Mercado

Deixou a política para ser presidente

06/12/2016 - 09:05, Capital Humano, Upgrade

O homem-forte do Club Med usa a experiência adquirida nos bastidores da política na gestão do dia-a-dia da rede hoteleira.

Por Fernanda Mira 

Giscard d’Estaing é apelido de peso em França. Remete-nos, desde logo, para o mundo da política e lembra-nos o nome do homem que presidiu aos destino dos gauleses entre 27 de Maio de 1974 e 21 de Maio de 1981. Aqui o nome próprio assinava como Valérie. Mas o que aqui nos traz é o segundo dos seus quatro filhos, de nome próprio Henri.

E é a sua actividade profissional que merece a nossa atenção: CEO do Club Med, a maior rede de resortsdo planeta, com 70 unidades espalhadas por 26 países e uma facturação superior a 1000 milhões USD.

O nome de Henri é sobejamente conhecido no mundo dos negócios, tendo ganhado especial importância quando tomou as rédeas da cadeia hoteleira em 2005, num momento em que se encontrava em franco declínio.

E a este facto não são alheios os conhecimentos que adquiriu com a actividade política do pai, hoje com 90 anos.

Henri Giscard d’Estaing traz toda a sua experiência vivida na alta-roda do poder para dentro do Club Med. “Enquanto as pessoas aprendem a história através de livros, eu vivi alguns capítulos importantes ao lado do meu pai, dentro da minha casa”, contou à revista Isto É Henri, que tinha 18 anos quando o pai assumiu, em 1974, o cargo de presidente de França.

Hoje recorda o incontestável privilégio de ter assistido a fases marcantes na história da política mundial, os conselhos que ouviu e a sensação de se ter sentado ao lado de personagens do poder político internacional. Participou em almoços com o presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, com sheiks árabes, para além de todos os líderes europeus da época.

Um dos encontros que mais o marcaram foi com o papa João Paulo II.
“Lembro-me como se fosse hoje. Era uma figura carismática e comunicativa. Conquistava quem estava perto sem muito esforço”, vincou. Nestes encontros, destaca, aprendeu “a perceber as diferenças culturais e as posições políticas em cada um deles”.
“O meu pai sempre me alertou para isso, e dizia-me que a diplomacia serviria para todos os campos da minha vida.”
Definitivamente, serviu. Dentro do Club Med (criado em 1950 e que vive sob o slogan“Um mundo de felicidade”), os visitantes são recebidos com toda a pompa de um chefe de Estado.

Afinal, o próprio Henri faz questão de supervisionar o trabalho dos mais de 15 mil funcionários – chamados de GO, ou gentis organizadores – preparados para acolher quem chega às villages.

Com 60 anos, gosta de vincar que não se arrepende da sua passagem de 13 anos pela política, mas era difícil fazer “carreira à sombra de um grande castanheiro”.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.