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A jovem australiana que quer salvar a vida selvagem

31/10/2017 - 08:51, Upgrade

Criada em 2013, a My Green World aposta na educação como forma de conservar a diversidade.

Por Paulo Narigão Reis 

Natalie Kyriacou soube o que ia fazer da sua vida aos 25 anos, quando viu com os próprios olhos a destruição dos habitats naturais da selva do Bornéu. Estávamos em 2013 e, apesar de já ter estar envolvida na protecção da natureza, a jovem australiana decidiu que era altura de fazer mais e dar o passo seguinte. Que foi a criação da My Green World, uma organização dedicada à educação ambiental e à conservação da vida selvagem, através da colaboração com outras organizações com fins não- -lucrativos.

Kyriacou, hoje com 29 anos, define a sua organização como um modelo de negócio híbrido, com o propósito de promover organizações e iniciativas dedicadas à conservação da vida selvagem e encorajar donativos para a causa. Quer, ainda, arregimentar crianças e jovens para as questões ecológicas, pelo que lançou , no ano passado, o Kids Corner,um sitepor subscrição destinado a escolas e às famílias.

Baseada em Melbourne, Natalie Kyriacou faz parte de uma tendência crescente entre os empreendedores sociais: integra a ‘geração millennial’, é mulher e está determinada em criar um modelo de negócio que contribua para resolver problemas económicos, sociais, culturais e ambientais. “Metade das espécies do nosso planeta desapareceu nos últimos 40 anos.

Todos os dias morrem, aproximadamente, 95 elefantes, por exemplo, uma das muitas atrocidades que continuam a ser cometidas contra o mundo natural”, disse a jovem empreendedora social numa entrevista a um site especializado, em 2016.

Salvar a diversidade

O tal momento ‘eureka’, no Bornéu, apareceu quando constatou a mortandade a que estava a ser sujeita a população de orangotangos, com o seu habitata ser substituído por explorações de óleo de palma.

“Estas plantações devoraram um território antes rico em diversidade, ajudando à redução e extinção de muitas espécies. Regressei a Melbourne determinada a educar não só a minha comunidade, como também a comunidade internacional sobre as injustiças a que assistira. Foi assim que nasceu a ideia para a My Green World”, conta, na mesma entrevista.
“Desde então viajei um pouco por todo o mundo, construindo parcerias com outras ONG, com o objectivo de criar uma plataforma colectiva onde as pessoas possam trabalhar juntas e lutar pelo futuro do nosso planeta”, acrescenta.

Uma das primeiras iniciativas da My Green World foi a criação de uma aplicação, o jogo World of the Wild, destinado à educação ambiental das crianças, cujo desenvolvimento custou 100 mil USD. Para reunir os fundos necessários, Kyriacou vendeu o seu carro, empenhou as suas poupanças, pediu ajuda à família e lançou uma campanha de crowdfunding. Dois anos depois de se lançar na My Green World, mantém ainda um segundo emprego, trabalhando como freelancer em relações públicas e marketing.

Kyriacou admite que a sua organização não dá lucro. “Não comecei a My Green World para ficar rica”, diz, “mas para alcançar impacto ambiental”, afirma, numa outra entrevista, esta ao jornal britânico Guardian.

“O progresso da My Green World tem sido marcado por uma série de êxitos, falhanços e desafios, e a partir de cada um deles tanto eu, a nível pessoal, como a organização podem crescer e aprender”, garante, acrescentando: “Tento sempre manter-me confiante e determinada, tratando todos obstáculos como um desafio a partir do qual posso aprender e também orgulhar-me.”

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