Mercado

Os “campeões ocultos” que criam empregos na Alemanha

02/06/2017 - 11:43, Capital Humano, Gestão

Acredito que os campeões ocultos fornecem um modelo de crescimento inclusivo que vale a pena imitar.

Por Hermann Simon*

Apenas cerca de 1,1% da população mundial é alemã. Contudo, 48% dos líderes de mercado mundiais de média dimensão vêm da Alemanha. Estas empresas, a que chamo “campeões ocultos”, são parte do que torna o crescimento económico alemão mais inclusivo: pelos meus cálculos, criaram 1,5 milhões de novos empregos, cresceram em média 10% ao ano e registaram cinco vezes mais patentes por empregado do que as grandes corporações. E são resilientes: a minha estimativa é de que, nos últimos 25 anos, não mais de 10% delas desapareceram ou sofreram um take over, uma percentagem significativamente inferior à das grandes corporações.

Quase todas sobreviveram à grande recessão de 2008-2009. Além disso, os campeões ocultos também contribuíram para a sustentação da base produtiva alemã, e deve-se em grande parte a eles que quase um quarto do PIB alemão continue a vir da produção.
Esta percentagem na maioria dos outros países altamente industrializados, como os Estados Unidos, o Reino Unido ou a França, é cerca de metade deste valor. O efeito no emprego é imenso.

A produção cria empregos no país, permitindo ao mesmo tempo que as empresas, através das exportações, contribuam para o crescimento dos países emergentes.
Tendo em conta este sucesso, não é de surpreender que muitos legisladores e economistas não alemães tenham analisado os campeões ocultos a fim de tentarem estabelecer um caminho para um crescimento mais inclusivo nos seus próprios países. Contudo, será este sucesso replicável? Embora outros países possam tentar imitar aspectos do que torna os campeões ocultos tão bem-sucedidos, as razões para o seu sucesso são o resultados de redes complexas de factores,
muitos deles históricos.

Um campeão oculto é definido por três critérios:

1) a empresa tem de estar no top3 mundial e ser a primeira no seu continente;

2) a sua receita deve estar abaixo dos 5 mil milhões EUR e,

3) deve ser pouco conhecida do público em geral.

A Alemanha parece ser excepcionalmente boa a criar estas empresas: identifiquei 2734 campeões ocultos em todo o mundo, e 1307 estão na Alemanha. Poder-se-á argumentar que a minha pesquisa é mais profunda na Alemanha do que noutros países, e é provável que eu não o possa contradizer. Mas investigadores de outros países também analisaram este fenómeno e descobriram muito menos campeões ocultos nos seus países. Um colega que procurou campeões ocultos no Japão durante anos identificou apenas 220 empresas, um investigador em França encontrou apenas 100. À parte a Suíça e a Áustria, o número per capita de campeões ocultos nem sequer se aproxima do da Alemanha.

 

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