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Estudantes de MBA? Parem de procurar emprego

23/01/2017 - 11:54, Capital Humano, Universidade

O número de postos de trabalho está a estagnar, e empregos a tempo inteiro são incertos. O conselho é: procurem trabalho, não empregos.

Harvard Business Review

Quando os estudantes do meu curso de MBA sobre economia gigme perguntam qual a melhor coisa que podem fazer para se prepararem para as suas futuras carreiras, respondo- lhes: “Parem de andar à procura de um emprego.” Pode parecer um conselho estranho para estudantes de um MBA (Master of Business Administration). Afinal, os seus graus académicos destinam-se a catapultá-los directamente para os níveis superiores da América empresarial e a maioria dos estudantes inicia os seus estudos com o objectivo de conseguir um emprego. O problema é que os empregos já não são o que eram. O crescimento do número de postos de trabalho está a estagnar, e os empregos a tempo inteiro são incertos e arriscados. As empresas já não fazem promessas de segurança profissional nem financeira à força de trabalho actual.

Cada vez mais, tanto as empresas como os trabalhadores preferem e optam pelos acordos de trabalho mais flexíveis e independentes que são proporcionados pela economia gige, ao fazê-lo, estão a transformar o como, onde e quando trabalhamos. Cerca de 20% 30% da população em idade laboral desempenha algum tipo de trabalho independente, de acordo com o McKinsey’s Global Institute, e esta percentagem está a aumentar rapidamente. A melhor preparação que posso oferecer aos estudantes é ajudá-los a desenvolver a mentalidade, as aptidões e as ferramentas para serem bem-sucedidos neste novo mundo do trabalho independente. Na aula do MBA que lecciono, existem três razões específicas pelas quais digo aos meus estudantes que deixem de procurar um emprego. A primeira é que os empregos a tempo inteiro estão a desaparecer.

O sector privado costumava criar e acrescentar à economia empregos a tempo inteiro a uma taxa de 2% a 3% ao ano. Em 2000, durante o crash das empresas dot-com, essa percentagem caiu para menos de 2%. Em 2008, a taxa de criação de empregos caiu ainda mais – para menos de 1% – e manteve-se a este nível historicamente baixo ao longo de 2015. Os economistas Larry Katz e Alan Krueger chegaram à conclusão de que todo o crescimento líquido de emprego nos EUA ao longo da última década provinha de acordos de trabalho alternativos, não de empregos a tempo inteiro.

Outra causa do declínio nos empregos é a estagnação do nosso motor do crescimento do emprego. São as empresas jovens, não as pequenas empresas, como se geralmente se crê, que criam a maior parte dos novos postos de trabalho. O crescimento de novas empresas jovens situa-se a níveis historicamente baixos, e as empresas que efectivamente nascem estão a criar menos postos de trabalho. As empresas startupcostumavam criar cerca de 3 milhões de postos de trabalho por ano nos EUA, mas isso desceu para pouco mais de 2 milhões por ano.

Em vez de criarem empregos, as empresas estão cada vez mais a separar trabalho e emprego. Por exemplo, cada vez menos existem empregos de jornalista a tempo inteiro, mas existe bastante trabalho de reportagem de freelancers. Da mesma maneira, aquele antigo emprego de director comercial transformou-se agora no trabalho produzido por um adjudicatário de redes sociais, uma agência de relações públicas em outsourcing e um consultor de estratégia de marketing. Onde antigamente existiam empregos, na economia gig existe hoje em dia apenas trabalho. O conselho que dou aos meus estudantes é que procurem bastante trabalho, não empregos cada vez mais escassos.

A segunda razão por que aconselho os meus estudantes a deixarem de procurar um emprego é o facto de os empregados a tempo inteiro estarem a tornar-se o trabalhador de último recurso. Em vez de preferirem empregados a tempo completo, muitas empresas empenham-se hoje em dia em evitá-los e procuram maneiras de construir os seus modelos de empresa e gerir as sociedades com o menor número possível de empregados a tempo inteiro.

Os empregados a tempo inteiro são a fonte de trabalho mais dispendiosa e menos flexível, qualidades que os tornam pouco atraentes para a América empresarial e para as startups do Silicon Valley. Os nossos políticos têm perpetuado uma estrutura obsoleta do mercado de trabalho, em que as empresas pagam impostos elevadíssimos pelos empregados a tempo inteiro e são obrigadas a proporcionar determinados benefícios e protecções unicamente aos empregados a tempo inteiro, o que significa que contratar um empregado custa significativamente mais do que um trabalhador independente.

Além disso, tanto os mercados de capital público como privado têm um forte historial de recompensarem as empresas com avaliações mais altas quando elas limitam ou reduzem o número dos seus empregados. Não é por isso de surpreender que a tendência para contratar trabalhadores a tempo parcial e adjudicatários independentes, para a automatização e para o outsourcing se tenha tornado constante, generalizada e crescente.

Isto não significa que os empregados a tempo inteiro desapareçam completamente. Haverá sempre necessidade de um pequeno núcleo duro de trabalhadores essenciais, talentos com grande procura e lugares de administração sénior, que as empresas pretenderão preencher com empregados a tempo inteiro, por motivos de qualidade, consistência e continuidade.

Porém, fora desse núcleo duro, as empresas deparam-se com poderosos incentivos económicos e de mercado para manter baixo o número dos seus empregados.

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