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Como lidar com um colega idiota quando o chefe não está por perto

25/01/2017 - 18:29, Capital Humano

É fácil perder-se na raiva e na frustração junto de colegas que jogam de maneira diferente da nossa, especialmente diante do chefe.

Toda a gente conhece este género de colega: aquele que se comporta de uma certa maneira quando o patrão está presente, mas de outra totalmente diferente quando estamos sozinhos com ele. Isto pode ser especialmente frustrante quando o patrão não reconhece este comportamento e elogia ou até promove este colega.

Podemos ter a tentação de denunciar a sua atitude inconsistente mas, antes disso, devemos dedicar algum tempo a compreender por que motivo a pessoa se comporta assim e o que podemos fazer acerca disso. Primeiro, reconheçamos que existem diferentes formas de inconsistência. Seguem-se três das manifestações mais comuns. All that jazz. Fala rapidamente, é eloquente e tem sempre resposta pronta. Este colega tem sempre uma grande história para contar quando o chefe está na sala. Embora tenha pensamentos grandiosos e idealistas e pareça profundamente empenhado, o problema surge quando é preciso repartir e fazer o trabalho. “Há aqui um elemento de espelhos e fumo.

Quatro outras pessoas saem da sala com algo acrescentado na sua lista de afazeres, e ele fica sem nada”, diz Karen Dillon, autora de “HBR Guide to Office Politics”.

Comédia adolescente. Amigável e atencioso, este colega diz o que as pessoas querem ouvir. E depois, descobrimos que anda a boicotar-nos. Dillon chama-lhe “o falso bom colega”.

Explica que esta pessoa “aplaude os nossos esforços quando o chefe está na sala, e vai por trás exprimir-lhe as suas preocupações”. Normalmente este comportamento surpreende-nos porque esperávamos mais da pessoa. Maquiavel clássico.Encantador, seguro, respeitoso quando o chefe está na sala. Grosseiro, malcriado, desdenhoso, quando não está. Esta pessoa adopta o seu melhor comportamento quando está junto de pessoas que podem ajudá-la a realizar as suas ambições.

No seu livro “Give and Take: Why Helping Others Drives Our Success”, um professor da Wharton, Adam Grant, descreve estes colegas como os que estão predispostos a receber em vez de dar. Afirma que esta “dualidade” pode ser descrita como “beijar quem está acima, dar um pontapé a quem está por baixo”. Embora estes indivíduos tendam a ser dominadores e controladores em relação aos seus subordinados, são surpreendentemente submissos e deferentes para com os superiores. Querem ser admirados por patrocinadores influentes, pelo que fazem tudo para agradar e lisonjear. Em resultado, as pessoas poderosas tendem a formar deles excelentes opiniões.

Independentemente do tipo de pessoa com quem esteja a lidar, há alguns passos a dar para gerir melhor a sua reacção e a própria pessoa. Não agir sob impulso é uma boa forma de começar, até porque pode incorrer em erros de interpretação. Todos temos os nossos dias ‘não’. Por isso aja com cautela e siga os nossos pontos.

Primeiro, reconheça que não se trata de si. Não leve as coisas pessoalmente. Quando presenciar o comportamento, recue um passo e assista de fora ao que está a acontecer. É fácil assumir que estamos em palco como vítimas do jogo desta pessoa; na verdade, o que está em causa é muito mais a falta de confiança em si mesmo do seu colega, a sua insegurança ou experiências passad “Poucas pessoas acordam com a firme intenção de serem, nesse dia, o colega mau. Raramente se trata de intenções malévolas – normalmente a causa é uma falta de confiança ou uma incompetência ao nível da inteligência emocional. Vem de um desejo de impressionar o chefe”, explica Dillon.

Algumas pessoas cresceram a trabalhar em organizações políticas, onde aprenderam que é isto que é necessário para ter êxito.

Não pague na mesma moeda.

Quando assistimos a este género de comportamentos, é tentador querer justiça ou fazer a mesma coisa, especialmente se o comportamento for recompensado.
Ficamos prisioneiros das nossas próprias emoções: Isto é tão injusto. Eu trabalho tanto e tento ser um bom colega para os outros. Como é que o chefe não vê isso? Faça o que fizer, não pague da mesma moeda. “Não vale a pena adoptar comportamentos artificiais”, diz Dillon. “Não se deixe enredar em comportamentos autodestrutivos. Não tente, por sua vez, boicotar essa pessoa. Não fale mal dela a outros colegas. Não se afaste nem revire os olhos quando ela fala, porque isso só dará má imagem de si. Perceba que os bons chefes não se deixam enganar por muito tempo.”

