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Inteligência emocional. Você tem autodomínio?

22/05/2017 - 09:54, Capital Humano

A mestria de conhecer e reconhecer as emoções em si e em outros, na óptica de Daniel Goleman.

Por Cláudia Simões

claudia.simoes@mediarumo.co.ao

De escrituras budistas a pensamentos filosóficos de Nietzsche, a viagem pelo autoconhecimento sempre pairou na mente humana. “Conhece-te a ti mesmo”, diz a máxima da Grécia Antiga. E, como não estamos diante do Oráculo de Delfos, até que ponto nos conhecemos a nós mesmos ou exercitamos a introspecção? Um dos best sellers de Daniel Goleman não responde a estas perguntas, mas traça o caminho para melhor entendimento de nós mesmos, utilizando a inteligência emocional (IE). No livro escrito em 1995, ‘Emotional Intelligence – Why it can matter more than IQ, apresenta a IE como uma ampla gama de competências e habilidades que impulsionam o desempenho de liderança, e que consiste em cinco áreas.

Primeiro, a auto-regulação, que é a capacidade de controlar ou redireccionar impulsos perturbadores e humores, ou seja, a propensão para se suspender o julgamento e pensar antes de agir. Os pontos de referência desta característica incluem confiabilidade, integridade e abertura à mudança.

Paixão pelo trabalho, não pelo dinheiro

Em segundo, motivação interna. Neste caso, Goleman determina a paixão de trabalhar por razões internas que vão para além do dinheiro e do status – que são recompensas externas – como uma visão interior do que é importante na vida: uma alegria em fazer algo ou a curiosidade na aprendizagem.
A empatia é a capacidade de compreender a composição emocional de outras pessoas e que permite tratá-las segundo as suas reacções emocionais.
Contudo, o escritor sublinha que a empatia não implica necessariamente compaixão.

A motivação é outro factor em ter em conta, sendo importante exercitála para concretizar objectivos. Normalmente, pessoas com um alto grau de IE são motivadas e estão dispostas a adiar resultados imediatos para o sucesso a longo prazo. São altamente produtivas, adoram desafios e são eficazes em tudo quanto fazem.

A última ‘esfera’ por que se norteia a IE são as habilidades sociais: trata-se da proeficiência na gestão de relacionamentos e construção de redes. São consideradas marcas de destaque nesta característica a eficácia na liderança, a persuasão e a perícia.

Para Goleman, as competências emocionais não são talentos inatos, mas, sim, capacidades aprendidas que devem ser ‘trabalhadas’, ou seja, desenvolvidas para se alcançar um desempenho excepcional.

Para quem não seja ‘senhor’ da sua IE e deseje ter domínio sobre a matéria, o escritor, em conversa com a plataforma educacional ‘Big Think’, aconselha uma auto-análise, de modo a que consiga notar a existência ou não de um padrão de problemas no domínio das relações humanas.

Sucesso de vendas mundial

Daniel Goleman é psicólogo e antigo cronista do The New York Times, onde reportou matérias sobre o cérebro e a ciência comportamental. Na altura do lançamento, o livro manteve-se na lista dos best-sellers durante um ano e meio, tendo vendido cinco milhões de cópias, com tradução para 40 línguas.
A revista norte-americana TIME considerou-o um dos 25 livros mais influentes em Business Management. Apesar de o termo ‘inteligência emocional’ ter sido apresentado inicialmente por Michael Beldoch num ensaio em 1964, foi com a obra literária de Goleman que se popularizou.

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