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A mente humana que faz avançar a inteligência artificial

08/05/2017 - 13:26, Upgrade

Fundador da DeepMind está a revolucionar a investigação da criação da IA.

Por Paulo Narigão Reis 

Num mundo onde a palavra génio é utilizada com demasiada leviandade, custa por vezes reconhecer e aplaudir a verdadeira genialidade. O nome de Demis Hassabis não é universalmente identificável, mas existirão, hoje em dia, poucas mentes tão brilhantes como a do fundador da DeepMind, o homem que Tim Berners-Lee, o ‘pai’ da Internet, classificou com uma das pessoas mais inteligentes do planeta e que é visto por quem com ele trabalha como um visionário.  A inteligência artificial vive hoje entre nós, mesmo que não reparemos.

Está nos motores de busca da Internet, nas redes sociais ou nos nossos smartphones, desempenhando tarefas que vemos como básicas mas que resultam do trabalho de uma série de verdadeiros génios. No topo da escala inclui-se Hassabis, cuja empresa, adquirida em 2014 pela Google, está a caminho de desenhar software mais poderoso do que a mente humana.

Este ano, o talento do investigador – e neurocientista, designer de jogos de computador e grande mestre de xadrez – foi reconhecido pela revista Time, que o incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes, na categoria de ‘Pioneiros’.
“Estou numa missão para solucionar a inteligência e, depois, utilizar isso para solucionar tudo o resto”, proclamou Hassabis, numa entrevista ao The Guardian, em 2016, classificando a sua investigação como o “programa Apollo do século XXI”. O que seria visto como soberba vindo de quase toda a gente assenta que nem uma luva em Demis Hassabis, principalmente desde que a DeepMind criou o AlphaGo, um programa que derrotou, sem apelo, o campeão mundial de Go, o milenar jogo chinês de tabuleiro, tão complexo, que tem mais jogadas possíveis do que todos os átomos existentes no universo. Hassabis e a sua equipa desenvolveram um softwarecapaz de ir além de meros cálculos, como o ‘velhinho’ Deep Blue, que derrotou Garry Kasparov no xadrez, mas capaz também de “intuição”.

O progresso alcançado pela DeepMind, elogiado pelas maiores mentes do mundo, mereceu de Hassabis um simples “it’s pretty cool”, numa citação da referida entrevista ao diário britânico. A complexidade da mente de Demis Hassabis é diametralmente oposta à sua aparência ou estilo de vida. Apesar de liderar uma das mais avançadas empresas do planeta, o cientista de 40 anos, um britânico filho de um cipriota grego e de uma singapuriana, passa despercebido pelo desprendimento com que se veste ou pela opção em manter-se fora do circuito das celebridades de Sillicon Valley. Tanto que, quando a DeepMind foi comprada pela Google por mais de 600 milhões USD, Hassabis fez questão de que a empresa permanecesse em Londres, onde ele sempre viveu, num edifício onde as salas têm o nome dos seus heróis: Aristóteles, Tesla, Feynman…
Génio precoce

Nascido em Londres em 27 de Julho de 1976, Demis Hassabis começou por ser um prodígio no xadrez. Atingiu a classificação de mestre aos 13 anos, chegando ao segundo lugar do ranking mundial na categoria de sub-14, atrás apenas da maior jogadora da história, a húngara Judith Polgar.

Com 17 anos já programava jogos de computador, como o (hoje) clássico Theme Park, comercializado em 1994 e que vendeu milhões de cópias em todo o mundo. Aos 22 anos, fundou a sua própria empresa de jogos, a Elixir Studios, e um ano depois venceu a Mind Sports Olympiad, uma espécie de Jogos Olímpicos do cérebro que se realiza anualmente. Em 2009, já com um doutoramento em neurociência cognitiva, dedicou-se à investigação em neurociência e inteligência artificial até que, em 2011, em parceria com Shane Legg e Mustafa Suleyman, fundou a DeepMind.

Tudo o que vier a acontecer no futuro em termos de AI terá, certamente, a mão de Demis Hassabis, que não partilha o medo de nomes como Stephen Hawking ou Elon Musk em relação à ‘revolta das máquinas’.

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