Mercado

Procrastinação. Como batê-la e vencê-la

18/11/2016 - 10:53, Capital Humano, Empreendedor

Podemos parecer e sentir-nos atarefados enquanto evitamos astutamente as tarefas que realmente importam.

A procrastinação surge sob vários disfarces. Podemos decidir-nos a empreender uma tarefa e depois arranjar inúmeras razões para a adiar. Podemos dar prioridade a tarefas que é possível riscar facilmente da lista de afazeres — por exemplo, responder a e-mails — enquanto deixamos as coisas grandes e complicadas para o dia seguinte.

Podemos parecer e sentir-nos atarefados enquanto evitamos astutamente as tarefas que realmente importam. E, quando olhamos para todos esses itens intocados no fundo da lista, não podemos deixar de nos sentir um pouco desapontados com o nosso desempenho.

O problema é que os nossos cérebros estão programados para procrastinar. Em geral, todos temos dificuldades com as tarefas que nos prometem vantagens futuras em troca de esforços presentes. Isto acontece porque é mais fácil para os nossos cérebros processarem coisas concretas do que abstractas, e as dificuldades imediatas são muito tangíveis em comparação com esses benefícios futuros, incertos e desconhecidos.

Desta forma, o esforço a curto prazo domina, nas nossas mentes, as vantagens a longo prazo — um exemplo de algo a que os cientistas comportamentais chamam desconto hiperbólico.

Como podemos tornar-nos menos curtos de vistas relativamente às nossas tarefas fugidias? Tem tudo ao ver com o reequilíbrio da análise custo benefício: fazer com que os benefícios da acção pareçam maiores, e os seus custos menores. A recompensa por executar uma tarefa aborrecida tem de parecer maior que a dificuldade imediata de a realizar. Para que os benefícios da acção pareçam maiores e mais reais:

1. Visualize como será fantástico quando a tarefa estiver feita. Os investigadores concluíram que as pessoas têm mais probabilidades de poupar para a reforma se lhes mostrarem fotografias suas digitalmente envelhecidas. Porquê? Porque desta forma o seu futuro “eu” fica mais real, tornando mais importantes os benefícios futuros da poupança.

Quando aplicamos uma versão não tecnológica desta técnica a qualquer tarefa que temos andado a evitar, tirando um momento para visualizar com nitidez os benefícios de a realizar, por vezes é o suficiente para desencalhar. Assim, se houver uma chamada ou um e-mail que anda a adiar, dê uma ajuda ao seu cérebro, imaginando a satisfação que sentirá quando a tarefa estiver concluída — e, se possível, imagine também a expressão de alívio de alguém que obtém de si aquilo de que precisava.

2. Comprometa-se publicamente. Dizer às pessoas que vamos fazer algo pode amplificar poderosamente a vontade de empreender realmente a acção, porque o sistema de recompensas do nosso cérebro reage muito ao nosso prestígio social.

As pesquisas têm comprovado que para nós é muito importante sermos respeitados pelos outros — mesmo desconhecidos. A maioria das pessoas não quer parecer parva ou preguiçosa aos olhos dos outros. Então, quando nos atrevemos a dizer, “Envio-lhe o relatório até ao fim do dia”, acrescentamos benefícios sociais ao cumprimento da nossa promessa, o que pode ser um incentivo suficiente para fazermos das tripas coração.

3. Confronte as desvantagens da inação. As pesquisas também demonstraram que somos estranhamente renitentes a avaliar adequadamente as situações. Embora possamos pesar os prós e os contras de fazer algo novo, raramente consideramos os prós e os contras de não o fazermos.

Conhecido como enviesamento de omissão, leva-nos frequentemente a ignorar alguns benefícios óbvios de fazer as coisas. Suponha que adia constantemente a preparação necessária para uma reunião que se aproxima. É tentado por tarefas mais interessantes, pelo que diz a si mesmo que pode fazer isso amanhã (ou depois).

Obrigue-se, porém, a pensar nas desvantagens de adiar, e perceberá que amanhã será demasiado tarde para obter o necessário input dos seus colegas. Se começar agora, talvez ainda possa falar com eles a tempo e, finalmente, os seus motores arrancam.

