do xisto

31/07/2015 - 10:45, Business, Energia

Credores pressionam empresas perfuradoras para pagar linhas de crédito.

A Halcon esteve perto de ter problemas com os bancos em Junho de 2013. E novamente em Março de 2014. Emais uma vez em Fevereiro de 2015. Todas as vezes, a empresa perfuradora de petróleo de xisto chegou perto dos limites de endividamento estabelecidos pelos seus credores, colocando em perigo uma linha de crédito que forneceu 1,05 mil milhões USD em dinheiro muito necessário para as operações de perfuração. Todas as vezes, os bancos que financiam a Halcon, liderados pelo JPMorgan e pelo Wells Fargo, afrouxaram as restrições e permitiram que a Halcon continuasse a contrair empréstimos.
Talvez essa paciência esteja a acabar. Os reguladores bancários emitiram advertências sobre os riscos envolvidos na concessão de empréstimos para perfuradores norte-americanos, ameaçando criar uma crise de liquidez num sector que depende mais do que nunca do dinheiro de outros. Wall Street tem sido um dos maiores aliados da revolução do xisto, financiando milhares de poços, do Texas ao Dacota do Norte. A pergunta é o que irá agora acontecer, depois de os preços do petróleo terem caído para metade desde o ano passado, para os 50 USD por barril.
“Em geral, os credores estão a redobrar a pressão sobre as petrolíferas para que elas emitam mais acções ou façam algum tipo de operação para pagar as suas linhas de crédito e ganhar dinheiro extra”, afirma Jimmy Vallee, sócio do departamento de fusões e aquisições do sector de energia da firma de advocacia Paul Hastings, em Houston.

Reavaliação
Os bancos já estão a preparar-se para a próxima reavaliação das linhas de crédito para o petróleo e gás, revisões que normalmente são feitas duas vezes por ano, em Abril e Outubro. Oscréditos são baseados no valor das reservas em produção, que diminuiu quando os preços do petróleo caíram. Muitas empresas perderão também a protecção das coberturas que garantiram preços até 90 USD por barril, e que estão a começar a expirar.
Por enquanto, os bancos têm-se mostrado dispostos a manter o dinheiro a fluir, porque as empresas de perfuração que ficaram perto de estourar o limite das linhas de crédito pagaram recorrendo aos mercados de capital aberto. Os produtores norte-americanos arrecadaram cerca de 44 mil milhões USD com vendas de títulos e acções no primeiro semestre deste ano, o maior montante desde 2007, segundo dados compilados pela Bloomberg e pelo UBS Group.
Agora, o apetite por este tipo de dívida está a diminuir. Os títulos ficaram mais caros e têm termos mais onerosos, incluindo garantias feitas com os activos de petróleo e gás das perfuradoras. O cupão médio aumentou de 6,36% em 2014 para 6,84% em 2015, segundo cálculos da Bloomberg.
Os bancos estão agora sob pressão dos órgãos reguladores para avaliar melhor os seus empréstimos ao sector de energia e reduzir as suas linhas de crédito.

Bloomberg/Mercado

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1 Comentário

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