Mercado

Serão menos cinco milhões de empregos até 2020

02/01/2017 - 11:18, Capital Humano

É a chamada “Quarta Revolução Industrial” , já está em curso e será a mais abrangente alguma vez vista.

A conclusão é do estudo Future of Jobs, divulgado pelo Fórum Económico Mundial (FEM). “Sem tomarmos, hoje, acções urgentes e direccionadas para lidar com esta transição de curto prazo, de forma a construirmos uma força laboral com capacidades à prova do futuro, os governos irão ter de lidar com um desemprego e um nível de desigualdade sempre crescentes e as empresas vão ver a sua base de clientes diminuir”, refere o estudo do FEM, na síntese dos resultados. Este cenário já é, aliás, uma realidade. As “ameaças disruptivas” ao mercado laboral analisadas pelo FEM levaram a uma estimativa que aponta para a perda de 7,1 milhões de postos de trabalho entre 2015 e 2020, um recuo apenas parcialmente compensado pela emergência de 2 milhões de empregos no mesmo período devido às mesmas razões.

O avanço da inteligência artificial, da robótica, nanotecnologia ou das impressoras 3D, do lado tecnológico, ou os desenvolvimentos geopolíticos e demográficos, incluindo as relações voláteis entre alguns Estados, estão entre os principais factores a ter em conta na rápida transição que o Fórum Económico Mundial antecipa nos próximos cinco anos para o mercado laboral. “Dado o ritmo da mudança em curso, a disrupção dos modelos de negócios vai resultar em impactos quase simultâneos no nível de empregabilidade e no tipo de necessidades que as empresas precisam de preencher, exigindo um esforço urgente e concertado para este ajustamento”, refere o relatório.

Os cálculos presentes no estudo Future of Jobs resultaram de um vasto inquérito realizado em cada uma das 15 maiores economias mundiais, economias essas que absorvem 65% do total de empregos a nível mundial.

Nos inquéritos, as empresas foram divididas por dimensão e sector, permitindo ao FEM chegar a conclusões diferenciadas para cada área de emprego. Dois terços da perda líquida de 5 milhões de empregos a nível global virão precisamente dos trabalhos administrativos e de escritório. Em sentido contrário, a maior parte dos 2 milhões de empregos que serão criados vão surgir em “várias famílias profissionais, mais pequenas”. “As funções de administrativos ou de profissionais de escritório com tarefas rotineiras estão em risco de ser dizimadas”, aponta o estudo, justificando com a crescente capacidade da tecnologia para substituir estas funções.

Já do lado da criação de mais empregos, o FEM salienta que “é expectável que o crescimento no total de postos de trabalho chegue de forma desproporcionada, vindo de vários sectores pequenos mas especializados”. Estes novos empregos vão conseguir absorver alguma da perda regista, mas de forma limitada. “A questão agora é como é que empresas, governos e indivíduos vão reagir perante estes desenvolvimentos”, aponta o FEM.

“Não é possível lidar com a revolução tecnológica actual esperando pela próxima geração, que virá mais bem preparada. Antes é essencial que as empresas assumam um papel proactivo e apoiem os seus trabalhadores na melhoria e aumento das suas capacidades”, recomenda o FEM.

Dinheiro Vivo

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