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De grande derrotado eleitoral a salvador da pátria e de Merkel

06/12/2017 - 12:24, Upgrade

Conversações para a reedição da grande coligação poderão prolongar-se até Janeiro.

Por Paulo Narigão Reis

O SPD de Martin Schulz foi o grande derrotado das eleições legislativas alemãs de 24 de Setembro último, quando obteve o pior resultado desde a II Guerra Mundial. Agora, os sociais-democratas – e o seu líder – tornaram-se, de repente, os salvadores, se não da pátria, pelo menos de Angela Merkel, que não teve alternativa senão virar-se para Schulz para evitar o cenário de eleições  antecipadas.

As notícias da morte da grande coligação eram, afinal, exageradas. Após o acto eleitoral, as hipóteses de Merkel vir a cumprir o quarto mandato como chanceler ficaram subitamente em dúvida, quando as negociações entre o seu partido, a CDU, os liberais do FDP e os Verdes – a chamada ‘coligação Jamaica’ – colapsaram, deixando antever o cenário de eleições antecipadas. Com o AfD, o partido de extrema-direita, que conquistou 94 assentos no Bundestag fora de questão, Merkel não teve outra hipótese senão virar-se para o SPD, que, até agora, tinha repetidamente excluído a possibilidade de repetir a coligação que governou a maior economia da Europa nos últimos quatro anos.

Martin Schulz, que foi presidente do Parlamento Europeu entre 2012 e 2017, acabou por ceder e aceitou negociar  com  Merkel  o  reeditar  da GroKo, diminutivo para grande coligação, que foi, aliás, a palavra do ano na Alemanha em 2013.

Governo só para o ano?

Na semana passada, Schulz informou que os sociais-democratas que perderam 40 lugares nas eleições irão conversar com os outros partidos, mas exclui que, à partida, as negociações venham a orientar-se numa “direcção específica”, deixando assim em aberto se haverá uma coligação de governo ou um acordo parlamentar. “Se o resultado das conversações for que vamos participar na formação de um governo, seja qual for a sua forma ou constelação, os militantes do nosso partido serão chamados a votar”, disse, na semana passada.

Quem não parece ter dúvidas em relação ao desfecho desejado é Angela Merkel, que, nesta semana, convidou oficialmente o SPD a dialogar com o objectivo de formar um “governo estável que aborde os desafios do país e responda às grandes expectativas” da União Europeia. “Para nós, é importante garantir a estabilidade no país e permanecer a ‘âncora’ dessa estabilidade”, afirmou a chanceler. Para chegar à tal solução de governo estável, Merkel e Schulz terão de resolver uma série de divergências, nomeadamente quanto ao futuro da zona euro , em negociações que serão mediadas pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier ele próprio social-democrata –, que dificilmente ficarão concluídas neste ano. A primeira ronda de conversas realizou-se ontem. Contra o acordo está, no entanto, um grande número de deputados do SPD, que temem que a reedição da grande coligação deixe o partido numa crise existencial, com um parlamentar a dizer mesmo que nova coligação com os democratas-cristãos seria suicídio.

Na segunda-feira, Martin Schulz afirmou que está preparado para abandonar as negociações se os outros partidos, com a CDU naturalmente à cabeça, não mostrarem flexibilidade suficiente.

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