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Bernard Arnault… é… é… o homem mais rico de França

04/09/2015 - 11:26, Capital Humano, Upgrade

Frédéric, um dos filhos, desafiou-o para uma partida de ténis, no court estava Roger Federer. Uns podem, outros podem e têm.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

As vendas e os lucros da LVMH aumentaram no primeiro semestre de 2015. O grupo registou um aumento de vendas de 19%, e os lucros aumentaram 15%. O império multimarcas que Bernard Arnault constrói há cerca de 25 anos obteve cerca de 19 mil milhões USD de receitas e 3,4 milhões USD de lucro operacional. A marca que mais contribuiu para este sucesso foi a Louis Vuitton, que teve o seu melhor desempenho em três anos. O que é que explica este sucesso? Nas palavras de Arnault: “O segredo do sucesso da Louis Vuitton é a combinação entre a intemporalidade dos produtos e a sua extrema modernidade.” Há um outro contributo importante, o de Nicolas Ghesquière, o responsável pela dupla combinação apontada pelo dono do monograma LV. Mas também aí o mérito é de Arnault, que tem a capacidade de construir “uma boa equipa entre a criação e a gestão”.
Céline, Givenchy ou Donna Karan, Fendi ou Bulgari são as outras marcas que fazem o grupo LVMH, que falhou a aquisição da Gucci e da Hermès. Porque mesmo para o homem que pode ter, às sete e meia da manhã, como adversário no ténis, o recordista em vitórias em torneios de Grand Slam, Roger Federer, há limites!
E é sobre limites que Bernard Arnault fala quando diz que o poder dos políticos é muito limitado. Exactamente! Diz isso mesmo e explica porquê numa entrevista a um jornal inglês: “As pessoas pensam que os políticos é que têm o verdadeiro poder, mas isso é cada vez menos verdade. Eles estão muitas vezes bloqueados em situações contingentes. Mesmo o Obama, que está numa posição extraordinária, o poder que detém sobre as finanças do seu país é muito limitado, o que pode ser extremamente frustrante. Tenho sorte porque posso dizer: eu quero o meu grupo em tal posição daqui a dez ou vinte anos, e formular um plano para que isso aconteça como quero.” Dito assim, até nós concordamos. Sobre os políticos e o poder dos políticos, Arnault tem também uma opinião sobre Alexis Tsipras (que recentemente se demitiu do cargo de primeiro-ministro da Grécia): para o empreendedor francês, a Grécia não pode existir com uma moeda com as mesmas regras económicas que a economia alemã. Não há acordos que lhe valham, o país deve sair do euro e ter moeda própria que poderá desvalorizar, afirma o proprietário do Les Echos.
Da política para a gestão. Arnault confessa que baseia a suas decisões numa combinação de “instinto e factos concretos”. Quando questionado sobre em quantas pessoas confiaria para fazer negócio com um aperto de mão – o tradicional “my word is my bond” –, Bernard Arnault responde: “Uma, talvez duas pessoas. Eu confiei em algumas pessoas no passado – era mais jovem e mais ingénuo – e decepcionei-me. Agora sou mais prudente.”
Não sabemos se por intuição ou racionalidade, a verdade é que trouxe para as suas marcas talentos que se confirmaram: John Galliano e Raf Simmons para a Dior, Alexander McQueen para a Givenchy, Marc Jacobs para a Louis Vuitton, e Phoebe Philo para a Céline. E foi também dos primeiros a contratar celebridades para as campanhas publicitárias das marcas – falamos de Jennifer Lopez, Scarlett Johansson ou Madonna. Curiosamente, detesta-se como uma, uma celebridade, bem entendido. É discreto, discretíssimo. “O que me interessa é promover a minhas marcas, não me interessa promover-me”, diz este pianista clássico, coleccionador de arte e pai de cinco filhos. Casado pela segunda vez, desde 1990, com Helene Mercier, uma pianista canadiana. E esta descrição discreta coloca-o nos antípodas do seu rival, o também empresário francês François-Henri Pinault, casado com a actriz Salma Hayek (e garanto-vos que falar sobre este tema daria um outro artigo). No claro-escuro da exposição mediática, Arnault, claramente, prefere as sombras. O homem que é proprietário da Moët & Chandon bebe pouco, mas escolhe para a sua última ceia um Château d’Yquem (LVMH).
Bernard Arnault, de 66 anos, tem ainda uma outra particularidade, é aquilo a que podemos chamar um infoauto-excluído: não tem email e usa o telemóvel só mesmo para falar, nunca envia mensagens. Sendo que nunca lhe passaria pela cabeça usá-lo quando está a jantar, a assistir a um concerto, a jogar ténis ou a tocar piano. Uma das coisas que o divertem é estar incógnito numa das suas lojas  e atender pessoalmente os clientes. Tem umas ideias muito concretas sobre o que quer e sobre o que pretende para cada colecção, e comenta que não gosta “da tendência dos dias de hoje, onde certas mulheres se vestem como se fossem jovens”.
Um dia, à saída do Aeroporto JFK, em Nova Iorque, entrou num táxi, e o taxista identificou-o como francês. Arnault perguntou-lhe se tinha estado em França e se sabia quem era o presidente francês. O taxista olhou para trás e, sorridente, respondeu: “Não, mas sei quem criou a Christian Dior!”
Muitos dos seus executivos referem-se-lhe como “Deus”, porque, tal como Deus, é omnipresente, respeitado e temido, dentro e fora do grupo LVMH. De uma forma mais humana, é uma figura enigmática, que gosta de tocar composições clássicas no piano de cauda que tem no escritório, e que ao mesmo tempo é tido como um dos mais cruéis e competitivos magnatas. Recentemente, atacou a eBay (por vendas de produtos falsificados) e ganhou 60 milhões USD.

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