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A mulher do papel… e do turn around

01/10/2015 - 14:45, Capital Humano, Upgrade

A chairwoman da Xerox é a primeira afro-americana a assumir tal posto. Sorte? Talento? Sim, mas não só. O segredo está numa virtude que a maioria considera um defeito: impaciência. Contra todo e qualquer tipo de resignação.

Por Nilza Rodrigues | Fotografia Bloomberg

Curioso. A primeira vez que pensou que poderia estar no topo da Xerox foi no dia em que entrou ao serviço como interna, em 1980. Presunção? Ursula diz que não. Foi estupidez mesmo. Naquela altura, estava longe de imaginar o que significaria ser uma chairwoman. Sabia, no entanto, que tinha dois pontos contra e um a favor: era mulher e negra, mas esperta o suficiente para dar a volta por cima.
Dito e feito. A primeira CEO afro-americana (da Forbes 500) chama-se Ursula Burns, tem 56 anos e é formada em Engenharia. “Tudo passa pela mecânica”, afirma com convicção. Tudo excepto os ensinamentos da sua mãe, a mulher a quem faz um look up to e que lhe ensinou os mais simples, claros e valiosos princípios da vida: dá mais do que recebes, não minimizes o que tens, não roubes, não cobices, não faças mal e sê humilde. Precisamente. “Uma das minhas maiores aprendizagens no business tem sido a humildade. Essa habilidade que devemos ter de aprender todos os dias com todos os que nos rodeiam, estejam acima ou abaixo de nós. Aspessoas devem falar. Emitir as suas opiniões. E têm de ser ouvidas. É preciso ter humildade para estarmos no topo da cadeia e termos espaço nas nossas vidas tão ocupadas para ouvi-las.”
Metódica, frontal e irrequieta, Ursula Burns faz a sua carreira subindo todos os degraus, um a um, com convicção, mas sempre com muitas, inúmeras, interrogações. Recorda que, com um diploma na mão e um master degreee na outra, torceu o nariz quando lhe ofereceram o cargo de assistente da direcção, e hoje assume que foi o melhor que lhe poderiam ter feito. Defende, nesse sentido, que “devemos ser muto bons nalguma área, mesmo muito bons, até chegarmos a CEO, que significa, basicamente, sermos médios em tudo, e para isso é preciso ter conhecimento do todo”. Primeiro, assistente executiva de um executivo sénior; depois, assistente executiva da chairwoman e, mais tarde, vice-presidente e actualmente CEO e chairwoman da Xerox.

CEO non-stop
Sorri quando lhe enumeram os títulos. E, apesar de enfrentar heroicamente duras batalhas numa empresa que subsiste da sobrevivência do papel face ao digital, sabe que ao final do dia nunca dorme descansada: “Acordo várias vezes com dúvidas e a questionar-me. Se estarei a dar o máximo, se estarei a faltar à família. Penso na quantidade de coisas que tenho para fazer e começo a encher uma caixa imaginária com todos os assuntos pendentes. É a única forma que tenho de sobrevivência.” Essa e outra: Ursula Burns não se distrai. Com as crenças dos outros, com o lazer, com o barulho. Protege-se de tudo isto. Ou porque não lhe diz respeito. Ou porque quer desesperadamente ser aquele CEO – uma confissão sua – que está sempre a sorrir, como se a vida corresse às mil maravilhas. Quem a vê pelos corredores da Xerox sabe que tem tudo menos um ar descansado e despreocupado.
Não pode. Não consegue. Em 2001, quando a Xerox estava à beira da falência, coube-lhe a difícil tarefa de renegociar contratos com os 2 mil trabalhadores sindicalizados da operação em Rochester, enquanto ela própria estudava a possibilidade de terceirizar os seus postos de trabalho. Liderou um programa de corte de custos que resultou numa economia de 2,5 mil milhões USD e na redução de 110 mil para os actuais 58 mil funcionários.
Engenhosamente, fez tudo isso sem dizimar as equipas nem achatar as verbas destinadas à inovação, focando-se na produtividade das actividades e no research. O resultado: a Xerox apresentou cem novos produtos nos últimos três anos.
Por tudo isto gostam de lhe colocar epítetos e atribuir cargos. A primeira CEO afro-americana. Uma das mais bem pagas nos Estados Unidos. Uma das mulheres mais poderosas do ranking da Forbes. Conselheira de Barack Obama, na qualidade de vice-presidente do conselho de exportação. Directora do conselho da American Express e da Exxon Mobil. Fundadora do Change the Equation, que se concentra em melhorar o sistema educacional dos EUA em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Ursula Burns diria isto tudo num fôlego só. Sem vírgulas nem pontos finais. A sua impaciência não lhe permite pausas. Porque, senão, o mundo pára, os grandes líderes voltam a adiar as grandes medidas, os problemas persistem, e nada acontece. Porque a tolerância também tem um q. b. Ursula dixit.

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1 Comentário

  1. Agatha 25/04/2016 - 18:56

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