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Angola no mundo, índices e ratings

07/10/2015 - 11:44, Universidade

Os indicadores internacionais não nos dizem tudo sobre o nosso País, mas dão sinais a ter em conta. A partir de um paper do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Luanda (UCAN), sobre a “Posição de Angola em vários índices internacionais”, de Wilson Silva (economista e investigador assistente do CEIC), […]

Os indicadores internacionais não nos dizem tudo sobre o nosso País, mas dão sinais a ter em conta.

A partir de um paper do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Luanda (UCAN), sobre a “Posição de Angola em vários índices internacionais”, de Wilson Silva (economista e investigador assistente do CEIC), passamos, em síntese, a dar conta de alguns indicadores  ou, melhor, sinalizadores  relevantes para o nosso País na economia, na política e na sociedade.

O autor começa pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que “mede o nível de desenvolvimento de um país através de variáveis como o rendimento per capita e as condições de saúde e de educação”.

É, por isso, um índice abrangente e importante, desenvolvido, nos anos 90, pelos economistas Amartya Sen (Prémio Nobel da Economia , 1998) e Mahbud ul Haq. O indiano e o paquistanês, que se conheceram em Cambridge e ficaram amigos para a vida (Mahbud faleceu em 1998), criaram um índice que, mais do que o desenvolvimento de um país, tem em conta o bem-estar das pessoas que vivem nesse país, desviando a análise da economia pura e dura para as pessoas.

O índice faz parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). E como é que Angola tem evoluído neste índice nos últimos 4 anos? O nosso país tem tido uma evolução ténue, muito ténue, é o 149.º entre 177 países.

Em 2014, as estatísticas das Nações Unidas continuam a agrupar Angola como um país “de desenvolvimento humano baixo”, com uma esperança média de vida inferior à dos países da África subsariana. No entanto, e é um dado a sublinhar, o rendimento per capita dos angolanos tem vindo a crescer.

Os dados mais recentes indicam 2759,15 USD (em 2011, 2576,65 USD). Num outro índice, o da competitividade, Angola, num total de 148 países está em 143.º Há muito a fazer no nosso país no que se refere à competitividade empresarial, e passa por uma maior “eficiência dos governos e dos negócios, e a qualidade das infra-estruturas”, escreve Wilson Silva.

Entrando numa área estritamente económica, é oportuno atendermos aos dados revelados por um outro índice: o da “Liberdade Económica”.

Índices que “demonstram que pessoas que vivem em países com altos níveis de liberdade económica gozam de maior prosperidade, maiores liberdades civis e políticas, e de maior esperança de vida”, podem ler-se no estudo, que, tendo como fonte o Economic Freedom of the World, conclui que, em 2015, Angola estava na 158.ª posição, num total de 178 países. A boa governação africana é analisada pelo Índice Mo Ibrahim (Ibrahim Index of African Governance – IIAG).

Combina 100 variáveis de 30 instituições independentes coordenadas pelas Nações Unidas e é tido como o mais abrangente estudo sobre práticas de boa governação em África. E por boa governação entende-se a capacidade dos governos de fornecer estruturas políticas, sociais e económicas aos cidadãos.

No caso, Segurança e Estado de Direito; Participação e Direitos Humanos; Oportunidade Económica Sustentável; e Desenvolvimento Humano. Posto isto, só falta dizer em que lugar está o nosso país entre os 52 abrangidos pela pesquisa: está em 44.º No Índice de Terrorismo Global, Angola, num total de 162 países, está abaixo dos 100, na 95.ª posição.

Terminamos com os dados que são a grande dor de cabeça de todos os governos e o maior factor de agitação dos mercados: os ratings das agências de notação. Wilson Silva tem em conta a Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch, assinalando a primeira grande divisão: “os países que possuem grau especulativo e os que possuem grau de investimento”.

Dentro de cada um desses dois grandes grupos são atribuídas notas. Na Fitch e na S&P, a nota mais baixa é D, e até BB+ os países estão no grau especulativo. A partir de BBB- até à célebre AAA, entram no grau de países ‘apetecíveis’ para investir.

Na Moods, a nota mais baixa é o C (alto risco de incumprimento) e termina igualmente em triplo A. E Angola, como está? Na S&P, tem vindo a subir, está actualmente em B+. Na Moody’s, o mesmo comportamento valeu ao nosso país a notação Ba2. Na Fitch, a notação está em BB-.

Em Março deste ano, a agência fez a revisão da notação e manteve o Issuer Default Ratings (IDR) de estável para negativo, a que não são alheias as ondas de choque relacionadas com a queda de 45% dos preços do petróleo.

Há claramente um caminho a percorrer, mas também há quem afirme que “Angola é um dos 10 países com a maior taxa de crescimento potencial nos próximos 30 anos”, com valores de crescimento acima das designadas economias avançadas.

POR ANA MARIA SIMÕES

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