Mercado

O que diferencia os inovadores para o autor de Outliers

04/11/2016 - 12:30, Capital Humano, Empreendedor

Num evento tecnológico, Malcolm Gladwell explicou a importância do contexto social na inovação e o que diferencia os verdadeiros inovadores.

Por Ana Rita Guerra

Na era do empreendedorismo em série, o que é que faz de alguém um inovador a sério? O que o distingue de todos os outros que estão a tentar sobreviver num mercado em que startup se invenções surgem como cogumelos?

Malcolm Gladwell, autor do livro Outliers, jornalista da The New Yorker e orador frequente em eventos sobre inovação, tem uma perspectiva peculiar sobre isto. Durante o evento Dell EMC World, que decorreu em Austin, Texas, o autor fez uma apresentação em que falou da dimensão social da inovação.

É algo em que não costumamos pensar. “Há a coisa que estamos a inovar e o contexto em que o estamos a fazer”, declarou Gladwell.

Usando os exemplos de várias pessoas que considera verdadeiros inovadores ao longo da história, como o médico que revolucionou o tratamento de cancro com quimioterapia, dr. Freireich, e o incontornável Steve Jobs, da Apple, Gladwell identificou os traços que são comuns a estes empreendedores que operam verdadeiras disrupções no mundo.

Em todos os sectores. Estas são as características:

1. O inovador tem de navegar as águas tumultuosas da sociedade em que se insere e perseverar quando ninguém acredita nele

Quando o dr. Freireich teve a ideia de combinar as quatro drogas que eram usadas para tratar cancro, com elevadas doses de toxicidade e poucos efeitos nas crianças com cancro, a comunidade médica achou que ele estava louco. Não era assim que se faziam as coisas. “Mas este é um caso clássico de inovação. Ele teve uma ideia e correu um enorme risco operacional e social para a testar”, disse Gladwell.

2. O inovador tem um sentido premente de urgência

Em vez de seguir os passos todos que os que vieram antes de si seguiram, o inovador tem pressa em testar, experimentar, provar, desenhar. Toma atalhos. Quer atacar rapidamente o problema para o qual acha que encontrou solução. Gladwell relembrou uma história que mudou o curso da história para ilustrar esta faceta. Nos anos 70, o Xerox Park era o epicentro da investigação e do desenvolvimento tecnológico do mundo. A Xerox tinha contratado os 60 engenheiros mais brilhantes do mundo. Quase todas as inovações que associamos aos computadores hoje vieram dali.

Em Dezembro de 1979, tiveram a visita de um jovem chamado Steve, que tinha uma pequena empresa de computadores do outro lado da rua.

Os engenheiros da Xerox Park mostraram-lhe a interface gráfica, e ele ficou de queixo caído: aquilo era o futuro. Uma interface gráfica para que o utilizador não tivesse de introduzir linhas de comando! Ele saidali a correr, saltou para o seu velho Beetle, foi a conduzir a 80 km/hora pela rua abaixo e disse aos seus engenheiros para pararem tudo o que estavam a fazer. O seu nome era Steve Jobs, e o que resultou desta epifania foi o Mac.
“O que é que distinguia Jobs dos engenheiros do Xerox Park? Eles são inteligentes. Inventaram aqui tudo.

Seria ele um visionário, que viu o futuro com mais clareza? Teria ele mais recursos? Não. Ele tinha pressa. Tinha um sentido de urgência.

Dinheiro Vivo*

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