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Na busca da felicidade e do sucesso é preciso fazer as escolhas certas

21/02/2017 - 08:00, Capital Humano

Devia ter sido mais um perdedor, um alcoólico. Mas a determinação transformou-o em milionário.

Por Fernanda Mira

Chris Gardner nasceu em 1954, no Wisconsin. Não teve uma infância fácil. E a sua vida foi um desafio constante ao destino da pobreza que lhe estava destinado. Hoje, aos 63 anos, tem uma fortuna avaliada em mais de 60 milhões USD, um filme que conta o seu percurso, e corre o mundo para dar palestras sobre como é possível vencer quando se acredita que se pode. Gardner nunca conheceu o pai.

Cresceu num bairro muito pobre de Milwaukee com a mãe, Bettye Jean, e com um padrasto alcoólatra e violento. Esta relação difícil haveria de levar o pequeno Chris até uma família adoptiva, quando a mãe, num momento de desespero, tentou matar o marido.

Hoje, Gardner garante que foi a mãe que sempre o inspirou e lhe passou os ensinamentos para ultrapassar todas as dificuldades. “Tive uma uma mãe à moda antiga, ela dizia-me todos os dias: ‘Filho, podes ser ou fazer tudo o que quiseres. E eu acreditava totalmente nisso.”

O empresário era fascinado, como quase todas as crianças, pelos atletas de basquetebol. A vida que tinham, o dinheiro que ganhavam. E a mãe, sempre que ele comentava, dizia-lhe: “Filho, um dia serás tu a ganhar um milhão de dólares.”

E ele ganhou. Mas, até lá chegar, passou quatro anos na Marinha dos Estados Unidos. Em 1974, foi para São Francisco e começou a trabalhar como vendedor de equipamentos médicos. Entretanto, já casado, com um filho pequeno e com pouco dinheiro, pensava todos os dias em como reverter a situação.
E são os pequenos acasos que nos mudam a vida. A de Gardner mudou quando viu um homem num Ferrari vermelho à procura um lugar de estacionamento. Impressionado com o carro, ofereceu-lhe o seu lugar em troca da resposta a uma pergunta:

“O que é que o senhor faz? E como faz?” Surpreendido, o homem disse–lhe que era corretor da bolsa de valores, vendia acções e facturava 80 mil USD por mês. “Naquele momento, tomei duas decisões: entrar no negócio de acções e comprar um Ferrari”, conta Gardner.

O dono do Ferrari era Bob Bridges – e foi ele quem conseguiu que Gardner fosse entrevistado para a vaga de um estágio na DWR. Não foi tão fácil.
Em 1981, obteve licença para operar oficialmente na bolsa de valores. Depois, conseguiu entrar na conceituada Bear, Stearns & Company.
Trabalhou em São Francisco e, mais tarde, haveria de ir para Nova Iorque. Desde então, nunca mais parou.

Em 1987, tornou-se empresário independente e abriu a sua própria companhia, a Gardner Rich.

À BBC disse que “não mudaria nada” no seu percurso. “Sofri quando era criança, mas os meus filhos não têm de passar por isso”, afirma. Garantindo: “Tudo o que me aconteceu foi porque fiz as escolhas certas.”

A história de Gardner é tão intensa e improvável, que Hollywood apaixonou-se por ela e, em 2006, estreou Em
Busca da Felicidade, onde o actor Will Smith veste a pele do empresário, num drama intenso e onde a mensagem de esperança e do querer assume todo o protagonismo.

Gardner é a prova de que nem todos somos produtos do ambiente que nos rodeia: “Eu devia ter sido mais um perdedor, alcoólico, analfabeto, espancador de mulheres e abusador de crianças. Eu escolhi seguir a luz da minha mãe e de outras pessoas com as quais não compartilho uma só gota de sangue.”

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