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WeChat cresce 37% no último trimestre: já tem 600 milhões de utilizadores

01/10/2015 - 13:19, Business, Tecnologia

As aplicações de mensagens estão com a cotação em alta e com tendência para subir, numa competição tensa e implacável.

A WeChat, uma aplicação de mensagens e chamadas gratuitas, vale 83,6 mil milhões USD, de acordo com os analistas do HSBC. Quotidianamente, milhões de pessoas gastam muito do seu tempo a trocar mensagens, muito mais do que a navegar em sites ou a fazer compras online. Neste contexto, estes serviços estão a tornar-se um dos melhores negócios do sector tecnológico, avaliados em milhares de milhões. Um caso inequívoco é a WeChat, com cerca de 600 milhões de utilizadores, que faz parte da Tencent Holdings Ltd. (a quinta maior empresa de Internet do mundo).
As cotações estão em alta, e a tendência é de subida. Não por acaso, o Facebook (do grupo das cinco maiores empresas de Internet do mundo) pagou 18 mil milhões USD, em 2014, pelo WhatsApp, que agora anda pelos cerca de 800 milhões de utilizadores. Tentou também comprar o Snapchat, mas levou com o rotundo não de Evan Spiegel. A Snapchat, enquanto empresa autónoma, foi avaliada em Maio último em 16 mil milhões USD. Ainda que nem todas sejam geradoras directas de receitas, são tidas como estruturantes para um ecossistema que inclui comércio electrónico, transportes, publicidade e outras oportunidades de negócio que num futuro próximo se revelarão nada desprezíveis.
“Não há muitas categorias de tecnologia a terem utilizadores num número tão significativamente massivo como o serviço de mensagens”, considerou Brian Blau, analista de redes sociais na Gartner. Para acrescentar: “É provável que essa seja a parte mais atraente para os investidores que estão por trás dessas cotações.”
O número de utilizadores da WeChat deu um salto de 37% no último trimestre, isto de acordo com os dados da Tencent. E o WeChat não é o maior serviço de mensagens da empresa chinesa – esse lugar é ocupado pelo QQ (Tencent QQ, o serviço mais popular de mensagens na China), que tem 843 milhões de utilizadores. Para comparação: o Messenger do Facebook tem 700 milhões de utilizadores; o Skype, o serviço de ligações pela Internet da Microsoft, que também permite que as pessoas troquem mensagens, tem 300 milhões de utilizadores; o Twitter, que deve gerar 2,24 mil milhões USD em receita neste ano, só tem 316 milhões de usuários – lamentavelmente, para a empresa, sem grandes perspectivas de crescimento.
Quando se trata de inovação, e ao que tudo indica, a WeChat está muito à frente com um considerável sentido de oportunidade para gerar dinheiro. Inclui compras e jogos dentro da aplicação, características que os outros serviços estão a plasmar, diz com Adley Bowden, director sénior de análise da Pitchbook. “O sucesso da WeChat é um tanto revolucionário em relação a outras aplicações de mensagens ”, considera Bowden.
Line, uma aplicação de mensagens muito popular no Japão, poderá vir a oferecer, em breve, uma outra perspectiva aos investidores. A empresa, controlada pelo site sul-coreano Naver, está a preparar-se para uma dupla abertura de capital – em Tóquio e em Nova Iorque –, já no próximo mês. Aaplicação que gera lucros com a venda de jogos e ícones de ursinhos aos seus cerca de 211 milhões de utilizadores facturou 223,9 milhões USD de receita no último trimestre.
A concorrência pela captação de utilizadores continua tensa e implacável. A Viber, outra importante aplicação para mensagens e chamadas gratuitas, tem 249 milhões de utilizadores. Kik, uma aplicação para mensagens do Canadá, tem mais de 200 milhões, e o KakaoTalk, da Coreia do Sul, conta 48 milhões de pessoas a trocar mensagens e fotos.
Mas se as perspectivas de crescimento são optimistas, a manutenção no mercado de tantos players é menos auspiciosa. Segundo o analista da Gartner, Brian Blau, dentro de três a cinco anos, poucos sobreviverão a esta avalancha. Aplicando uma espécie de princípio darwiniano do mercado, só os mais fortes sobreviverão. “Provavelmente muitas dessas empresas de primeira linha não vão ficar satisfeitas com um crescimento orgânico”, afirma Blau, para concluir que: “O que vemos hoje é uma corrida rumo a um ecossistema que é muito poderoso enquanto aplicação mas que pode servir só de condutor para outros tipos de interacção.” Quando se trata de tecnologia, o futuro é quase sempre surpreendente. Aguardamos.

AMS/Bloomberg

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