Mercado

Nigéria é pequena demais para Dangote

22/10/2015 - 12:27, Capital Humano, Upgrade

A diversidade é o middle name dos negócios de Aliko Dangote. Não deve haver um lar nigeriano onde um qualquer produto das suas indústrias não tenha entrado.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

Aliko Dangote não deve a sua fortuna ao petróleo mas ao cimento, ao açúcar e à farinha. É um empreendedor apátrida, destribalizado e generoso – foi notável o seu esforço financeiro e institucional para debelar a epidemia do ébola. É um homem comprometido com as pessoas e com o desenvolvimento do continente. E, se quiser entender as dinâmicas do comércio global, é simples, siga os negócios do nigeriano mais rico do mundo.
Por estes dias, a Dangote Cement, dirigida por Aliko Dangote, ganhou o African Business Awards 2015 para o Negócio do Ano. O gigante nigeriano dos cimentos está a expandir a sua produção por mais de 16 países africanos, na antecipação de um boom de infra-estruturas e construção. Os jurados destacaram a capacidade de Dangote para desenvolver novos produtos e ganhar quota de mercado, subjacente à expansão dos negócios.
A Dangote Cement iniciou as suas operações pan-africanas com um investimento de mais de 4 mil milhões USD. Os projectos de expansão incluem novas fábricas de cimento no Senegal, África do Sul, Zâmbia, Tanzânia, Etiópia, República do Congo e Quénia, ainda nos Camarões, Gana, Costa do Marfim, Serra Leoa e Libéria. A ideia é clara: a auto-suficiência do continente na produção de cimento. Com metade da produção a ser feita fora da Nigéria, já em 2017.
Alhagi Aliko Dangote, da etnia hausa (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental), nasceu em 10 de Abril de 1957, numa abastada família muçulmana, em Kano, na Nigéria.
O que viria a ser escreveu-se com as primeiras letras na escola primária. Dangote conta que na escola primária comprava caixas de doces para… vender e lucrar com isso. Quando chegou à Universidade de Al-Azhar, no Cairo, para estudar Economia, não sabemos se terá prosseguido com essa vocação lucrativa na prática, ou ficou só pela teoria. Sabemos que, licenciado, voltou para a Nigéria para trabalhar com o tio Sanusi Abdulkadir Dantata. E foi o tio Dantata que, eventualmente, lhe deu um empréstimo quando ele tinha apenas 21 anos para começar o seu próprio negócio.
O negócio deste homem, a quem todos reconhecem competências extraordinárias e uma argúcia invejável, iniciou-se em 1977, com o açúcar, sal, farinha e cimento. Hoje, os investimentos do grupo incluem bancos (e serviços financeiros), têxtil, imobiliário, petróleo e gás – está na exportação, importação, indústria, imobiliário e filantropia. Conta com 11 mil funcionários e é um dos maiores conglomerados da África Ocidental. Numa expansão sem fim, foi considerado, em 2009, o melhor fornecedor de empregos na indústria da construção civil nigeriana, virtude que ele tem estendido a vários países do continente. Talento, tenacidade, resiliência, sorte e o toque de Midas em todos os negócios.
Dangote é um exemplo para os jovens e para os gestores de todo o mundo. Num artigo na Harvard Business Review, Jonathan Berman escreveu que, enquanto os CEO americanos se reúnem em palestras e seminários para falarem da incerteza da economia global, Dangote, impassível, investe… na incerteza dos países africanos e do mundo. Para Dangote, “num mercado sem fronteiras, a incerteza não é inibidora, é uma oportunidade. É a condição em que surge uma oportunidade”, escreveu Berman.
Aliko Dangote é casado e tem três filhas. É um muçulmano que tem um católico como seu braço-direito.
E numa vida de sucesso é possível existir um contratempo? Um enorme e intransponível contratempo? Um contratempo do género que dói tanto como marcar o golo da vitória do adversário da própria baliza? Bom, chega de drama. Aliko Dangote pode ser o homem mais rico de África, o africano negro mais rico do mundo, mas não consegue comprar o Arsenal, o clube da Premier League inglesa. Asua proposta foi rejeitada pelos proprietários do clube, em 2010, e voltou a ser rejeitada em 2015. Dangote não desiste, espera por um preço justo, porque diz: “Eu podia comprar o Arsenal, bastava-me fazer uma proposta irrecusável, a que os proprietários não iriam resistir. Mas tenho a minha estratégia.” Se a estratégia de Dangote for bem-sucedida, ele seria o primeiro multimilionário africano a ter um clube da Premier League. Seria parceiro num outro jogo do russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, ou de Abu Dhai Sheikh Mansour, que controla o Manchester City.

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1 Comentário

  1. maryCah9 07/02/2016 - 02:07

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