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Prémio Nobel de Economia atribuído a Angus Deaton

13/10/2015 - 11:30, Capital Humano, Upgrade

O britânico-americano Angus Deaton, de 69 anos, foi premiado com o Nobel da Economia pelos seus estudos sobre consumo e pobreza. “Para elaborar políticas económicas que promovam o bem-estar e reduzam a pobreza, devemos entender em primeiro lugar as opções individuais de consumo. Angus Deaton, mais do que ninguém, melhorou esta compreensão”, explicou a Real […]

O britânico-americano Angus Deaton, de 69 anos, foi premiado com o Nobel da Economia pelos seus estudos sobre consumo e pobreza.

“Para elaborar políticas económicas que promovam o bem-estar e reduzam a pobreza, devemos entender em primeiro lugar as opções individuais de consumo. Angus Deaton, mais do que ninguém, melhorou esta compreensão”, explicou a Real Academia Sueca de Ciências ao anunciar o nome do premiado.

As pesquisas de Deaton, “ao colocar em evidência a relação entre as opções individuais e os seus efeitos no conjunto da economia, contribuíram para transformar a macroeconomia, a microeconomia e a economia do desenvolvimento”, acrescentou o júri do Nobel.

Angus Deaton, proveniente de Edimburgo, na Escócia, trabalha desde 1993 como professor de Economia e Assuntos Internacionais na Universidade de Princeton, em Nova Jersey, Estados Unidos.

Três contribuições

O prémio, explicou o comité Nobel, é um reconhecimento a três grandes contribuições. Nos anos 80, Deaton elaborou com o colega John Muellbauer o conceito de “sistema quase ideal de procura”, que estudava o comportamento dos consumidores. Nos anos 90, estudou o vínculo entre consumo e rendimento. Depois mediu os padrões de vida e pobreza em países em desenvolvimento, através de uma metodologia de pesquisas em lares. Esta metodologia permitiu deitar nova luz sobre a relação entre rendimento e ingestão de calorias ou sobre a discriminação de género no seio das famílias.

Desenvolvimento desigual

Graças aos trabalhos de Deaton, “a economia do desenvolvimento passou de um campo teórico de dados acumulados para um campo empírico, baseado em dados individuais detalhados”, disse o júri do Nobel da Economia no anúncio do prémio. Angus Deaton mostra-se optimista a respeito do progresso económico no mundo. No seu livro “The Great Escape” destaca os avanços no bem-estar, sobretudo em matéria de longevidade e prosperidade. Numa videoconferência com os jornalistas que cobriam o anúncio do Nobel, reafirmou a convicção de que a pobreza vai continuar a retroceder. “Vai continuar a diminuir. Assistimos a uma notória redução nos últimos 20 a 30 anos e a minha expectativa é de que vai continuar”, declarou Deaton.

Mas admitiu que ainda há muito a ser feito, em face da existência de 700 milhões de pessoas que continuam a viver em condições de extrema pobreza, segundo estatísticas do Banco Mundial.

A redução da pobreza deve ser uma resposta, “embora não a curto prazo”, à actual crise de refugiados, cujas causas remontam a desequilíbrios seculares. “O que vemos  é o resultado de séculos de desenvolvimento desigual que deixaram uma parte do mundo para trás”, afirmou o premiado.

O valor do prémio Nobel de Economia é de 950 mil dólares. No ano passado o prémio foi concedido ao economista francês Jean Tirole pelos estudos realizados sobre as grandes empresas e os mecanismos do mercado.

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