Mercado

Não lhe apetece trabalhar? Siga estes três conselhos

06/02/2018 - 14:57, Capital Humano

Consegue imaginar como se sentiria menos culpado, tenso e frustrado se pudesse obrigar-se a fazer as coisas que não lhe apetece fazer?

Por Harvard Business Review

A boa notícia (e é mesmo boa) é que pode deixar de adiar as coisas, recorrendo à estratégia certa. Perceber que estratégia usar depende da razão pela qual procrastina:

Razão n.º 1

Está a adiar uma coisa porque tem medo de fracassar.

Solução: Adopte um “foco de prevenção”.

Há duas maneiras de olhar para qualquer tarefa. Pode fazer uma coisa porque, em resultado, ficará em circunstâncias melhores do que as actuais – vê-la-á como uma concretização ou a realização de um objectivo.

Quando pensa, por exemplo,“Se concluir este projecto com sucesso, vou impressionar o meu chefe”, ou “Se me exercitar regularmente, terei um aspecto fantástico”.

Os psicólogos chamam-lhe foco de promoção – e as pesquisas demonstram que, quando tem um, é motivado pela ideia de obter ganhos e trabalha melhor, sentindo-se entusiasmado e optimista. Soa bem, não soa? Mas, se está com medo de falhar na tarefa em questão, este não é o foco indicado para si. A ansiedade e a dúvida minam este tipo de motivação, o que diminui as probabilidades de realizar qualquer acção.

O que lhe faz falta é uma maneira de abordar o que precisa de fazer que não seja minada pelas dúvidas – de preferência, uma maneira que se alimente das dúvidas. Quando tem um foco de prevenção, em vez de pensar em como pode acabar em melhores circunstâncias, vê a tarefa como uma forma de manter aquilo que já conseguiu, evitando um prejuízo. Para quem tem um foco de prevenção, completar um projecto com êxito é uma maneira de evitar que o chefe se zangue ou pense mal de si. Exercitar-se regularmente é uma maneira de “não se deixar ir”. Décadas de pesquisa, que descrevo no meu livro Focus, mostram que a motivação de prevenção é, na verdade, aumentada pela ansiedade acerca do que pode correr mal. Quando se concentra em evitar um prejuízo, torna-se claro que a única maneira de ficar fora de perigo é agir imediatamente. Quanto mais preocupado está, mais depressa começa a fazer alguma coisa. Eu sei que isto não parece muito divertido, particularmente se for mais do género que funciona pela promoção, mas provavelmente não existe melhor maneira de ultrapassar a sua ansiedade relativamente ao fracasso que dedicar alguma reflexão séria a todas as consequências terríveis de não fazer nada. Vá lá, pregue um valente susto a si mesmo. É uma sensação horrível, mas funciona.

Razão n.º 2

Está a adiar uma coisa porque não lhe “apetece” fazê-la.

Solução: Faça como o Spock (a personagem de Star Trek) e ignore os seus sentimentos. Eles estão a atrapalhar- lhe o caminho No seu excelente livro The Antidote: Happinessfor People Who Can’t Stand Positive Thinking, Oliver Burkeman salienta que, na maioria das vezes, quando dizemos coisas como “Simplesmente não consigo sair da cama cedo” ou “Não consigo convencer-me a fazer exercício”, o que queremos dizer é que não conseguimos fazer com que essas coisas nos apeteçam. Afinal, ninguém está a amarrá-lo à cama todas as manhãs. Não há “gorilas” a barrar-lhe a entrada do ginásio. Fisicamente, nada o impede. Só não lhe apetece. Mas, como Burkeman pergunta,

“Quem disse que precisa de esperar até lhe apetecer fazer alguma coisa para começar a fazê-la?”

Pense nisso por um minuto, porque é realmente importante. Em qualquer ponto do caminho, todos aderimos à ideia – sem termos consciência disso – de que, para estarmos motivados e sermos eficazes, temos de ter vontade de partir para a acção.

Temos de estar ansiosos por o fazer. Na verdade, não sei porque acreditamos nisto, pois é um disparate completo. Sim, em certa medida, precisamos de estar comprometidos com o que estamos a fazer – temos de querer ver o projecto concluído, ou ficar mais saudáveis, ou começar o dia mais cedo. Mas não tem de nos apetecer fazê-lo.

De facto, como Burkeman salienta, muitos dos mais prolíficos artistas, escritores e inovadores vieram a sê-lo, em parte, por confiarem em rotinas de trabalho que os obrigaram a dedicar um certo número de horas por dia, por mais que estivessem sem inspiração (ou, muitas vezes, ressacados). Burkeman recorda-nos a observação do famoso artista Chuck Close, de que “A inspiração é para amadores. Os outros, simplesmente, aparecem e metem-se ao trabalho”.
Então, se está aí sentado a adiar qualquer coisa porque não lhe apetece, lembre-se de que não é preciso apetecer-lhe. Não há nada a impedi-lo.
Razão n.º 3

Está a adiar alguma coisa porque é difícil, chata ou desagradável.

Solução: Use a estratégia “se…, então…”.

Demasiadas vezes tentamos resolver este problema particular através da pura força de vontade: “Da próxima vez, vou obrigar-me a começar a trabalhar nisto mais cedo.”

Claro que, se realmente tivéssemos a força de vontade para o fazer, nunca teríamos começado por procrastinar.

Estudos demonstram que as pessoas costumam sobrestimar a sua capacidade de autocontrolo e confiam demasiadas vezes nela para evitar sarilhos. Faça um favor a si mesmo e aceite o facto de que a sua força de vontade é limitada e que nem sempre estará à altura do desafio de o pôr a fazer as coisas que considera difíceis, entediantes ou horríveis. Em vez disso, use um planeamento “se…, então…” para concretizar a tarefa.

Fazer um planeamento “se…, então…” é mais do que simplesmente decidir os passos específicos a dar para concluir um projecto – é também decidir quando e onde vai dá-los. Se forem duas horas, então paro o que estiver a fazer e começo a trabalhar no relatório que o Bob pediu.

Se o chefe não mencionar o meu pedido de aumento na nossa reunião, então levanto novamente o assunto antes de a reunião terminar.

Decidindo previamente o que vai fazer, e quando e onde o fará, não tem nada para decidir quando o momento chegar. Nada de “Tenho mesmo de fazer isto agora?”, nem “Isto não pode ficar para depois?”, ou “Talvez devesse fazer antes outra coisa”.

É quando deliberamos que a força de vontade se torna necessária para fazer a escolha difícil. Porém, os planos “se…, então…” reduzem dramaticamente as exigências colocadas à nossa força de vontade, assegurando que tomámos a decisão correcta muito antes do momento crítico. De facto, em mais de 200 estudos, o planeamento “se…, então…” provou aumentar as taxas de concretização de objectivos e produtividade numa média de 200%-300%. Compreendo que as três estratégias apresentadas – pensar nas consequências do fracasso, ignorar os seus sentimentos

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.