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Jerry Brown assume luta contra “governo de comédia”

22/11/2017 - 12:03, Upgrade

O governador da Califórnia lidera a oposição a Trump na luta contra as alterações climáticas.

Por Paulo Narigão Reis

Em Junho de 2017, os Estados Unidos anunciaram a saída do acordo climático de Paris. Todos? Não! Vários estados e cidades, povoados por irredutíveis americanos, ainda resistem a Donald Trump. E prometem tudo fazer para salvar o planeta, o único que temos. Entre eles está a Califórnia, que, se fosse uma nação independente, seria a quinta economia mundial. O governador da Califórnia, Jerry Brown, é por estes dias a voz de comando de todos os norte–americanos que não se revêem na política insana do seu presidente.

Brown  encabeça,  com  Michael Bloomberg, antigo mayorde Nova Iorque, a America’s Pledge, espécie de associação que reúne estados, cidades e empresas norte-americanos que estão plenamente conscientes de que as alterações climáticas são o maior desafio que a humanidade tem pela frente e que não será a pequenez do indivíduo que, por estes dias, ocupa a Casa Branca que deterá os norte–americanos de fazerem a sua (importante) parte.

“Há uma grande parte da América uma maioria – que está seriamente comprometida com a acção climática, porque sabemos que o aquecimento global é uma ameaça”, afirmou Jerry Brown, nesta semana, numa entrevista à Deutsche Welle em Bona, Alemanha, onde se realizou a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.

“A America’s Pledge destina-se a ocupar o espaço deixado pela intenção de Donald Trump de retirar os EUA dos Acordos de Paris”, disse Brown, para quem o governo norte–americano “se tornou num programa de comédia”. Como exemplo, oferece o facto de a única iniciativa da administração Trump na conferência de Bona ter sido um painel de defesa do carvão, o que levou Bloomberg a tecer o seguinte comentário: “Promover o carvão numa cimeira climática é como promover o tabaco numa conferência sobre o cancro.” America’s Pledge Bloomberg  e  Brown  não  estão  sozinhos nesta cruzada climática.

A America’s Pledge reúne, para além da Califórnia, mais 19 estados, como Washington, Oregon, Virgínia e Nova Jérsia, para além de centenas de cidades norte-americanas, a que se juntam universidades e empresas como a Walmart, a Pepsi Co. ou a Kellogg. Tudo somado, o grupo seria a terceira economia mundial, valendo 10,1 biliões USD, apenas atrás dos EUA e da China.

Em Bona, a America’s Pledge manteve-se à margem da cimeira com um espaço  muito concorrido  no exterior, mas Brown e Bloomberg fizeram questão de vincar que a associação merece um assento em nome próprio nas iniciativas climáticas das Nações Unidas. “Em vez de nada fazer, estamos a fazer alguma coisa, à espera de um novo presidente ou de uma conversão de Donald Trump, porque a declaração em que diz acreditar que as alterações climáticas são um embuste criado pela China é tão absurda, que custa a crer que ele próprio acredite nisso”, disse ainda Brown na entrevista à Deutsche Welle.

O sucessor do ‘governator’ Arnold Schwarzenegger  ele próprio activista no que às alterações climáticas diz respeito  desfaz a retórica conservadora de que a mudança para as energias renováveis custará muitos empregos aos norte americanos. “Isso é uma das histórias idiotas a que chamamos de trumpismo”, refere Brown, apontando o exemplo do seu estado: “A economia da Califórnia, com a sua política de redução das emissões de carbono, cresce mais depressa do que a média nacional. A energia solar, eólica ou hidroeléctrica, os automóveis eléctricos ou a hidrogénio, tudo isto cria novos empregos, os empregos do futuro.”

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