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Jerome Powell “Um homem de Wall Street que gosta de forjar consensos”

14/11/2017 - 11:28, Upgrade

A escolha feita por Donald Trump para suceder a Janet Yellen na Reserva Federal é, para já, tranquila

Por Paulo Narigão

Jerome Powell é a escolha de Donald Trump para suceder a Janet Yellen na liderança da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos. Facilitador de consensos e tido como moderado, Powell já integrava o conselho de governadores da instituição, nomeado em 2012 pelo então presidente norte–americano, Barack Obama. “Comprometo-me a tomar decisões com objectividade, na longa tradição de independência da política monetária”, afirmou Powell, assim que se soube que era o eleito de Trump.

“Se a minha nomeação for confirmada pelo Senado, farei tudo o que estiver ao meu alcance para atingir os objectivos de uma estabilidade de preços e de um emprego máximo”, prometeu o antigo banqueiro e advogado de formação, de 64 anos.

Para já, a escolha do republicano Powell, que terá ainda se de ser confirmada pelo Senado, não ofereceu grande contestação, nomeadamente por parte dos democratas. “É um homem capaz de criar consenso”, analisa Chris Low, economista da FTN Financial, enquanto Terry Sheehan, economista na Oxford Economics, considera que a nomeação de Powell será recebida com alívio pelos investidores: “Encarna a figura de um responsável estável e dirigente, que favorece o status quonas taxas e a normalização do balanço da Fed.”

A maior crítica advém do facto de não ser um economista de formação, sendo o primeiro a ocupar o cargo desde que Jimmy Carter nomeou, em 1978, G. William Miller, uma escolha que  viria  a  revelar-se  desastrosa quando o dólar entrou numa espiral descendente, chegando a perder 34% para o marco alemão e 42% para o iene japonês nos seus primeiros 11 meses de mandato. Nada indica que desgraça semelhante venha a acontecer durante a liderança de Jerome Powell. “Não deve haver mudança significativa de política monetária com Powell”, refere Tim Duy, professor de Economia, especialista na Reserva Federal. Ben Bernanke, antecessor de Janet Yellen – e com quem trabalhou em 2013, quando a Fed começou a diminuir as suas compras de activos e os seus apoios massivos à economia – vê Powell como um homem com “uma reputação de moderado e conciliador”.

No currículo de Jerome Powell conta-se ainda uma passagem pelo governo, em 1992, quando foi nomeado pelo então presidente George H. W. Bush como subsecretário do Tesouro, com a responsabilidade da área das instituições financeiras. Mas Powell é, também, um homem de Wall Street. Entre 1997 e 2005, foi sócio do fundo de investimento Carlyle, onde acumulou uma fortuna avaliada entre 20 e 55 milhões USD, o que o torna em mais uma escolha de um milionário por parte de Donald Trump para ocupar um cargo de topo.

E, apesar de ter defendido, no passado, a adopção de instrumentos mais eficazes de controlo financeiro após a crise global de 2008/2009, Powell veio recentemente a público apoiar a redução da regulamentação sobre a banca, uma das polémicas propostas de Donald Trump que poria em causa a Lei Dodd-Frank, assinada por Obama em 2010 e que introduziu as mudanças mais significativas na regulação financeira dos Estados Unidos desde a Grande Depressão.

“Mais regulamentação nem sempre é a melhor resposta a todos os problemas”, afirmou Jerome Powell, defendendo  mesmo  alterações  à  regra Volcker, que que proíbe que os bancos especulem por sua própria conta e risco. “Powell é, provavelmente, mais amigável do ponto de vista regulatório”, consideram os economistas do RBC Capital Markets, numa nota enviada aos investidores, considerando, ainda assim, que o futuro presidente da Reserva Federal irá optar pela continuidade no que à política monetária diz respeito: “Será uma extensão natural de Yellen, já que a política monetária não está a pedir uma abordagem diferente.”

Já os analistas da IHS Markit vêem algum perigo: “Powell é provavelmente bem-visto tanto pelos democratas  como  pelos  republicanos,  mas num ambiente político altamente turbulento, as surpresas não devem ser excluídas.”

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