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Nasceu no Gana e agarrou a missão de salvar a Uber

07/08/2017 - 08:55, Capital Humano

Deixou o marketing da Apple para assumir o posto de chief brand office da aplicação. Reposicionar a imagem global da companhia está entre os trabalhos desta africana.

A Uber atravessa uma grave crise de imagem pública. As acusações de assédio sexual e discriminação de género já levaram Travis Kalanick, fundador da companhia, a demitir-se do cargo de presidente-executivo, depois da demissão do número 2, Jeff Jones. Para dar a volta, a companhia foi buscar Bozoma Saint John, a executiva que liderava o marketing da Apple Music. “Sei que posso fazer o trabalho – estou qualificada para o cargo, posso fazer um grande trabalho.
Ser apresentada como uma mulher negra é suficiente para ajudar no arranque de algumas das mudanças que pretendo e procuro”, disse Bozoma antes de entrar na Uber.

É quase impossível ficar indiferente à imagem desta mulher. Longe do protótipo de executiva – veste-se seguindo as últimas tendências da moda, partilha imagens descontraídas com a família nas redes sociais, é presença assídua nas festas da elite americana. Bozoma sempre se destacou da multidão. Logo desde criança, quando a sua família se estabeleceu em Colorado Springs, tinha ela 12 anos. Antes, a infância foi vivida num processo itinerante passado entre Gana – onde nasceu em 1977 –, Quénia, Connecticut e Washington DC.

Esta vivência advém do facto de o pai ter sido membro do parlamento do Gana, desde 1979 até ao golpe de Estado em 1981, sendo depois obrigado a sair do país. A mãe desenhava e vendia roupas, e certificava-se de que Saint John e as suas três irmãs mais novas permanecessem ligadas à cultura africana.
“Nos primeiros tempos foi muito difícil”, contou ao The New York Times.

“Ter um nome que as pessoas não sabiam pronunciar – o acento tónico é em ‘Bo’–, ter uma mãe que se recusava a servir piza à sexta-feira à noite quando as amigas iam à sua casa. Ela dizia-nos: ‘Não, vocês vão comer sopa de pimenta, não me importo que fiquem a suar.’” E a executiva passou a apreciar esta firmeza materna.

Ao aceitar um prémio num evento de beneficência artística, oferecido por Russell Simmons em Junho deste ano, Saint John agradeceu à mãe por ter lhe incutido o amor pela cultura africana.

Saint John frequentou a Universidade de Wesleyan, onde aparentemente se preparava para se tornar médica. Ela entrou na faculdade de Medicina, mas convenceu os pais a tirar um ano sabático. “Eles concordaram, foi onde eles erraram”, conta.
Mudou-se, então, para Nova Iorque, disposta a seguir a sua grande paixão: a música. Na Big Apple, serviu em eventos, foi recepcionista num salão de banho e tosquia para cães na zona mais chique: Upper East Side.

A porta de entrada no marketing surgiu na agência Spike DDB (de Spike Lee). A sua eficiência na resolução de problemas chamou a atenção e foi recrutada pela Ashley Stewart, onde foi vice-presidente do marketing, antes de ser líder do marketing de entretenimento e música da PepsiCo com grande sucesso durante uma década.

Em 2014, muda-se para a Beats Music e torna-se chefe do marketing global da iTunes e da Apple Music, que entretanto comprou a Beats Music.
Aos 40 anos enfrenta um enorme desafio. Mas não vacila: “Às vezes sou criticada por me expor de mais, mas o que mais poderei ser senão eu por inteiro.”

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