Mantenha uma abordagem construtiva.Antes de tentar resolver abertamente a situação, seja honesto consigo mesmo: o comportamento do seu colega é só irritante ou está mesmo a afectar a sua capacidade e a da equipa de contribuírem para a boa execução do trabalho? Se for o último caso e decidir que chegou a hora de agir, normalmente é melhor começar pelo seu colega e não pelo chefe. Aborde a situação da maneira mais construtiva que lhe for possível. “Não confronte o colega em público”, aconselha.

Dillon. “Tenha a conversa num sítio privado. Deixe claro que não pretende entrar numa guerra, apenas corrigir as coisas.” Dê ao seu colega o benefício da dúvida e procure compreender ao mesmo tempo que clarifica aquilo de que precisa.

Poderá dizer:

Não percebo bem como é que as nossas equipas estão a dividir e a concretizar este plano. Podemos discutir quem vai fazer o quê antes da próxima reunião? Soube que tens algumas questões acerca da abordagem que escolhemos. Gostaria de saber quais são. Podes partilhar as tuas opiniões? Da próxima vez, por favor, fala directamente comigo. Compreendo que estamos todos muito ocupados.

Podes dizer-me o que ajudaria a nossa equipa a obter toda a tua atenção em relação a isto? Da última vez que estivemos juntos, senti a tua frustração e impaciência, e gostaria que continuássemos todos com espírito de colaboração. Se necessário, aborde o chefe, mas com prudência. Se não vir grandes mudanças e continuar a achar que o comportamento está a afectar a equipa, proceda com prudência quando levar a questão até ao chefe. Prepare-se com tempo.

Pergunte-se: Fiz tudo o que podia para resolver este problema? Como é o meu relacionamento actual com o chefe? Como é que posso fazer para não parecer que estou a sacudir a água do capote? Qual é o melhor momento e abordagem? Dillon aconselha: “Tenha o cuidado de não parecer que é você o colega problemático. Não pareça zangado, mesquinho, ou que está a apontar o dedo ou a lamuriar-se. É importante focar-se no trabalho.”

Ao abordar o chefe, seja explícito quanto às suas intenções, faça perguntas e procure esclarecimentos. Mantenha a calma e um tom neutro.

Poderá dizer:

Falei com o colega X para definirmos melhor tarefas e responsabilidades para esta próxima iniciativa. Poderemos ter uma reunião a três para confirmar tudo antes de as nossas equipas avançarem? Obrigado por partilhar comigo que Y tinha algumas questões.

Já falei com ele acerca disso. Se ele lhe disser mais alguma coisa, por favor avise-me ou peça-lhe que fale directamente comigo.

Estou um pouco confuso acerca do papel de Z neste projecto. Já falei com ele directamente acerca do tom geral das reuniões, pois parece alheado ou frustrado nas nossas reuniões quando o chefe não está presente. Agradeceria qualquer ajuda para perceber porque é que isto não parece ser uma prioridade para ele.

Aprenda com o seu colega.

Normalmente, existe uma razão pessoal para um colega nos irritar – e é inteligente tentar aprender com isso. Pondere se o seu colega funciona como espelho para coisas que lhe desagradam em si próprio.

Gostaria de pensar com a mesma rapidez? Tem medo de não ser tão visível para o seu chefe ou outras pessoas importantes da organização?

Então faça um compasso de espera. Acredite que vale a pena a velha expressão popular que nos manda contar até dez.

Em vez de julgar como negativos todos os comportamentos da pessoa, pense nas capacidades positivas que esta demonstra – capacidade de contar histórias, de fazer boas perguntas, de pensamento estratégico, de fazer os outros reconhecerem as suas qualidades. É possível igualar todas essas capacidades sem estarem acompanhadas de bravata, arrogância, duplicidade ou desrespeito.

Como Dorie Clark, autora de “Reinventing You” e “Stand Out”, escreve, é possível promovermo-nos a nós mesmos “sem afastar os nossos colegas e sem parecermos uns cretinos”.

Foque-se na criação dessas capacidades importantes à sua maneira, sem comprometer a sua integridade, sem violar os seus valores e sem ser um mau colega. É fácil perder-se na raiva e na frustração junto de colegas que jogam de maneira diferente da nossa, especialmente diante do chefe. Vai ficar malvisto. Diante de todos. E provavelmente, no próximo casting para emprego, essa nota vai cair mal no seu CV, caso alguém já tenha trabalhado consigo.

Invista antes essa energia naquilo que pode controlar: manter-se atento ao seu próprio comportamento, lidar com as coisas de forma construtiva, estar aberto a aprender e manter-se alinhado com os seus próprios valores. Por outras palavras, concentre-se em ser um melhor colega, e não em castigar os outros por não o serem.

Trata-se de uma forma de estar na empresa e na vida que lhe trará muitos proveitos. Seja frontal, cordial quanto baste, e sobretudo tenha uma atitude profissional.

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