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Bullying no trabalho. Falta de educação versus sabotagem

17/01/2017 - 11:49, Capital Humano, Gestão

A falta de educação no local de trabalho arruína o desempenho e cobra um preço pessoal a cada um.

Quando eu tinha 22 anos, arranjei o que julgava ser o meu emprego de sonho. Mudei-me do gelado Midwest para a ensolarada Florida com um grupo de antigos colegas atletas, para ajudar uma marca global a lançar uma academia desportiva. Dois anos depois, tanto eu como muitos dos meus colegas tínhamos abandonado os empregos.

Tínhamo-nos tornado vítimas de uma cultura de trabalho onde abundava o bullying, a grosseria e a falta de educação em geral, fomentada por um responsável ditatorial e alastrando daí a todos os escalões da organização. Os empregados estavam, na melhor das hipóteses, desmotivados; na pior, realizavam actos de sabotagem ou descarregavam a sua frustração em familiares e amigos.

A experiência foi tão formativa que decidi passar a minha vida profissional a estudar a falta de educação no local de trabalho — e os seus custos e soluções. O comportamento grosseiro vai da maldade descarada e boicote intencional até ao simples facto de ignorar as opiniões dos outros e verificar o e-mail no decorrer de reuniões.

A falta de educação no local de trabalho arruína o desempenho e cobra um preço pessoal a cada um. Em cenários de laboratório, apercebi-me de que, ainda que os sujeitos sejam meros observadores, as suas probabilidades de absorverem informação diminuem imenso. Ver ou experienciar comportamentos rudes prejudica a memória de curto prazo e, em consequência, a capacidade cognitiva. Provou-se que prejudica o sistema imunitário e exerce pressão sobre as famílias, além de outros efeitos negativos.

Infelizmente, a nossa resiliência em face da falta de educação está parcialmente fora do nosso controlo. As pesquisas demonstraram que respostas a ameaças, humilhação, perda ou derrota — todas geralmente associadas à falta de educação — são significativamente influenciadas pelo temperamento congénito.
Assim, a maneira mais eficaz de reduzir os custos da má educação no local de trabalho, talvez seja construir uma cultura que a rejeita. Entretanto, como podem os indivíduos lidar com ela? A minha pesquisa desvendou algumas táticas que todos podem usar para minimizar a forma como a falta de educação afecta o desempenho e o bem-estar.

As respostas habituais normalmente não resultam

Muitas pessoas decidem lidar com a grosseria de frente — seja pela retaliação ou pela discussão. Outra resposta comum é tentar contornar o problema, evitando o ofensor o mais possível. Se bem que estas abordagens possam ter alguma utilidade, em geral não as recomendo.
Por vezes não temos alternativa e só nos resta colaborar com colegas maleducados. O confronto pode ainda piorar a dinâmica. Confiar em soluções institucionais também raramente funciona.

Poucas pessoas estão satisfeitas

com a maneira como os seus chefes tratam a falta de educação mas a verdade, é que as organizações muitas vezes não têm oportunidade de fazer nada: nas minhas pesquisas, mais de metade dos respondentes afirmam não comunicar as faltas de educação, normalmente por medo ou por acharem que não vale a pena.
Abordagem holística

Tal como a medicina está a mover o foco da cura da doença para a promoção da saúde, as pesquisas na minha área — comportamento organizacional — mostram que trabalhar para melhorar o bem-estar no escritório é o remédio mais eficaz para a falta de educação. Isto não significa que não se deva comunicar aos recursos humanos a má educação ou o bullying de um colega, ou tentar gerir o conflito directamente.

Mas uma forma mais sustentável de lidar com o mau comportamento é tornar-se imune ao mesmo. Para o concretizar, é bom fazer uma revisão daquilo que sabemos acerca do desenvolvimento pessoal — algo que, ao ser atingido, proporciona uma sensação de vitalidade e aperfeiçoamento que nos fortifica contra as vicissitudes da vida.

Na minha pesquisa, descobri que as pessoas desenvolvidas são mais saudáveis, mais resilientes e mais capazes de se concentrarem no trabalho.

Têm amortecedores contra a distração, o stress e a negatividade. Se se encontra numa fase de desenvolvimento pessoal, é menos provável que se preocupe com uma ofensa ou que a leve a peito, e também estará mais imune às ondas de emoção que se seguem e mais concentrado em avançar rumo ao seu objectivo.

Como podemos contribuir para o nosso desenvolvimento? Dando passos para prosperarmos a nível cognitivo, o que inclui crescimento, energia e aprendizagem contínua; e também para progredirmos afectivamente, mantendo-nos saudáveis e apaixonados na nossa vida pessoal e profissional.

Estas duas tácticas, muitas vezes, reforçam-se mutuamente — se tivermos energia, estaremos mais motivados para aprender, e a sensação de crescimento pessoal alimenta, por sua vez, a vitalidade.

Dinheiro Vivo

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