Mercado

Aniquile os zombies da sua empresa. Eles consomem recursos

06/08/2015 - 18:13, Capital Humano, Gestão

“Nunca os irão encontrar”, disse um líder sénior de uma empresa de tecnologias de informação. Referia-se aos nefastos inimigos dos bem-intencionados esforços de inovação.

Os zombies são projectos que, por um determinado número de razões, falham a cumprir as suas promessas e mesmo assim continuam a ser executados, sugando recursos sem qualquer esperança real de ter um impacto significativo na estratégia da empresa.
Um projecto zombie reproduz-se em formas previsíveis. O projecto certamente faz sentido quando é primeiramente aprovado pela liderança. As suas projecções financeiras, ainda que sempre incertas, parecem razoáveis. As premissas de mercado parecem sempre plausíveis. Os prazos de desenvolvimento parecem alcançáveis.
Mas, algures ao longo do tempo, a tecnologia não funciona exactamente como planeada. Um concorrente faz algo imprevisível. Um parceiro-chave decide não participar. Os consumidores reagem de forma inesperada.
Os gestores de projecto sabem que o que aconteceu não é nada de bom, mas é difícil para eles admitir quando um projecto descarrilou. Os psicólogos apontam que sofremos de preconceito de confirmação, prestando mais atenção às coisas que esperamos e ignorando as que não esperamos. E, mesmo quando estamos cientes dos contratempos, estamos propensos a utilizar a análise heurística – quando acreditamos em algo, enaltecemos as boas notícias e ignoramos as más notícias.
A certa altura, a verdade torna-se esmagadora, e, se der aos membros da equipa soro da verdade, eles iriam admitir que o projecto nunca irá contribuir verdadeiramente para os objectivos estratégicos e financeiros da empresa. Mas, como na maior parte da empresas os sistemas de remuneração acarretam penalizações na falha em cumprir os compromissos, as pessoas hesitam dizer “O nosso projecto é um desses”. Parece mais inteligente encontrar formas de manter-se activo.
Rita Gunther McGrath, da Columbia University (uma assassina de zombies certificada, se é que tal existe) –, identificámos seis formas de fazê-lo com sucesso:

Use critérios simples, diferentes, transparentes e predeterminados
Encerrar um projecto pode ser muito emocional. Estabelecer uma lista de critérios antes de o processo começar ajuda os participantes a verem o processo como racional. Fazemos sempre três questões acerca da ideia: existe realmente uma necessidade no mercado? Podemos preencher essas necessidades melhor que os actuais ou potenciais concorrentes? Conseguimos alcançar os nossos objectivos financeiros? Seja qual for o critério, lembre-se de que são linhas orientadoras, não regras. As decisões finais vão sempre requerer algum nível de julgamento subjectivo.

Envolva pessoas de fora
Os pais vão sempre atestar como é difícil conseguir ser imparcial em relação a algo em que tivemos um papel importante na concepção. Alguém de fora que não se envolva – alguém de um departamento diferente ou inteiramente exterior – pode trazer uma importante imparcialidade ao processo.

Codifique as lições aprendidas
McGarth ensina que, sempre que uma empresa inova, duas boas coisas podem acontecer. A ideia é comercializada com sucesso (claramente bom), ou – mesmo que não seja – aprendemos algo que nos coloca no caminho para sucessos futuros. Sustenha a acção depois de revisões para captar as lições aprendidas e criar uma base de dados viva para armazenar e partilhar essas lições. Investir em captar e difundir conhecimento dos seus projectos zombie maximiza o retorno desses investimentos.

Expanda a definição de sucesso
Ao tomar riscos calculados, isso acarreta riscos de punição, não é surpresa que as pessoas hesitam em correr riscos. Sempre que inova, o sucesso futuro é desconhecido. Logo, perceber que uma ideia não é viável é um resultado de sucesso, desde que essas lições sejam aprendidas de uma forma de utilização de recursos eficiente. Dê palmadinhas nas costas aos colaboradores quando eles lhe derem esse presente precioso.
Comunique amplamente
Isto pode parecer contra-intuitivo, mas difundir amplamente as falhas comerciais encoraja esforços futuros, porque a inovação acontece naturalmente a empresas que “se atrevem a tentar”. Destacar este tipo de esforços naturalmente dá mais segurança às pessoas para ultrapassarem as suas barreiras de investimento. Depois de tudo, se não se permite tentar, como pode esperar ter sucesso?

Proporcione catarse
Esta ideia é retirada directamente do excelente artigo da HBR de 2011 de MacGrath “Falling by Design: Crie um evento simbólico – um velório, um jogo, um memorial – por forma a dar às pessoas a sua catarse”.
Na empresa finlandesa de videojogos SuperCell, que foi avaliada em 3 mil milhões USD apenas três anos depois da sua fundação, o sucesso é celebrado com uma cerveja; o fracasso, com champanhe. Os erros são apontados com uma honestidade brutal, tal como aconteceu quando, um ano depois de um investimento e desenvolvimento, a empresa decidiu afundar uma abordagem multiplataforma que foi aquém dos seus objectivos de desenvolvimento.
Matando de forma decisiva um projecto potencialmente zombie, a empresa celebrou mesmo assim o bom trabalho da sua equipa, permitindo aos membros da SuperCell alterar a focagem para melhores ideias. Avançaram assim para o desenvolvimento do muito bem-sucedido jogo Clash of Clans.
Quase todas as empresas têm mais recursos que aqueles que acreditam possuir. Encontre e aniquile os zombies, realoque recursos para os seus projectos mais promissores, e irá rapidamente perceber como os seus esforços de inovação se tornam melhores, maiores e mais rápidos.

Harvard Business Review/Dinheiro Vivo

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