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A faceta reservada do banqueiro que tomou as rédeas do BPC

31/03/2017 - 10:50, Capital Humano, featured, Upgrade

Já foi vice-governador do BNA e vice-presidente do Banco BNI. A verdade é que a experiência acumulada no sector financeiro revelou competências que o conduziram a chairman do BPC.

Por Roberto Alves

roberto.alves@mediarumo.co.ao 

Ricardo Viegas d’Abreu parecia estar confortável com a posição de número dois, nas duas últimas instituições financeiras por onde passou. Mas, ao tornar-se no novo PCA do Banco de Poupança e Crédito (BPC), tem agora a oportunidade de demonstrar as competências reunidas durante os 20 anos de sector financeiro em Angola.

O seu último cargo no aparelho do Estado, antes de desempenhar funções como consultor do ministro das Finanças, foi o de vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA).
Esteve antes na vice-presidência do Banco de Negócios Internacional (BNI), entre 2006 e 2008. Mas foram os nove anos anteriores em que esteve como quadro sénior ao nível de direcção, no Banco BAI, que lhe terão enxertado a matriz com que construiu a sua carreira na banca.

O economista é muitas vezes considerado uma pessoa reservada e com um forte sentido de responsabilidade.

Um homem firme, destemido e que gosta de quebrar convenções pouco pragmáticas. Um dos traços mais marcantes da sua personalidade talvez seja o destemor de trilhar caminhos novos. Além disso, uma pessoa talhada para missões. “Sempre estive disponível para ajudar e dar o meu contributo para que possamos ver Angola como um país de que todos nos orgulhamos e onde gostamos de viver”, disse o PCA, numa entrevista que concedeu à revista Villas e Golfe.

Ele considera-se “um técnico, e não um político”, apesar de ter militância activa no partido maioritário, o MPLA. “As minhas ambições estão por isso muito alinhadas na perspectiva de vida e de servir, ou de prestar um serviço à nação, pelo conhecimento técnico que procuro acumular, e que posso, deste modo, transmitir e transferir para os outros”, referiu à fonte.

A ciência diz que a trajectória de um homem começa na sua concepção, mas este economista, especialista em macroeconomia, foi formado pela Universidade Lusíada de Lisboa em 1994. Mas a licenciatura não bastava, por isso aprimorou os conhecimentos, para se focar especificamente em finanças, pela Universidade de Bath, no Reino Unido, onde concluiu um MBA em 1996.

Ricardo incorporou a equipa que viu o primeiro banco privado angolano nascer, o actual BAI, em 1997.

Nove anos depois, saiu. Foi co-fundador de um outro banco, BNI – Banco de Negócios Internacional. Em 2008, passou a exercer funções no sector público. Um ano depois, foi nomeado vice-governador do BNA. Sai em 2015, passa a leccionar cursos de pós-graduação na Universidade Católica do Porto e no MBA Atlântico.

Ricardo d’Abreu está familiarizado ao mais alto nível com questões de dimensão institucional de uma organização grande e complexa com responsabilidades de Estado, tal como é o BPC, como uma instituição que serve os cidadãos. Após seis anos no banco central, disse numa ocasião posterior que os lugares públicos não são vitalícios. “Saí com um sentimento de missão cumprida, naquilo que foram as orientações e missão que nos foi confiada. É importante perceber que, face a novas circunstâncias e novos desafios, outros podem ter um perfil mais adequado para lidar com elas.”

Volvidos dois anos, o curso da vida lançou-o para a este novo desafio, tendo ele mesmo o perfil adequado para dirigir o “turnaround” de página no maior banco público do País.

Então é com esse mesmo sentimento de missão que o novo chairman do BPC estará a encarar os desafios, ainda maiores, que tem pela frente, especialmente num sector muito dinâmico e em permanente evolução.

Se, enquanto vice-governador do BNA, teve de lidar com temas relacionados com questões administrativas, supervisão, capital humano, política monetária e cambial, agora lidera uma nova era no BPC, cujas palavras-chave são, em tese, segundo a Assembleia Universal de Accionistas, a recapitalização, a estabilidade, a recuperação e a rentabilização das finanças públicas, no quadriénio 2017 a 2021.

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