4. Identifique o primeiro passo. Por vezes estamos apenas assustados com a tarefa que vamos evitando. Talvez “aprender francês” esteja na nossa lista de tarefas mas, quem é que consegue encaixar isso numa tarde normal?

O truque, aqui, é dividir tarefas grandes e amorfas em pequenos passos que não pareçam necessitar de tanto esforço.

Melhor ainda: identifique o primeiro passo mais pequeno possível, algo tão fácil que até mesmo o seu cérebro enviesado em relação ao presente consiga perceber que os benefícios superam os custos. Então, em vez de “aprender francês”, pode optar por: “mandar um e-mail à Nicole, a pedir conselhos sobre a aprendizagem do francês”.

Atinja esse pequeno objectivo e sentir-se-á mais motivado a dar o próximo passo do que se continuar a recriminar-se pela sua falta de domínio de línguas. Seja exigente consigo próprio nas horas certas. E benevolente quando for preciso, também. É que todos os dias são dias diferentes e , por isso, não há que manter a rotina de acordar sempre mal disposto.Ou com uma hiperactividade extraordinária. Deixe rolar, como diriam os brasileiros. Verá que o seu stresse diminui 500 por cento. E , afinal, a ideia é essa.

5. Associe o primeiro passo a um mimo.Podemos fazer com que o custo do esforço pareça ainda menor se associarmos esse pequeno passo a algo que temos realmente vontade de fazer. Por outras palavras, associamos a tarefa que andamos a evitara algo que não evitamos. Por exemplo, pode permitir-se ler revistas ou livros ligeiros enquanto está no ginásio, porque esse pequeno prazer ajuda a diluir no seu cérebro a percepção do “custo” a curto prazo de se exercitar.
Pode igualmente arranjar a disciplina suficiente para completar uma tarefa fugidia prometendo-se fazê-lo num café agradável, com a sua bebida favorita. Estabeleça estímulos para si próprio e verá que a diferença é marcante.

6. Remova os bloqueios escondidos. Por vezes damos por nós a voltar repetidamente a uma tarefa, sem arranjar vontade para dar o primeiro passo. Ouvimos uma vozinha na nossa cabeça que diz, “Pois, boa ideia, mas… não”.

Nesse momento, temos de fazer algumas perguntas a essa voz, para perceber o que, de facto, torna tão pouco atraente empreender a acção.

Isto não exige necessariamente psicoterapia. Pacientemente, faça a si próprio algumas perguntas começadas com “Porquê?” — “porque é que parece tão duro fazer isto?” e “porque é que isso acontece?” — e o bloqueio surgirá à superfície com alguma rapidez. Muitas vezes, é porque um outro compromisso perfeitamente nobre está a boicotar a nossa determinação.

Por exemplo, suponha que lhe está a ser muito difícil a rotina de estabelecer os seus objectivos diários de manhã.

Alguns “porquês?” podem revelar que a dificuldade provém de ter um desejo igualmente forte de tomar o pequeno-almoço com a sua família.

Quando tiver tornado esse conflito mais explícito, é muito mais provável que arranje maneira de o ultrapassar — talvez estabelecendo os seus objectivos diários na noite anterior ou na viagem para o trabalho. Tente perceber o que verdadeiramente incomoda e depois aja em conformidade para resolver esse pequeno/grande conflito interno.

Da próxima vez que se sentir desorientado pela sua incapacidade de realizar tarefas importantes, seja generoso consigo mesmo. Não se crucifique. Leve um dia de cada vez e leia este artigo com sentido apurado.

Em primeiro lugar , reconheça que o seu cérebro precisa de ajuda para ter uma visão mais abrangente. E faça por isso. Depois, tente dar pelo menos um passo para fazer os benefícios da acção parecerem maiores, vai ver que tem resultados imediatos. E , do mesmo modo, dê um para que os custos da acção pareçam inferiores. A sua lista de afazeres sempre adiados agradecer-lhe-á.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.